Balla e os Cristais mostram novo rock brasileiro em Botafogo

No último domingo, o Pub Panqss, em Botafogo (RJ), recebeu um pequeno festival de novos talentos. Três ótimas bandas deram seu recado e encheram a estilosa casa cultural, que preza pela reciclagem. Primeiro, por volta das 19h, Balla e os Cristais entraram com um rockenroll de respeito, pedindo barulho e fazendo mais ainda. Solicitaram que o público berrasse – e foram atendidos. O grupo é carismático, irreverente. Fazem diversas piadas entre si, entretendo o público além da música. Erick Ferreira no baixo, além de alívio cômico, não deixa a peteca cair, dando uma base bonita. Rafael Balla é aquele vocalista de rock num estilo psicodélico de terno. Em verdade, a banda entrou com pé na porta, exclamando “Vocês São Todos Idiotas”, uma autoral que já mostrava a personalidade.

Certamente, destaque para a versão hardcore de um clássico de um dos maiores artistas que o Brasil já teve: Noel Rosa. Sim, esse sambista maravilhoso de Vila Isabel foi homenageado, com louvor, por Balla e os Cristais. Qual não foi a surpresa desse jornalista, fã desse genial artista, ao escutar “Não Tem Tradução” toda acelerada, pesada.  A saber, o Poeta da Vila, como ficou conhecido Noel, nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, contudo, viveu pouco, embora com muita intensidade, como tantos gênios que morrem jovem demais. Teve uma carreira artística meteórica e marcante, porém não sobreviveu à uma tuberculose, doença mortal na época, auxiliada pela boemia incessante. Morreu em 4 de maio de 1937, com apenas 26 anos. No rock de Balla e os Cristais, Noel viveu de novo.

Andam Dizendo

Aliás, o grupo preza por uma força melódica do puro rock e, o que me chamou bastante atenção, letras e canções que criticam os problemas da sociedade. Nada de música boba e besteirol. Pela internet, há uma versão maneira de “Comportamento Geral”, do grande Gonzaguinha, a qual eles tocaram, levantando a galera. Outras composições próprias do grupo deram o ar da graça como “Fala, Quer Invadir”, a qual tem força, “Balla e os Cristais da Decepção Matando Moinhos de Vento”, que, no mínimo, vale pelo título criativo, e “Canta”, uma convocação para rockeirar.

Além disso, o single autoral “Andam Dizendo” tem estilo e pegada, com uma introdução épica com riffs contagiantes, valorizando o que é de verdade. Brunno Martins na guitarra é eletrizante e lá atrás Gustavo Almeida pesa na bateria nas horas certas. Afinal, é rock de fazer balançar a cabeça. Inclusive, outra ótima escolha de repertório foi “Zé do Caroço”, mostrando a linha que o grupo segue. Em suma, a banda parece ter a ideia de transformar e fazer música de qualidade – se divertindo durante o processo.

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