Friday, September 18, 2020

‘Mulher é Música’ mostra exemplo de sororidade

No dia 13 de fevereiro de 2020 aconteceu a segunda edição planejada do sarau Mulher é Música, no espaço cultural Casa de Luzia, Lapa, Rio de Janeiro. Aliás, digo planejada porque já rolaram outros encontros dessas mulheres que expressam sua arte juntas, com o intuito de se fortalecerem mutuamente nesse meio ainda muito dominado pelo masculino. Mas agora o evento está consolidado. E pronto para decolar.

As produtoras e apresentadoras do projeto, Juliane Gamboa e Tuany Zanini, abriram o evento falando justamente da importância das mulheres se unirem e cuidarem uma das outras, criando essa rede de musicistas. Indubitavelmente, um trabalho independente e democrático, sustentado por contribuições voluntárias do público. A saber, nessa edição estiveram no palco sete mulheres lindas, fortes, com trabalhos autorais e versões próprias de músicas consagradas.

Iemanjá e as primeiras vezes

Tatiana Henrique abriu o Mulher é Música contando e cantando a história de Iemanjá. É muito difícil tirar os olhos da Tati enquanto ela fala.  Autoridade quando o assunto é linguagem corporal, a artista prendeu minha atenção e meu fôlego do início ao fim da apresentação. E abriu as portas para que as mulheres entrassem no palco cheias de energia positiva.

Em seguida, tivemos Clara Gurjão iniciando a cantoria. Mãe de uma menina há pouco tempo, cantou sobre o encanto das primeiras vezes em que fazemos coisas. O olhar deslumbrado do bebê quando descobre o mundo se perde quando a vida adulta vai ganhando forma. Como é bom relembrar e sentir a leveza e a alegria da primeira vez! Ainda mais ao som dessa voz linda da Clara. Inclusive, seu trabalho autoral está disponível nas plataformas digitais e você pode conferir a “Canção Lisboeta” destacada pelo editor do Vivente Andante e jornalista cultural, Alvaro Tallarico:

Terceira apresentação da noite foi da Elisa Fernandes. Conheci Elisa em outros palcos, cantando “Você Não Sabe o Que É Ser Preto” para uma plateia majoritariamente branca. Ela tem a voz e a atitude da negritude em suas canções. Simplesmente maravilhosa! Seu último single “Orquestra”, lançado em novembro de 2019, já conta com mais de 64 mil streams no Spotify e está
na playlist editorial Divina MPB. Sucesso.

Ouve só:

Thati Dias, a voz do grupo Os Abufelados, coloriu o palco com suas madeixas roxas incríveis. Porém, mais incrível ainda é a performance dessa mulher! Ela é daquelas intérpretes que dão vida à música. Você sente a emoção da canção pelas expressões faciais e corporais que executa enquanto canta, com uma voz linda. Thati é bela do cabelo à voz. Também tem trabalho autoral nas plataformas digitais. Olha só Os Abufelados:

Quinta voz do sarau, Ananda Jacques me foi indicada de longe, por músicos lá de sua terra, Sorocaba, como uma voz potente e uma pessoa iluminada. E é mesmo tudo isso que me disseram. Em determinado momento da apresentação de Ananda, senti viva a chama que me mantém trabalhando para a música. É por vozes como a dela, e as dessas mulheres, que a gente segue firme lutando. A apresentação dela foi linda. O single “Coroa de Prata” tem clipe no Youtube, e fala sobre a auto aceitação.

Confira:

Em seguida, tivemos Helô Tenório, única pianista da noite. Escolha uníssona entre as produtoras, a mulher é formada em Canto Lírico pela UFRJ. Aí você já imagina do que estou falando. Foi maravilhoso ouvir Helô cantar e tocar. Ela tem se dedicado à construção do seu novo álbum com composições autorais, mas Maré, que abriu a apresentação da cantora, já está disponível nas
plataformas digitais.

Se liga na ‘Maré’:

Senhora do Bonfim

Fechando as apresentações solo, tivemos a artista brincante Verônica Bonfim. Verônica é só sorriso do início ao fim. Ela transmite alegria enquanto respira, te inspira a sorrir também. Baiana, arretada, “luxenta”, mostrou para o que veio, cantou e encantou a todos no salão, que, como ela mesma disse, foram os fiéis que ficam até o final. Conheça o trabalho independente da cantora nas plataformas de streaming.

Fim apoteótico

Por fim, todas subiram no palco para cantarem juntas a canção “Banho de Folhas”, da baiana Luedji Luna. Uma apresentação de emocionar. Elas são fantásticas. Mulheres negras majoritariamente, mães, forças, lutas, todas com currículos de chocar a sociedade machista e racista. Certamente, é de encher de orgulho milhares de corações que acompanham seus trabalhos e são fãs. Aliás, sigam o projeto Mulher é Música nas redes sociais para saberem dos próximos eventos que trarão ainda mais beleza para os palcos. Em suma, à Juliane e Tuany, meus parabéns pelo excelente trabalho.

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