Moradores da Grande Tijuca viveram momentos de tensão na tarde desta sexta-feira (24), após uma intensa troca de tiros entre traficantes rivais transformar diferentes comunidades da Zona Norte do Rio em um cenário de guerra. O confronto, que teria começado por volta das 15h40 no Morro do Cruz, rapidamente se espalhou para áreas vizinhas, provocando medo entre moradores, comerciantes e pessoas que circulavam pela região.
Os disparos puderam ser ouvidos em bairros próximos e foram relatados por dezenas de pessoas nas redes sociais. Vídeos compartilhados por moradores registraram o som contínuo de rajadas de fuzil, enquanto testemunhas afirmavam que o tiroteio se prolongava por mais de meia hora.
De acordo com informações preliminares divulgadas por perfis que acompanham a segurança pública no Rio de Janeiro, o confronto envolve criminosos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Terceiro Comando Puro (TCP), facções que disputam o controle de comunidades localizadas entre o Andaraí e a Tijuca.
Embora os primeiros relatos indiquem que os disparos começaram no Morro do Cruz, moradores afirmam que o conflito também foi ouvido nas imediações do Morro da Casa Branca, Chácara do Céu e Complexo do Borel, demonstrando a dimensão da disputa.
A proximidade entre essas comunidades faz com que confrontos entre grupos criminosos frequentemente ultrapassem os limites de uma única favela, espalhando o clima de insegurança por boa parte da Grande Tijuca.
Quem estava nas ruas buscou abrigo em lojas, prédios comerciais e estações de transporte, enquanto moradores permaneceram dentro de casa aguardando o fim dos disparos.
Redes sociais registram clima de medo
À medida que o confronto se intensificava, moradores passaram a relatar a situação nas redes sociais.
“Há mais de meia hora está acontecendo um tiroteio intenso na região da Chácara do Céu e Borel”, escreveu um internauta.
Outra moradora contou que estava na Tijuca quando foi surpreendida pelo confronto.
“Vim resolver umas coisas na Tijuca e, do nada, um tiroteio absurdo dando para ouvir no meio da rua.”
Outros usuários demonstravam preocupação sem conseguir identificar a origem dos disparos.
“O que está acontecendo na Tijuca e região? Tem 20 minutos que o tiroteio não para.”
Os relatos mostram que o barulho dos tiros foi ouvido inclusive em áreas afastadas das comunidades, afetando a rotina de moradores e trabalhadores.
A região que reúne os morros do Cruz, Andaraí, Casa Branca, Borel e Chácara do Céu vem sendo palco frequente de confrontos ligados à disputa pelo controle do tráfico de drogas.
Nos últimos meses, moradores relataram diversos episódios de violência envolvendo facções criminosas rivais, além de operações realizadas pelas forças de segurança para tentar conter o avanço dos grupos armados.
A proximidade entre comunidades controladas por organizações criminosas diferentes torna a Grande Tijuca um dos pontos mais sensíveis da Zona Norte quando ocorrem tentativas de invasão ou expansão territorial.
Especialistas em segurança pública apontam que essas disputas costumam ocorrer de forma repentina e podem durar horas, colocando em risco moradores que não têm qualquer relação com a criminalidade.
População convive com rotina marcada pela violência
O episódio desta sexta-feira reforça uma realidade conhecida por quem vive na região.
Sempre que há confrontos entre facções ou operações policiais, moradores enfrentam interrupções no transporte, fechamento de estabelecimentos comerciais, suspensão de atividades escolares e dificuldades para circular pelas ruas.
Além do risco provocado pelas balas perdidas, muitos trabalhadores acabam impedidos de chegar ao trabalho ou retornar para casa enquanto os confrontos estão em andamento.
A repetição desses episódios evidencia como a violência armada continua impactando diretamente a qualidade de vida da população carioca.
Até a publicação desta reportagem, não havia informações oficiais sobre mortos ou feridos em decorrência do confronto.
Também não havia confirmação da Polícia Militar sobre operações em andamento ou prisões relacionadas ao episódio.
A expectativa é de que, após o controle da situação, as autoridades divulguem um balanço oficial sobre a ocorrência.
Enquanto isso, moradores seguem acompanhando a movimentação pelas redes sociais e aguardando a normalização da rotina em uma região que, mais uma vez, teve sua tarde interrompida por uma disputa entre facções criminosas.
Uma das regiões mais valorizadas do Rio de Janeiro, cercada por bons comércios, escritórios, consultórios e belas casas segue sofrendo por causa da bandidagem sem controle.
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