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Entrevista com Os Caras e Carol | “Você só tem o presente, o passado já passou”

Os Caras e Carol cederam entrevista para o Vivente Andante

Os Caras e Carol. Conhece essa banda da nova geração do pop rock? Era uma bela noite no Pub Panqss, em meio ao BotaSoho, no Rio de Janeiro. Lá fui cobrir um show que reuniria três bandas novas: Balla e Os Cristais, Luellem de Castro & Nós Somos e Os Caras e Carol. A apresentação de todos foi maravilhosa, em uma casa de shows cheia e estilosa. Logo depois, o público fluiu e conversei com eles. Foi muito engraçado. Talvez uma das entrevistas mais divertidas que já fiz. Confere aí:

Alvaro Tallarico: Os Caras e Carol, Carol e os Caras… pode ser? A ordem dos fatores altera o produto?

João Loroza: Carol e cara um, cara dois. (risos)

Carolina Coutinho: Os Caras e Carol é uma escolha consciente na verdade. A gente se inspirou nos nomes de bandas como Lobão & Os Ronaldos, nesse tipo de estrutura de nome, mas foi importante para mim e os meninos que a banda ficasse em evidência porque quando você coloca o nome do vocalista na frente, às vezes fica parecendo que é um cantor acompanhado por uma banda e não uma unidade, que é o que a gente é. Para mim foi importante colocar meu nome depois para as pessoas entenderem isso.

Alvaro Tallarico: Seguir o fluxo do rio é mais importante ou ser alheio é mais interessante?

Carolina Coutinho: Ih, briga de compositores agora, Leonardo! A gente vai sair na mão?

Leonardo Maciel: A gente está na iminência de sair na mão já faz algum tempo (risos). Eu escrevi “Máquina do Tempo” e você escreveu…

Carolina Coutinho: Eu escrevi “Até Amanhã” e os sentimentos são diferentes. São duas músicas que falam de estórias e contextos diferentes. “Até Amanhã” tem uma narrativa muito específica de uma pessoa que estava, eu, estava nessa festa, me sentindo alheia àquelas pessoas, aquele grupo de pessoas e aí, por isso ser alheio é tão mais interessante. Uma cabeça de uma pessoa, eu tinha dezessete anos quando escrevi então é a Carolina de dezessete anos. Eu acho que “Máquina do Tempo” conta a narrativa do Léo.

Leonardo Maciel: O lance da música “Máquina do Tempo” é sobre você não ficar pensando muito em passado, você só tem o presente, só o presente importa, o passado já passou. Não fica olhando isso com uma negatividade. E aí o refrão “Eu queria ter uma máquina do tempo” é justamente para voltar o passado e dizer para você mesmo, cara, relaxa aí no ensino fundamental, médio, não fica muito ansioso não, faz o que você ama, enfim é só o presente que a gente tem.

Alvaro Tallarico: Amar para sempre até amanhã seria um novo eterno enquanto dure?

Carolina Coutinho: Eu acho que o “amamos para sempre até amanhã” é um sentimento muito específico também desse lugar. É aquele sentimento de quando você está muito animado, e com aquelas pessoas e tipo você está fazendo planos “a gente vai viajar, fazer as coisas, a gente se ama” e aí as pessoas começam a ir embora, não se falam mais, não se conhecem, não são mais aquelas pessoas. É o fim de festa (risos).

Afinal, eles falaram muito mais, se liga na entrevista completa:

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Carlos Posada e o poder da cultura | “A gente tem tudo para sair dessa ‘bad'”

Carlos Posada cedeu entrevista para o jornalista Alvaro Tallarico.

Ele fala sobre como o Brasil vive entre a lama e o caos. Sendo a lama também uma riqueza. Carlos Posada é um cantor, compositor e músico de origem sueca, mas vivência brasileira. Criado em Pernambuco e radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), viaja pela MPB, o rock e o indie. Inclusive, já teve músicas gravadas por Lenine, Ana Cañas e Duda Brack, fez parte da banda O Clã e acredita que a cultura e a arte tem o poder de mudar perspectivas.

“Tem uma hora que você está tocando e fala ‘cara, o que estou fazendo aqui?’ cantando minhas paradas”, me disse Posada.

Aliás, no dia em que gravamos essa entrevista, uma chuva torrencial caiu no Rio de Janeiro. Porém, não impediu os amantes de música de comparecem ao Pub Panqss, em Botafogo, para o show de Posada, Gui Fleming e Agatha.

“Eu sou muito tímido e ao mesmo tempo o lugar que eu me sinto mais feliz, mais tranquilo é quando estou tocando… Se me deixar na passagem de som eu fico direto, amarradão, até a hora de tocar. É o lugar que faz mais sentido.”, afirmou, sorrindo, o músico.

As ruas alagadas foram secando vagarosamente, enquanto os espectadores chegavam aos poucos e subiam para o segundo andar do pub, ávidos por música de qualidade. Posada não decepcionou, sentou-se com o violão e tocou suas composições com simpatia e descontração.

Mantra

“O retorno das pessoas, e sei lá, depois que as pessoas começam a mandar mensagem para você toda hora do dia, ‘tô aqui’. Tem gente que já casou com minha música… Liga um cara lá do Ceará e fala ‘caraca, velho, me amarro na sua música’. É uma alegria muito grande. E aí você vai vendo assim que, tipo, a música não deixa de ser um mantra. Você faz uma música que as pessoas gostam de cantar e de repetir, ela se transforma num mantra.”, falou Posada.

Entendi melhor essa resposta de Posada ao lembrar do momento em que tocou “Retalhos”. O público todo parecia ter um sorrisinho de satisfação, como um emblema de união em prol da canção, ao mesmo tempo em que cantavam baixinho, como um mantra.

Posada ainda falou sobre a onda de pessimismo que veio nos últimos tempos: “Acho que quando virou 2020, acho que meio que rolou uma coisa de um inconsciente coletivo de não, cara, vamos botar o astral lá para cima, porque não dá mais, a gente já foi pra um… não tem como… a gente entrar… é tipo é daí para se matar! Não tem como, é daí para ser idiota, para dar cartaz, bater palma para doido dançar, e eu estou sentindo que realmente está todo mundo realmente tentando sair dessa bad e está funcionando, a gente tem tudo para sair dessa bad“.

Abordamos vários temas, como Nação Zumbi, cultura, arte. Para a entrevista completa é só dar o play:

Créditos do podcast:

// Apresentação, produção e roteiro: Alvaro Tallarico // Edição: Fachal Júnior // Siga @viventeandante no Instagram e no Twitter // No Facebook: facebook.com/viventeandante // E visite www.viventeandante.com

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Gui Fleming | “A psicanálise me influenciou a pensar que arte e loucura tem tudo a ver”

Gui Fleming em entrevista para o Vivente Andante Jornalismo Cultural.

Esquisito, diferente, um bom maldito, isso é Gui Fleming? Fizemos uma entrevista completa com esse músico que tem uma persona no palco, onde joga sua expressividade para fora, buscando memórias de seu passado. Aqui ele fala sobre como faz suas canções, juntando as experiências que teve na psicanálise e trabalhando com saúde mental e as conexões entre a arte e a loucura.

Comenta sobre o selo Porangareté e suas diferentes peças e também fala da sua relação com a cantora e compositora Agatha – como Valsa e Baião – e a vida alternativa em São Pedro da Serra, mais simples e orgânica. Além da comparação financeira entre a área metropolitana do Rio de Janeiro e a região serrana, onde possui a vantagem de ter tempo para escrever e compôr.

Aliás, ouça a entrevista completa:

Primeiro clipe, “Zezé”

No dia 1 de abril estreou o primeiro clipe do cantor e compositor Gui Fleming, “Zezé”.  Apresenta todo um estilo psicodélico e o ar natureba de São Pedro da Serra. A saber, “Zezé” é uma das faixas do álbum Bom Maldito, lançado recentemente por Gui Fleming através do selo Porangareté, com apoio LabSonica/Oi Futuro. A canção fala sobre o nó entre a loucura e a normalidade e também sobre o amor ao próximo, e ao não tão próximo, o diferente.

O vídeo conta com a participação de Jander Ribeiro, vocalista da formação original da Plebe Rude. Além disso, atuam Rosane Amora e Martha Taruma, juntamente com o próprio Gui Fleming, que assina o roteiro. Aliás, foi inteiramente filmado em São Pedro da Serra. Todos os atores e equipe técnica residem na região serrana do Rio de Janeiro. A faixa foi produzida por Rodrigo Garcia, conhecido por seu trabalho com Cássia Eller, Cátia de França e Júlia Vargas e diretor artístico do selo Porangareté.

Afinal, veja o primeiro clipe de Gui Fleming, “Zezé”:

Créditos do Podcast:

Apresentação, produção e roteiro: Alvaro Tallarico // Edição: Fachal Júnior // Foto de Gui Fleming por Alvaro Tallarico // Siga @viventeandante no Instagram e no Twitter // No Facebook: facebook.com/viventeandante

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Hugo Mello | “Um Los Hermanos sem guitarra”

Hugo Mello é Los Hermanos sem guitarra.

As atribulações da vida transformam-se em música no violão de Hugo Mello, artista que faz parte da nova geração da MPB. Aqui ele fala sobre arte e como cria suas composições. Entre elas, a fofa “Nina”, que parece uma coisa, é outra, mas acima de tudo, tem delicadeza, singeleza e felinidade. É possível compreender um pouco de como funciona o processo de criação desse músico. Clique na imagem acima e dê o play para ouvir e saber mais.

Hugo Mello preza por canções intimistas e tem grande inspiração em Los Hermanos, o que fica claro no seu estilo tando de se vestir e comportar até musicalmente. “Meu Girassol”, por exemplo, traz uma letra mais densa. Enquanto “Filme” é uma grande serenata de amor e uma ode ao cinema. Já “Astronauta” é um desabado a partir do que Hugo Mello passava naquele momento, uma busca por entrar em contato com os próximos sentimentos. A música é uma paixão para Hugo Mello, que deseja ver suas canções se espalhando e tocando as pessoas, mexendo com sensações e despertando o que tiver que ser desperto.

Créditos do Podcast:

// Apresentação e roteiro: Alvaro Tallarico // Edição: Fachal Júnior // Foto por Alvaro Tallarico // Siga @viventeandante no Instagram e no Twitter // No Facebook: facebook.com/viventeandante //

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Gilsons | Trio faz show em Copacabana

Gilsons fazem show em Copacabana
Com influências da MPB aos blocos afros, Gilsons apresentam seu novo EP nessa terça-feira, 17 de dezembro, em Copacabana

Gilberto Gil, desde os tempos da tropicália, deixou muitos legados para a cultura nacional. Contudo, o que talvez ele não esperasse é que suas próximas gerações viriam com o mesmo dom de cantar e encantar. Seu filho caçula e dois de seus netos estão mostrando cada vez mais seus talentos e provando que a genética musical não falha. 

O trio Gilsons, formado por José Gil, Francisco Gil e João Gil surgiu com dois singles ainda em 2018. Ademais, no último dia 22, o grupo divulgou seu primeiro EP “Várias Queixas” que será apresentado ao público carioca nessa terça-feira (17).

5 músicas compõe o novo álbum

A saber, com o total de cinco músicas, o novo projeto traz ao mesmo tempo a doçura de uma voz ao pé do ouvido e o balanço das ondas do mar que percorrem entre o litoral carioca e soteropolitano. Difícil não se render aos versos autorais e arranjos harmoniosos que conversam perfeitamente com as nossas expectativas como as de “Vento e Alecrim”,  “Cores e Nomes” e “Love, love”.

Clipe de “Várias Queixas” pode ser encontrado no YouTube

Inclusive, “Várias queixas”, uma das faixas e título do projeto, é uma composição do bloco Olodum que já possui mais de 40 anos de histórias nas ruas do Pelourinho. Com direção e roteiro de Pedro Alvarenga, estrelado por Jeniffer Dias e Hiltinho Fantástico, a canção ganhou um clipe super envolvente e esteticamente bem feito, filmado na comunidade da Tijuquinha, no Rio de Janeiro. 

A capa do primeiro álbum traz os três jovens quando ainda eram crianças brincando justamente daquilo que os une, cantar e tocar instrumentos. Essa entrada já traz uma característica familiar que propicia ainda mais a ligação do público com a obra. Aliás, até mesmo o nome desse encontro tem laços sanguíneos. A referência ao sobrenome foi sugestão de Preta Gil, mãe de Francisco. 

“A Voz” fala das reviravoltas e descobertas de tornar-se pai

Francisco, inclusive, é autor de “A Voz” que fala sobre o nascimento de sua filha, Sol de Maria, e mostra além do amor, as descobertas, felicidades e sustos do novo momento como pai. “A música é uma coisa que ganha vida por si só. Ela nasce e cresce através dos sentimentos que desperta nas pessoas… ela se transforma. Os Gilsons nasceu despretensioso e o desejo de jogar pro mundo o nosso som foi genuíno e imediato. Com o tempo, as canções ganharam força através das pessoas”, assim foi descrita a sensação de satisfação ao divulgarem pela primeira vez nas redes sociais o novo trabalho pronto.

Os três já faziam parte da banda Sinara

E, por falar em boa música, devemos lembrar que todos os três compunham a banda Sinara ao lado do vocalista Luthuli Ayodele e do baixista, Magno Brito, que também merece destaque. Mas, ao que parece, apenas João prosseguiu nos dois grupos. Sinara, em 2017, lançou o álbum de estúdio chamado “Menos é Mais” disponível nas plataformas digitais com faixas como: “Floresta”, “Sem Ar” e “Antes que eu morra”. As músicas são muito próximas do reggae e a produção foi realizada por Pedro Baby e Sergio Santos.

Dessa vez, Lana Janoti trouxe duas dicas em uma e vale super a pena dar o play para escutar. Agora, aos que já conhecem o trio “Gilsons”, essa é a oportunidade de assisti-los, nessa terça-feira no Theatro Net Rio, às 21h.

Serviço:

Show: Gilsons

Local: Theatro Net Rio

Horário: 21h

Preço: A partir de R$ 30

Classificação: 12 anos

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Beraderos lança primeiro single nas plataformas digitais

Beraderos fazem parte da nova mpb

Dia após dia, a Nova Mpb nos apresenta artistas incríveis mostrando que o atual som nacional não deixa a desejar. Mesmo se comparado aos já consagrados cancioneiros da Música Popular Brasileira. Uma dessas felizes descobertas é a banda Beraderos que iniciou sua trajetória em julho de 2018 . Desde então, tem agraciado os ouvidos daqueles que os acompanham.

De acordo com a descrição na página do Instagram, eles se intitulam como: “Música autoral de vozes, cordas, couro, ar e madeira”. Todo o conjunto dessa obra é admirável para quem curte um som mais tranquilo, por vezes romântico e com ares do interior.

Flor de laranjeira foi o single escolhido para divulgação do trabalho

Na última terça-feira, 10 de dezembro, a dupla formada pelos músicos e atores, Danilo Mesquita e Ravel Andrade, lançou nas plataformas digitais o seu primeiro single. “Flor de Laranjeira”, composta por Ravel e Rafael Losso em um reencontro banhado de boas conversas e cerveja, é o carro-chefe da dupla e combinou perfeitamente com o clima chuvoso que formou na última tarde carioca.

A dupla já esteve na lona do Circo Voador e no palco do Teatro Rival

Além de “Flor de Laranjeira”, canções como: “Arvoredo”, “Justo Eu”, “Hortinha”, “Caminhar” e “Me Pega”, também fazem parte de suas composições e estão disponíveis no canal do Youtube. Danilo é baiano e Ravel veio de Porto Alegre, mas o local que escolheram para divulgar seu trabalho foi o Rio de Janeiro. Em pouco mais de um ano a dupla já se apresentou nos palcos do Circo Voador, Teatro Rival, Teatro Solar de Botafogo e Ganjah Lapa. Ambos passaram ainda pelo Baixo Augusta, em São Paulo, e tocaram no Festival Pau Brasil, em Tiradentes.

Milton Nascimento apadrinhou o projeto

Na maioria das músicas é possível remeter às lembranças do Clube da Esquina de Milton e Lô Borges. Bituca é o padrinho e uma das principais referências neste trabalho. Assim como Chico César que, inclusive, é compositor de “Beradêro” e deve ter sido uma influência na escolha do nome da dupla.

Leveza e calmaria estão presente nas canções

Se levarmos o nome Beraderos ao pé da letra e consultarmos o dicionário veremos que a palavra “beradeiro” está relacionada a uma pessoa amostrada, brega, de pouca cultura formal, tem linguajar do interior, do mato. Ao meu ver, o que mais se aproxima é o fato de trazer a música do campo para cidade.

Afinal, a calmaria que lembra o cantar dos pássaros, o som da percussão com toques de simplicidade, a delicadeza das notas no violão, as vozes gostosas de escutar e as letras que deixam a natureza latente são os detalhes que marcam. Além disso, aqueles que curtem o som dos grandes nomes da mpb, tem grande chance de apreciar a música desses dois artistas que começam a cavar o seu lugar na nova geração.

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Júlia Vargas, Mestrinho e João Donato abrem Rio Music Market com show inédito

Rio Music Market e Júlia Vargas com Mestrinho e João Donato no Vivente Andante

A abertura do Rio Music Market traz um show inédito com a cantora Júlia Vargas recebendo o acordeonista Mestrinho e o pianista João Donato. A apresentação acontece no dia 9 de dezembro, uma segunda-feira, às 20h, no Theatro NET Rio. A exibição dá partida à sétima edição do evento, o qual reunirá mais de 60 profissionais do mundo inteiro a fim de debater as transformações e novas oportunidades da indústria da música em cerca de 30 mesas.

Em estúdio, gravando “D’Água”, o seu segundo disco solo, Júlia Vargas escolheu músicas do álbum “Pop Banana” (2017) para unir com as habilidades únicas de Mestrinho e Donato. Ademais, Júlia tem cantado com muitos artistas consagrados, como Zélia Duncan, João Bosco, Roberta Sá e Zeca Baleiro, e está lançando o álbum de pegada feminista “Iara Ira”, com as cantoras Juliana Linhares (Pietá) e Duda Brack.

Mestrinho, sanfoneiro de respeito

Sergipano radicado em São Paulo, Mestrinho é considerado um fenômeno na renovação do forró e já dividiu o palco com Dominguinhos, Gilberto Gil, Hermeto Pascoal, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, entre outros. Em 2018, ganhou o troféu de Melhor Cantor e foi indicado na categoria Melhor Álbum Regional no 29º Prêmio da Música Brasileira. O sanfoneiro segue apostando na carreira solo e preparando o seu terceiro disco, a ser lançado em 2020 pela Atração Fonográfica.

A experiência de João Donato e o repertório

O pianista e compositor João Donato completa 85 anos de vida e 70 de carreira neste 2019. Inclusive, é difícil condensar em poucas linhas a importância deste pianista e compositor nascido no Acre e morador do Rio de Janeiro. A saber, em turnê pela Europa, Donato volta para casa em dezembro para fazer uma participação especial nesse show da Júlia.

No repertório da noite do Rio Music Market, releituras de compositores consagrados como João Bosco, Aldir Blanc, Jorge Mautner e Tom Zé. Além disso, canções de novos compositores da cena carioca, como Claos Mózi, Ivo Vargas, André Vargas, Carlos Posada, Victor Lobo e Marcos Mesmo.

Afinal, estão previstos os sucessos “Bananeira” e “Lugar Comum”, de Donato. Juntamente com clássicos do forró de Dominguinhos, como “De volta pro meu aconchego” em um dueto arrebatador de Júlia e Mestrinho e, ainda, “Te faço um cafuné”, entre outras surpresas.

Enfim, no show, Júlia Vargas estará acompanhada por Roberto Kauffman (acordeão), Marcos Luiz (baixo) e Gabriel Barbosa (bateria).

Júlia Vargas recebe Mestrinho e João Donato | Rio Music Market

QUANDO: Segunda, 9 de DEZEMBRO, às 20h

ONDE: Theatro NET Rio – Rua Siqueira Campos, 143 | 2º piso, em Copacabana

QUANTO: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia entrada)

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Samba, memória e história: Mimo Festival 2019 no Cine Odeon

O Mimo Festival é um encontro de cinema, música e poesia nascido em 2004 e que já passou por várias cidades brasileiras e até pela cidade de Amarante, em Portugal. Neste final de semana, o Mimo Festival está no Rio de Janeiro com uma programação diversa em pontos como o Museu da República, Fundição Progresso e Parque das Ruínas. No tradicional Cine Odeon, especialmente, há exibição de filmes com a temática da música brasileira.

Não foi por acaso que no sábado (30/11), o Mimo Festival recebeu no Cine Odeon dois filmes que trataram do samba em diferentes contextos. Ainda que o ritmo seja conhecido dentro e fora do país, sempre existem aspectos pouco abordados pela mídia. Um deles é a participação feminina nas rodas de samba e nas agremiações. Devido ao machismo, até hoje as mulheres sambistas sofrem com preconceito. Sob essa ótica, o curta-metragem “Procuram-se Mulheres” abriu a sessão das 18 horas.

A diretora Rozzi Brasil deu voz às mulheres do samba com seu curta presente no Mimo Festival. “Fiz isso sem um tostão por causa de uma iniciativa social de ensinar audiovisual numa escola de samba”. Rozzi foi aluna do projeto Por Telas da escola de samba Portela.  Já na tela do cinema, instrumentistas, cantoras e compositoras mostraram seu vasto repertório de histórias. Elas contaram situações de discriminação que sofreram por parte de homens em suas trajetórias dentro do samba. O curta, inclusive, dá uma pequena amostra do talento dessas mulheres musicais.

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Enfim, as mulheres sambistas encontradas por Rozzi, inicialmente através das redes sociais, formaram um grupo para a disputa de samba-enredo da Portela: o “Samba das Guerreiras Presente”. Os 17 minutos do filme exibido no Mimo Festival provaram que as mulheres não estão satisfeitas com o invisibilidade provocada pela sociedade machista. Com certeza, as guerreiras continuarão a lutar dentro e fora do samba.

Logo após a exibição do curta, ocorreu o lançamento do documentário “Sambalanço, a Bossa que Dança” no Mimo Festival. Com direção de Fabiano Maciel e roteiro do jornalista Tárik de Souza, o filme traz à tona uma variante do samba que surgiu em paralelo com o famosa Bossa Nova nos anos 60. Embora tenha influenciado nomes conhecidos da música como Elza Soares, Jorge Ben e Wilson Simonal, o Sambalanço nunca teve antes sua história contada com tamanha riqueza de detalhes.

“A principal diferença entre o Sambalanço e a Bossa Nova é o balanço. A Bossa Nova era para ouvir, banquinho e violão e o Sambalanço era uma música essencialmente de baile e de boate, com órgão Hammond e a percussão latina misturada com o samba”, define o roteirista Tárik de Souza.

As Parcerias do Sambalanço

O grande protagonista do documentário é o cantor e compositor Orlandivo. Ele narra com maestria as parcerias do Sambalanço: Ed Lincoln, Djalma Ferreira, Miltinho, João Donato, João Roberto Kelly; são diversos nomes de peso na música brasileira. Outro ponto de destaque é o relato do compositor e humorista Paulo Silvino que conta os conflitos com Carlos Imperial por autoria de canções.

Ao retratar o frenesi gerado pelos bailes de Ed Lincoln, o filme aborda a relação da juventude com a música em tempos muito anteriores à internet. Os bailes começaram em clubes da Zona Norte e passaram depois para o Hotel Glória tornando-se ponto de encontro dos jovens da Zona Sul. De acordo com entrevistas do documentário exibido no Mimo Festival, eram vários bailes por semana e o tempo no palco levava os músicos à exaustão.

Tárik de Souza no Mimo Festival. Muito samba no Vivente Andante.
Tárik de Souza. Foto: Rebeca Vitória
Samba do Balanço

Para quem perdeu a sessão do Mimo Festival e quer saber ainda mais sobre o movimento musical, pode conferir o livro “Sambalanço – a bossa que dança – um mosaico”. Segundo o autor, Tárik de Souza, o livro que foi lançado em 2016 é um projeto conjunto com o filme. O documentário “Sambalanço, a Bossa que Dança”, por sua vez, é uma porta de entrada para que as novas gerações conheçam músicas dançantes e atuais.

O roteirista do filme presente no Mimo Festival Tárik de Souza lembra que a cantora Roberta Sá e o rapper Marcelo D2 regravaram a canção “Samba do Balanço” (Haroldo Barbosa e Luís Reis). A genialidade do Sambalanço está em unir as características mais alegres do samba com uma pitada de outras influências latinas e jazz resultando em um ritmo alucinante. Por isso, apesar de seu longo tempo de trajetória, o Sambalanço sempre será atual.

Cantora Daíra: Amar e Mudar as Coisas e o sorriso de Belchior

Daíra canta Belchior

Com uma bela dose de “Alucinação”, começa o álbum da cantora Daíra, do selo Porangareté. Ela não está interessada em teorias ou fantasias, e resolve cantar com emoção, trazendo uma interpretação diferenciada para os clássicos do Belchior. Quando declama “A terra toda é uma ilha”, dá uns arrepios gostosos e lembra um fado, a música típica portuguesa. É a canção “Princesa do Meu Lugar”. Certamente, uma releitura que cai com maestria no vibrante cantar da Daíra. Às vezes, tem um jeito de country também.

Inclusive, destaque para o clipe dessa última, filmado por Floriza Rios, trazendo todo um estilo de jornada, viagem – e homenagem. Com bonitas imagens, aquele jeito de mochilão, sabe? Também parece documentário e enaltece o protagonismo feminino. Vemos os rostos de várias mulheres distintas. A cantora parece já conhecer seu lugar. E é na MPB. “Paralelas” passou pela tangente sem me segurar muito, porém, em seguida, “Coração Selvagem”, me trouxe pressa de viver e continuar escutando Daíra, me chamando de meu bem, convidando para correr perigo. A vontade era aceitar, e aceitei. A interpretação dá vontade de pegar a mão da cantora e sair cantando por aí. O final em que ela vai subindo de tom, e descendo, subindo, brincando… Meu bem, é uma beleza.

O Cajueiro anda Aflorando

Enquanto escrevo essa resenha, vou escutando o álbum, já pela segunda vez. Melodicamente é uma maravilha, indubitavelmente bem gravado, produção musical e arranjos de Rodrigo Garcia e com Daíra em boa forma vocal. “Apenas um Rapaz Latino-Americano” é uma das minhas músicas preferidas desde criança. Difícil superar a original do Belchior, contudo, Daíra não procura superar nada, somente oferecer sua alma em forma de voz para nos dizer que tudo é divino e maravilhoso. “Jornal Blues” traz um estilo teatral que acrescenta bastante. Essa geração de músicos tem a força do amar, para mudar as coisas. Não é redundância, e nunca será. As mensagens de Belchior, sua incrível poesia, mantém vivo o sonho dos abraços e beijos sinceros. O som, a fúria, de um artista marcante e único que tanta falta nos faz reaparece nessa iniciativa.

A própria Daíra, em toda sua simpatia, após ver minha coluna no BLAHZINGA sobre o selo Porangareté, me enviou o álbum para que eu escutasse. Afinal, o que posso dizer para ela e para cada leitor é que Belchior, onde quer que esteja, sorri. Assim como nós que escutamos.

Afinal, veja o clipe de “Princesa do Meu Lugar”:

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Cenário independente da música resiste e cria novos espaços

Cenário Independente: CoolRock Experience

O cenário independente resiste. A princípio, uma das maiores dificuldades em se fazer música hoje em dia é conquistar um público consumidor para o seu trabalho. Aliás, se já não bastassem as dificuldades produtivas, quando se fala de show, a maioria arrasadora das casas que recebem música ao vivo no Rio de Janeiro dá preferência a bandas com repertório cover de artistas renomados,  as quais obviamente atraem mais pessoas e garantem a estabilidade financeira do empreendimento.

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Contudo, dentro desse cenário, e tentando amenizar esses percalços, surgem os festivais com produções independentes criando espaço para bandas também independentes que estão começando sua carreira. Ademais, unem-se algumas outras que já têm tempo de estrada, mas ainda estão na luta por um lugar ao sol. Atualmente, no Rio de Janeiro, podemos destacar três festivais que estão movimentando a cena independente underground da cidade: Akasha Rock Fest, Alternativo Rock Club e, o mais recente, Coolrock Experience.

Akasha Rock Fest e Alternativo Rock Club

O Akasha Rock Fest foi idealizado pela produtora Pity Portugal em dezembro de 2018. As edições clássicas contam sempre com 3 bandas independentes e inéditas no line up, e acontecem no Calabouço Heavy e Rock Bar. Atualmente o festival conta também com as edições especiais e as edições sessions, que acontecem em outras casas do Rio de Janeiro, tais como La Esquina, Rock Experience e Smoke Lounge, juntando às bandas inéditas aquelas que fizeram história no palco do Akasha. Já passou do décimo primeiro evento e já recebeu mais de 30 bandas durante seu ano de estrada.

O Alternativo Rock Club é um coletivo de bandas que vestem a camisa e produzem seu próprio evento, já que é muito difícil entrar nos grandes festivais. Aliás, a produção enfatiza demais o apoio mútuo entre músicos e produtores. Idealizado por Fábio Fagaso, o evento está em sua sétima edição, tendo tido 22 apresentações e uma playlist com mais de 80 bandas independentes. O Alternativo Rock Clube é uma grande festa de celebração ao #juntossomosmaisfortes.

Coolrock Experience

O mais recente entre esses espaços é o Coolrock Experience, produzido por mim , o qual teve sua primeira edição em 10 de novembro de 2019, no Coordenadas Bar, em Botafogo. O CoolRock procura fornecer o palco para bandas com sonoridade específica, que promovam o rock alternativo influenciado pela música dos anos 60, 70, passando pelo jazz e pela MPB. A proposta é oferecer uma experiência de conexão com a música e com o bem estar de se ouvir novos sons, trabalhos diferentes.

Enfim, o que esses trabalhos têm em comum é o foco na importância de se criar espaços para que novos artistas cheguem ao público consumidor. Afinal, o rock, ou a boa música de maneira geral, não morreu. A forma como eles são apresentados foi que mudou. E esses festivais têm unido forças para provar isso para a população carioca.

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