Uma única frase foi suficiente para deixar claro que Jovem Sherlock não pretende apenas revisitar o universo de Sherlock Holmes, mas reescrevê-lo. A nova série do Prime Video altera um dos elementos mais icônicos do detetive criado por Arthur Conan Doyle e assume, sem rodeios, uma ruptura direta com o cânone literário.
Baseada na série de livros homônima de Andrew Lane, Jovem Sherlock acompanha um Sherlock Holmes de 19 anos, vivido por Hero Fiennes Tiffin, ainda distante do detetive metódico e consagrado conhecido pelo público. Estudante da Universidade de Oxford, o personagem surge indisciplinado, impulsivo, rebelde e longe do controle emocional que o definiria no futuro.
A trama se inicia quando um assassinato dentro da universidade ameaça a liberdade do jovem Holmes, forçando-o a investigar seu primeiro grande mistério. Ao seu lado estão personagens fundamentais dessa releitura, como a princesa Gulun Shou’an (Zine Tseng), o irmão Mycroft Holmes (Max Irons) e, de forma surpreendente, James Moriarty (Dónal Finn).
O ponto de maior ruptura com o legado de Conan Doyle aparece no trailer mais recente da série. Nele, não é Sherlock quem profere a famosa frase:
“Quando você elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que pareça, deve ser a verdade.”

Em Jovem Sherlock, quem diz a frase é Moriarty. A mudança não é apenas simbólica. Ao transferir para o futuro arqui-inimigo uma das máximas intelectuais mais famosas de Holmes, a série altera profundamente a dinâmica entre os dois personagens e sugere uma origem muito mais complexa para a rivalidade que marcaria suas vidas.
Série Jovem Sherlock mostra amizade antes da rivalidade
Na nova abordagem, Sherlock e Moriarty começam como aliados e amigos. Juntos, investigam o crime que ameaça a liberdade do protagonista, criando uma relação de parceria que jamais foi explorada nos textos originais. Arthur Conan Doyle nunca explicou como ou por que Moriarty se tornou o maior antagonista de Holmes, e a série parece interessada justamente em preencher essa lacuna.
A transferência da frase icônica pode funcionar como pista narrativa. Uma possibilidade levantada pela própria estrutura da série é que Holmes receba sozinho o reconhecimento pelos feitos investigativos da dupla, o que pode gerar ressentimento, ruptura e a semente da rivalidade futura. Em vez de um vilão previsível, Moriarty surge como um gênio moldado por frustrações, escolhas e injustiças.
As alterações propostas por Jovem Sherlock não são acidentais. Sob a direção e produção executiva de Guy Ritchie, a série assume um tom mais físico, dinâmico e irreverente, com sequências de ação intensas e um protagonista ainda em formação. A ideia não é reproduzir o Sherlock clássico, mas construir o caminho que o levou até lá.
Essa liberdade narrativa permite que a série enfrente questões que o cânone original deixou em aberto, especialmente a origem do conflito entre Holmes e Moriarty. Ao colocá-los frente a frente ainda jovens, como iguais, Jovem Sherlock oferece ao público uma nova lente para compreender uma das rivalidades mais famosas da literatura.
Se a ruptura definitiva entre os dois será mostrada já na primeira temporada ou apenas insinuada, ainda não está claro. Mas a série já deixa evidente que sua proposta não é reverenciar o passado de forma intocável, e sim reinventá-lo.
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Serviço – Jovem Sherlock
Plataforma: Prime Video
Estreia: 4 de março de 2026
Episódios: 8
Direção e produção executiva: Guy Ritchie
Showrunner: Matthew Parkhill
Elenco: Hero Fiennes Tiffin, Dónal Finn, Zine Tseng, Joseph Fiennes, Max Irons, Natascha McElhone, Colin Firth



