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Jacarezinho inspira espetáculo sobre migração, trabalho e resistência no Rio
EspetáculosNotícias

Querer ficar, mas ter que partir leva memória do Jacarezinho ao palco do teatro

Por Redação
Última Atualização 14 de setembro de 2026
6 Min Leitura
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foto de Leo Lima
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As histórias de quem chega, parte, permanece e precisa reconstruir a própria vida ganham o palco em Querer ficar, mas ter que partir. O espetáculo estreia em 17 de setembro, no Sesc Tijuca, e parte da memória do Jacarezinho para discutir migração, trabalho, pertencimento e resistência.

Idealizada por Natália Brambila, a montagem investiga as transformações sociais e urbanas da favela da Zona Norte do Rio. A dramaturgia também recupera a importância do antigo Complexo Industrial do Jacaré na formação do território.

A partir da década de 1960, fábricas de diferentes segmentos atraíram trabalhadores de várias regiões do país. Ao redor das indústrias, cresceram moradias, relações comunitárias e uma rede de comércio ligada à economia local.

A industrialização, portanto, ajudou a formar uma comunidade marcada por diferentes origens, experiências e manifestações culturais. O espetáculo parte dessas histórias para refletir sobre como a migração também participa da construção de um território.

A trajetória da própria família de Natália Brambila está no centro da criação. Sua mãe, Elida, deixou Minas Gerais aos 14 anos e veio para o Rio em busca de trabalho.

Foi no Jacarezinho que ela conseguiu seu primeiro emprego, em uma das fábricas do Complexo Industrial do Jacaré. A experiência também criou vínculos que ultrapassaram o ambiente profissional.

A partir dessa memória familiar, Natália passou a investigar outras trajetórias de pessoas que migraram para o território em diferentes momentos. O objetivo foi compreender como essas histórias contribuíram para a identidade construída no Jacarezinho.

A pesquisa também acompanha as mudanças provocadas pelo enfraquecimento da atividade industrial.

O fechamento de fábricas, as crises econômicas e o desemprego modificaram profundamente a dinâmica do território. O espetáculo reconhece as marcas deixadas por esse processo, mas desloca o olhar para as formas encontradas pelos moradores para reconstruir a vida.

A cultura aparece, nesse contexto, como ferramenta de criação, resistência e afirmação comunitária.

A Unidos do Jacarezinho, fundada em 1966 por Dona Andressa Moreira da Silva, é uma das referências presentes na montagem.

O espetáculo também recupera trajetórias de artistas ligados ao território, como Lacraia, MC Serginho e MC Nem do Jacarezinho. A presença dessas figuras ajuda a mostrar como a produção cultural do Jacarezinho ultrapassou as fronteiras da comunidade.

Para o diretor Reinaldo Junior, a montagem pretende evitar uma representação do território limitada à ideia de carência.

“A favela não aparece apenas como cenário ou lugar de carência, mas como cosmos: um território vivo, complexo, criador de mundos, relações, tecnologias de sobrevivência e modos próprios de existir”, afirma.

A encenação também utiliza a imagem da água para pensar deslocamento e transformação. O rio aparece como fronteira, caminho, passagem e memória, estabelecendo uma relação com as trajetórias das pessoas que migram e reconstruem seus territórios.

“Querer Ficar, Mas Ter Que Partir é, portanto, uma peça sobre uma família, mas também sobre muitas famílias”, resume Reinaldo.

Realizado pela Cia Cria do Beco, o espetáculo reúne jovens artistas negros, universitários e moradores de diferentes favelas do Rio de Janeiro.

Muitos integrantes da equipe também possuem histórias familiares relacionadas à migração. Essa experiência atravessa o processo de criação e aproxima memória pessoal e pesquisa sobre o território.

No palco, Jeff Melo, Natália Brambila, Anderson Oli e Taty Aleixo formam o elenco. MC Serginho participa como convidado especial.

A direção é de Rei Black, enquanto Pedro Emanuel assina a dramaturgia. Gabriela Luiz participa da assistência de direção e também responde pela direção de movimento.

A trilha sonora e a direção musical ficam a cargo de Beà Ayòóla. A cenografia é de Cachalote Mattos, com figurino de Tiago Ribeiro e iluminação de João Gioia.

Depois da temporada no Sesc Tijuca, o espetáculo terá ainda quatro apresentações em novembro nas comunidades de Manguinhos e Jacarezinho.

A circulação reforça uma característica importante do projeto: a memória retratada no palco também retorna ao território que inspirou a criação.

Serviço

Espetáculo: Querer ficar, mas ter que partir
Local: Teatro II – Sesc Tijuca
Estreia: 17 de setembro de 2026
Temporada: até 11 de outubro
Sessões: quinta a sábado, às 19h; domingos, às 18h
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos

Ingressos:
PCG: grátis
Habilitado Sesc: R$ 21
Meia-entrada: R$ 15
Conveniado: R$ 27
Inteira: R$ 30

Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539, Tijuca, Rio de Janeiro – RJ

Vendas: Ingresso.com

Apresentações em novembro: quatro sessões nas comunidades de Manguinhos e Jacarezinho.

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Tags:Cia Cria do Becocultura do Jacarezinhoespetáculos gratuitos Rio de JaneiroJacarezinhomigração e teatroQuerer ficar mas ter que partirsesc tijucateatro negro brasileiroteatro no rio de janeiroteatro periférico
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