Saturday, November 28, 2020

CRÍTICA | ‘Frankie’ é emocionante confronto com o fim da vida, em Sintra

Em Frankie. Isabelle Huppert aparece ótima, como sempre, na pele de Françoise Crémont: uma famosa atriz francesa à beira da morte por conta de um câncer terminal. Em uma viagem a Sintra (Portugal) com toda a sua família, vemos nossa protagonista resolver questões do passado, enquanto contempla o inevitável fim de sua vida.

Apesar do tema, é importante ressaltar que Frankie não é um filme necessariamente triste e funesto. Longe de ser entediante, temos um longa que exalta, em cada minuto, a simples contemplação da vida. A sensibilidade do diretor Ira Sachs, indicado à Palma de Ouro por essa obra, ao desenvolver os arcos narrativos de cada personagem nos emociona com histórias diversas, com as quais nos identificamos instantaneamente.

Psique

O cuidado em apresentar a psique dos familiares da protagonista, não pelo olhar de dela, mas pela presença em cena de cada um deles, é um dos méritos do roteiro de Sachs e Mauricio Zacharias. Os diálogos intensos, ora em inglês, ora em francês e até mesmo em português, são responsáveis por apresentar múltiplas narrativas sobre casamento, divórcio, amor, ódio, descobertas, encontros e desencontros, que se assemelham por um simples motivo: a complexidade das relações afetivas que permeiam a vida.

Foram também as ótimas atuações de Isabelle Huppert, Brendan Gleeson, Marisa Tomei, Pascal Greggory e outros grandes nomes que garantiram a construção enredada dessas histórias, que se desenrolaram em encontros casuais entre os personagens. Nesse ponto, o diretor soube explorar o melhor dos atores em sua capacidade dramática, promovendo encontros genuinamente emocionantes, que conferiam veracidade e naturalidade à história.

A bela Sintra, em Portugal

A belíssima paisagem de Sintra também é um recurso indispensável na composição das cenas, ressaltada por uma fotografia que explora, principalmente, as luzes naturais de cada locação. Com destaque para o lindo plano geral que encerra o filme, no qual todos observam o pôr do sol no Santuário da Peninha, numa lindíssima referência à contemplação da vida, que é o propósito do filme do começo ao fim.

Entendendo que o vale mesmo nessa história é a reflexão sobre ela, o longa não se preocupa em apresentar um ponto final para a protagonista. Já sabemos o que vai acontecer. Portanto, o interessante aqui é ver como essa viagem foi capaz de marcar cada personagem de uma determinada forma. A iminente morte de Frankie é mero detalhe. Em verdade, o que chama atenção, verdadeiramente, é que cada familiar também enfrenta suas próprias batalhas, e tem oportunidade de resolvê-las ou repensá-las. Por isso, Frankie é um filme emocionante e excepcionalmente reflexivo.

Enfim, veja o trailer:

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