A memória da infância no sertão paraibano, a relação com a natureza e a influência materna estão no centro de uma exposição que chega à Região Serrana do Rio. A mostra CAJU | A Natureza de Ciro Fernandes abre nesta sexta-feira, 30 de outubro, às 14h, na Galeria do Sesc Nova Friburgo. A entrada é gratuita, e a visitação segue até 31 de janeiro de 2027.
Com 32 obras, a exposição reúne xilogravuras, matrizes de madeira e pinturas de diferentes períodos da trajetória de Ciro Fernandes. A seleção apresenta referências que acompanharam o artista ao longo da vida, mesmo depois de sua mudança da Paraíba para o Rio de Janeiro.
A mostra também inclui pinturas de Maria do Socorro Cavalcanti, mãe do artista, que teve papel fundamental em sua formação. Com recursos multissensoriais e atividades educativas, a proposta amplia as formas de contato com as obras e aproxima públicos de diferentes idades das artes visuais.
Realizada pelo Sesc RJ por meio do Edital Sesc Pulsar 2025/2026, a exposição tem curadoria de Thayná Trindade e idealização e direção de Mariana Lannes e Alessandro Zoe.
O título da exposição remete a uma lembrança da infância de Ciro Fernandes no Sítio Canada, no sertão da Paraíba. Naquele período, ele colhia cajus com a mãe, Maria do Socorro, também pintora. A experiência deixou marcas em sua memória e se tornou uma referência recorrente em sua produção artística.
Presente em trabalhos de diferentes fases, o caju funciona como um símbolo de pertencimento. A fruta representa a ligação com a terra natal, as relações familiares e as experiências que contribuíram para formar o olhar do artista.
A presença das pinturas de Maria do Socorro reforça esse diálogo entre memória e criação. As obras dos dois aparecem lado a lado, destacando a influência materna e a transmissão de referências artísticas entre gerações.
A exposição convida o público a observar como experiências aparentemente simples podem atravessar uma trajetória artística inteira. No caso de Ciro, a infância, a natureza e os vínculos familiares continuam presentes mesmo após décadas de trabalho em diferentes cidades e contextos culturais.
Quatro núcleos apresentam diferentes aspectos da obra
A exposição está organizada em quatro núcleos temáticos. Embora cada um explore aspectos específicos da produção de Ciro Fernandes, todos mantêm relação com suas origens e experiências pessoais.
Origem apresenta a infância do artista no sertão paraibano, sua relação com a mãe e os primeiros contatos com a arte. O caju aparece como símbolo dessa ligação com as raízes familiares e territoriais.
Passaredo reúne representações de pássaros, figuras recorrentes nas xilogravuras de Ciro desde a infância. O núcleo também associa as aves aos caminhos percorridos e às conquistas alcançadas durante sua trajetória artística.
As Mulheres explora as diferentes representações femininas presentes na obra do artista. As imagens vão de figuras do cotidiano a personagens da mitologia, em um conjunto que dialoga com sua sensibilidade artística e com a influência de Maria do Socorro.
Natureza destaca a relação de Ciro com a fauna e a flora. As referências incluem tanto as paisagens do sertão paraibano quanto os ambientes naturais que passou a observar no Rio de Janeiro.
A organização temática permite acompanhar diferentes dimensões da produção do artista sem separar sua obra de sua história pessoal. A natureza, as relações humanas e as lembranças da infância aparecem como elementos conectados.
Além das pinturas e xilogravuras, a mostra propõe experiências que envolvem outros sentidos. Matrizes e elementos táteis permitem explorar texturas e relevos associados à técnica da xilogravura, aproximando os visitantes dos materiais e processos utilizados na produção das imagens.
A experiência também inclui estímulos olfativos e uma trilha sonora original criada especialmente para a exposição pelo músico e compositor Jean Charnaux. Os recursos ampliam as possibilidades de percepção das obras e complementam a visita visual.
A acessibilidade é outro eixo da iniciativa. O espaço contará com audiodescrição, piso tátil e placas em braille. Também haverá conteúdo audiovisual exibido em televisão, com uso de fones de ouvido.
A abertura terá interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), recurso previsto também para uma das oficinas educativas. A combinação dessas medidas busca tornar a visita mais acessível a pessoas com diferentes necessidades.
Oficinas gratuitas aproximam jovens da xilogravura
Durante o período expositivo, serão realizadas três oficinas de gravura voltadas principalmente a crianças e jovens da rede pública de ensino de Nova Friburgo e região.
As atividades serão conduzidas por Bruno Fernandes, filho de Ciro Fernandes, com apoio de Bernardo Domingos. A proposta é apresentar os princípios da xilogravura por meio de práticas acessíveis e materiais sustentáveis.
As oficinas pretendem estimular a criatividade e aproximar os participantes da arte popular brasileira. Uma das atividades contará com interpretação em Libras.
As datas serão divulgadas posteriormente pelo perfil oficial da exposição no Instagram, @cirofernandesxilo, em conjunto com o Sesc Nova Friburgo.
Nascido em 31 de janeiro de 1942, em Uiraúna, no sertão da Paraíba, Ciro Fernandes é artista visual, xilogravador, pintor e ilustrador. Incentivado pela mãe desde a infância, começou cedo a desenhar e pintar.
Em 1958, aos 16 anos, deixou a Paraíba em decorrência da seca. Passou por Natal e São Paulo antes de se estabelecer no Rio de Janeiro, em 1961. Na capital fluminense, trabalhou com publicidade, ilustração e artes visuais.
Sua trajetória inclui trabalhos para jornais, livros e capas de discos, além de colaborações com publicações de autores como Rachel de Queiroz, Ferreira Gullar e Carlos Drummond de Andrade.
Ciro também participou de exposições em diferentes instituições culturais brasileiras, entre elas o Museu Nacional de Belas Artes. Sua produção em xilogravura se tornou uma das principais marcas de sua carreira.
Em Nova Friburgo, a exposição reúne diferentes etapas dessa trajetória e evidencia como as referências da infância continuaram presentes em sua obra. Ao aproximar arte, memória e acessibilidade, a mostra oferece ao público uma oportunidade de conhecer não apenas as imagens produzidas pelo artista, mas também as histórias e os vínculos que as inspiraram.
Serviço – CAJU | A Natureza de Ciro Fernandes
- Abertura: sexta-feira, 30 de outubro de 2026, às 14h
- Visitação: de 30 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
- Local: Galeria do Sesc Nova Friburgo
- Endereço: Avenida Presidente Costa e Silva, 231, Centro, Nova Friburgo (RJ)
- Horários: terça-feira a sábado, das 9h às 20h; domingos e feriados, das 9h às 18h
- Entrada: gratuita
- Classificação indicativa: livre
- Acessibilidade: audiodescrição, piso tátil, placas em braille, matrizes táteis e recursos multissensoriais; Libras na abertura e em uma das oficinas
- Oficinas: três atividades de gravura, com datas a divulgar em @cirofernandesxilo
- Realização: Sesc RJ — Edital Sesc Pulsar 2025/2026
- Site: cirofernandes.com.br
- Instagram: @cirofernandesxilo
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