O longa-metragem Fanon, dirigido pelo cineasta martinicano Jean-Claude Barny, acaba de alcançar um marco importante em sua trajetória internacional: o filme tornou-se oficialmente elegível em quatro categorias do Prêmio César, a mais alta honraria do cinema francês, frequentemente chamada de “Oscar francês”. Entre as categorias estão Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Atriz.
O reconhecimento reforça a força política, estética e contemporânea da obra, que revisita a trajetória do pensador, psiquiatra e militante anticolonial Frantz Fanon, figura central do pensamento crítico do século XX. O filme chega aos cinemas brasileiros em abril, com distribuição da Fênix Filmes.
Em declaração sobre a elegibilidade ao César, Jean-Claude Barny celebrou o momento como uma conquista coletiva:
“Figurar entre os elegíveis nas categorias mais importantes do César é, sem dúvida, uma grande satisfação. Especialmente quando se entrega uma obra cinematográfica marcada pela qualidade e pela radicalidade, cuja força nasce diretamente do presente. O público sempre foi e continuará sendo a nossa maior recompensa.”
Atualmente, Fanon é o filme francófono mais assistido fora da França, ampliando seu alcance internacional justamente no ano em que se celebra o centenário de nascimento de Frantz Fanon (1925–2025).
Exposição no Rio aprofunda legado anticolonial de Fanon
Como parte das ações de pré-lançamento no Brasil, o Rio de Janeiro recebe a exposição “Fanon, revolucionário anticolonial: um programa de desordem absoluta”, a partir de 15 de janeiro, na Aliança Francesa – Botafogo. A mostra é uma realização da FLUP, com produção executiva da Fênix Filmes e curadoria de Handerson Joseph e Sílvia Capanema.
A exposição reúne documentos, imagens e textos — alguns inéditos no Brasil — propondo uma imersão no pensamento fanoniano e conectando as periferias globais aos “condenados da terra” do presente. A proposta dialoga diretamente com o filme e com debates contemporâneos sobre colonialismo, racismo estrutural e emancipação.
Entre os destaques da mostra está a intervenção digital “Códigos Negros”, desenvolvida pelo Olabi, com curadoria de Sil Bahia e Yasmin Menezes. Quatro artistas negros — Guilherme Bretas, Ilka Cyana, Poliana Feulo e Walter Mauro — utilizam inteligência artificial para reprogramar imaginários e projetar futuros de libertação, transformando a tecnologia em campo de disputa simbólica e cura coletiva.
O espaço também abriga a Boutique Fênix, com livros, camisetas, bonés e materiais exclusivos ligados ao filme e à obra de Fanon.
Um filme urgente para o presente
Ambientado no contexto da Argélia colonizada e da luta anticolonial africana, Fanon acompanha a formação intelectual e política de Frantz Fanon, desde sua trajetória na França até seu engajamento direto nos movimentos de libertação. Com uma narrativa intensa, o longa articula psiquiatria, política e resistência, iluminando o impacto duradouro de um pensador cuja obra segue fundamental para compreender o mundo contemporâneo — especialmente no Brasil, onde seus escritos ecoam nos debates sobre raça, cultura e emancipação.
Serviço – Exposição – Exposição: Fanon, revolucionário anticolonial: um programa de desordem absoluta
Período: 15 de janeiro a 23 de fevereiro
Horário: Segunda a sexta, das 8h às 20h
Local: Galeria da Aliança Francesa
Endereço: Rua Muniz Barreto, 746 – Botafogo, Rio de Janeiro
Entrada: Gratuita
Leia mais
Siga-nos e confira outras dicas em @viventeandante e no nosso canal de whatsapp !



