Saturday, September 19, 2020

Luellem de Castro e Nós Somos dão recado no Rio de Janeiro

Luellem de Castro e Nós Somos vieram mostrar que estão protegidos pelos mais poderosos Orixás, os quais abençoam sua música, um tipo de neo soul brasileiro namorando com diversos estilos musicais, como o samba, evitando a rotulação que aqui tento sugerir. Criticando o preconceito ao redor, demonstram corpo fechado para qualquer energia negativa. Luellem utiliza suas habilidades de atriz e juventude em comunhão com vocais incisivos e a Nós Somos é uma união de talentos musicais. Essas foram as impressões que tive ao ver pela primeira vez essa galera tocar ao vivo.

Em “Menina Hareboa”, aquele papo reto usando a comicidade para passar a mensagem sobre uma hipocrisia extremamente comum. A teatralidade de Luellem de Castro em confluência com Fernanda Albuquerque e Nós Somos apresenta uma sinergia que viaja entre a poesia, a provocação e a diversão. Inclusive, Nós Somos? Nós Somos bom demais! Kalebe Nascimento na segunda voz e bateria, ainda teve seus momentos solo, surpreendendo a galera com sua técnica vocal, saudando a todos com “Essa É Uma Carta de Adeus”. A última coisa que deu vontade foi de dar adeus. A vibração da canção é de música popular brasileira, soul brazuca de levada leve que faz voar alto. Sem exagerar, mas trouxe lembranças do maravilhoso Cassiano.

Kalebe Nascimento em Botafogo junto com a Banda Nós Somos e Luellem de Castro.
Nós Somos Kalebe Nascimento e o neosoul (foto: Alvaro Tallarico)

Alma brasileira

Além disso, no geral, a apresentação me fez lembrar das grandes feras do soul brasileiro, como Sandra de Sá, Paula Lima, Hyldon… O novo remetendo ao antigo, contudo, a modernidade bate na porta, com uma galera que não curte rótulos, pois quer liberdade para fazer música do jeito que der vontade, sem estereótipos. Certamente, louvavam suas influências e interpretaram “O Que É O Amor”, de Arlindo Cruz, emendando em “Meu Nome é Favela”. É a raiz do Rio de Janeiro cantada em alto e bom som.

Fernanda Albuquerque fazia aquela bela dupla, com muita expressividade, com Luellem, jogando um backing vocal que valia por alguns instrumentos. Aliás, João Loroza, na viola, que ainda tocaria naquela noite com Os Caras e Carol, foi ao palco e mandou uma autoral, tipo reggae. Antes deles, Balla e os Cristais haviam mostrado o puro rock brasileiro. Certamente, Luellem de Castro e Nós Somos e aquela mescla de teatralidade com canções críticas e divertidas ao mesmo tempo foi realmente cativante. Porque talvez o monstro do armário só precise de um abraço, como dizem em “Princesa Rottweiller”.

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