Fratura – Crítica (Netflix)

“Fratura” tem filas, esperas, formulários, trocas de atendente durante a chamada, mais espera, mudança de setor.

Após sua filha cair da beira de um precipício, Ray e sua esposa levam a menina para um hospital no meio da estrada. No entanto, após cair no sono, Ray percebe que elas sumiram, acreditando que há uma grande conspiração envolvendo tráfico de órgãos por trás disso.

Quando Brad Anderson dirigiu “O Operário” (2004), ele trabalhou a paranoia dentro de um ambiente operário e fabril. Aqui ele repete sua fórmula de sucesso. É o cinza da burocracia, da papelada, dos raios-X e das nuvens que oprimem silenciosamente o protagonista.

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Indubitavelmente há essa sensação incômoda de limpeza no ambiente que contrasta com o comportamento suspeito dos funcionários daquele hospital.

Aliás, o hospital de “Fratura” acaba sendo o que expõe a vulnerabilidade de seu protagonista, onde ele, pela primeira vez, perde o controle de sua vida. Palavras difíceis servem para diagnosticar doenças simples, os médicos impedem a entrada em certas áreas, procedimentos não podem ser realizados enquanto formulários não são assinados.

Dentro de sua mente é tudo tão assustador, mas, ao mesmo tempo, é tão calmo ao seu redor. Fratura expõe o fedor da morte impregnado nos hospitais, que é constantemente camuflado pela burocratização e formalização da medicina. Ele rejeita a ritualização da morte e expõe sua visceralidade.

@universocritico

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