Neste sábado, 23 de agosto, o Centro de Artes Calouste Gulbenkian (Rua Benedito Hipólito, 125 – Praça XI, Centro do Rio) recebe o Festival Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, evento gratuito que integra uma agenda nacional de mobilização rumo à 2ª Marcha das Mulheres Negras, marcada para novembro em Brasília. Com rodas de conversa, música, gastronomia, recreação e feira de artesanato, o festival tem como objetivo celebrar conquistas, visibilizar vozes e preparar os próximos passos da luta por equidade racial e de gênero.
Um encontro de vozes potentes
Com mediação da atriz Juliana Alves, a abertura do evento contará com a mesa “Por que marchamos? – 10 anos da Marcha, de 2015 a 2025”, reunindo nomes como Conceição Evaristo, Lúcia Xavier, Luyara Franco e Jacqueline Gomes de Jesus, em um diálogo sobre os avanços e desafios enfrentados por mulheres negras no Brasil. “O festival nos fortalece nesse sentido, de entender que devemos continuar marchando e celebrando as nossas conquistas”, destacou Juliana Alves.
Além dos debates, o público poderá curtir roda de samba com o Grupo Raízes Negras, conhecer produções gastronômicas e artesanais e participar de atividades voltadas às crianças. O evento também promove uma ação solidária, arrecadando absorventes para doação a mulheres em situação de cárcere.
A Marcha como força política e simbólica
O festival integra uma agenda preparatória para a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que acontecerá em 25 de novembro, em Brasília. Articulada por coletivos como CRIOLA, Instituto Marielle Franco, Mulheres Negras Decidem, entre outros, a marcha dá continuidade à histórica mobilização de 2015, que reuniu mais de 100 mil mulheres na capital federal.
A proposta é mais que um ato: trata-se de uma plataforma política viva, baseada em princípios de justiça climática, respeito à diversidade e valorização das culturas afro-indígenas. A marcha defende um novo projeto de sociedade fundamentado no conceito do Bem Viver, herança de cosmovisões ancestrais que propõem uma relação mais harmônica entre indivíduos, coletividades e a natureza.
O festival também se conecta com outras ações que promovem o protagonismo feminino negro, como o lançamento do ensaio “Mulheres Negras na Cultne”, realizado no Palácio Tiradentes. A iniciativa homenageia mais de 50 mulheres negras atuantes nas produções da Cultne e inaugura o Núcleo de Mulheres Negras da instituição, propondo um gesto simbólico e estratégico de reparação histórica. O projeto busca ampliar a visibilidade dessas profissionais e exaltar sua força coletiva na construção de narrativas audiovisuais.

Cultura, visibilidade e representatividade na mídia
A força do movimento negro também ecoa em outros espaços culturais e midiáticos. No podcast “Mano a Mano”, Mano Brown recebeu Antônio e Camila Pitanga para uma conversa emocionante sobre identidade racial, colorismo e legado cultural. “Nós pretos não somos iguais. A gente se encontra na diferença”, afirma Camila Pitanga, refletindo sobre o papel da cultura como ferramenta de encontro e fortalecimento da identidade.
A conversa também destacou o filme “Malês”, dirigido por Antônio Pitanga e estrelado por Camila, que estreia em outubro nos cinemas e retrata a Revolta dos Malês, maior levante negro da história do Brasil. “É sobre contar o que a história não contou”, resume o veterano ator e diretor.
Economia criativa e protagonismo negro
Enquanto isso, o Feira Preta Festival, maior evento de economia criativa negra da América Latina, se prepara para sua edição de 2025 em Salvador, entre os dias 28 e 30 de novembro. O evento abriu inscrições para expositores negros, indígenas e quilombolas que desejam integrar o festival com produtos, serviços e iniciativas culturais. “Feira Preta é mais do que um evento, é um movimento”, diz Adriana Barbosa, fundadora do instituto que leva o mesmo nome.
12 horas de protagonismo na TV
Na TV, a faixa “Negritudes no Canal Brasil” promove uma maratona de 12 horas de programação dedicada à cultura negra, com exibição do longa inédito “A Festa de Léo”, de Luciana Bezerra e Gustavo Melo, além de títulos como “Cidade de Deus – 10 Anos Depois”, “Favela Gay”, “Maria”, e show de Seu Jorge. A programação vai ao ar a partir das 20h, no dia 25 de agosto.
Serviço – Festival Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver
Data: 23 de agosto
Horário: 10h às 18h
Local: Centro de Artes Calouste Gulbenkian – Rua Benedito Hipólito, 125 – Praça XI, Rio de Janeiro
Gratuito | Inscrições: Sympla
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