Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Cultura e Arte
  • Literatura e HQs
  • Música
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Cultura e Arte
  • Literatura e HQs
  • Música
  • Turismo
Notícias

A NFL chega ao Maracanã e revela uma das maiores hipocrisias do futebol carioca

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 27 de setembro de 2026
13 Min Leitura
Share
SHARE

O Rio ganha com a chegada da NFL, mas o entusiasmo exagerado da imprensa com o futebol americano contrasta com a resistência ao uso do Maracanã pelo Vasco. E a tentativa de barrar uma bela parceria comercial do clube torna tudo ainda mais absurdo.

Não sou fã de futebol americano. Já tentei assistir algumas partidas, procurei entender melhor as regras e até reconheço que existe uma complexidade tática interessante naquele esporte. Mas confesso que minha paciência costuma acabar muito antes de o jogo terminar. São tantas interrupções, substituições, reuniões e intervalos que, quando a partida finalmente engrena, alguém pede outro tempo. Ainda assim, fiquei satisfeito com a chegada da NFL ao Maracanã. O Rio precisa receber grandes eventos, movimentar o turismo, atrair investimentos e aproveitar melhor o potencial de um dos estádios mais conhecidos do planeta. Apesar de grande parte da mídia estar forçando uma barra para empurrar esse futebol americano para nós, brasileiros, amantes da bola redonda.

Porém, o confronto entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens é mais uma oportunidade de mostrar a capacidade da cidade de receber espetáculos internacionais.

A NFL sabe produzir um grande evento como poucas organizações esportivas.

Existe uma indústria inteira funcionando ao redor de cada partida, com experiências para os torcedores, produtos exclusivos, festas, música e uma estrutura de entretenimento que vai muito além do gramado. Quem acompanha o Super Bowl sabe que, muitas vezes, o intervalo desperta tanto interesse quanto o próprio jogo.

Aliás, talvez seja justamente esse o segredo do futebol americano, saber vender muito bem tudo aquilo que acontece enquanto a bola não está em movimento.

O que me incomoda é a maneira como parte da imprensa brasileira abraça qualquer produto cultural norte-americano, muitas vezes com um entusiasmo que beira a reverência, e a falsidade. Basta a NFL desembarcar por aqui para surgirem reportagens, transmissões especiais, comentaristas explicando as regras e uma cobertura que parece determinada a convencer o público de que estamos diante do acontecimento esportivo mais fascinante do ano. O brasileiro pode até aprender a gostar de futebol americano, mas não precisa ser tratado como alguém que ainda não descobriu uma maravilha da civilização…

Há uma diferença enorme entre divulgar um evento internacional e tentar fabricar uma paixão nacional. O futebol americano tem seus admiradores no Brasil, muitos deles bastante dedicados, mas ainda está longe de ocupar o espaço cultural do nosso futebol. Graças a Deus… E não há problema algum nisso. O curioso é perceber o esforço para tornar atraente um esporte que, para boa parte do público brasileiro, continua sendo um exercício de paciência. O sujeito passa mais tempo tentando descobrir por que o árbitro interrompeu a partida do que acompanhando uma jogada. Chato…

Reconheço que sou suspeito. Gosto de futebol, de arquibancada, de jogo corrido e daquela tensão que cresce quando o time precisa de um gol nos minutos finais. No futebol americano, mal consigo me envolver emocionalmente com uma jogada e já aparece um intervalo comercial. Parece que o esporte foi inventado para caber perfeitamente entre os anúncios de televisão. Talvez por isso tenha se transformado em um negócio tão extraordinário nos Estados Unidos e seus “valores”.

Mas uma coisa é achar o esporte chato. Outra, completamente diferente, é torcer contra sua presença no Rio. Quero que a NFL volte, que traga outros times, que atraia turistas e que o Maracanã receba cada vez mais eventos dessa dimensão. A cidade tem vocação para isso e não deveria desperdiçar oportunidades por preconceito esportivo ou rivalidade entre clubes.

Nesse contexto, uma das iniciativas que mais gostei foi a colaboração entre Vasco, NFL e Approve. A coleção conseguiu unir a identidade de um clube tradicional do futebol brasileiro à estética do futebol americano sem parecer uma simples tentativa de colocar dois escudos na mesma camisa para faturar com a novidade. As peças ficaram lindas, estilosas, atraentes, têm personalidade e representam uma aproximação comercial que faz sentido para o Vasco.

Até porque o clube tem história na modalidade. O Vasco Almirantes (antigo Patriotas) foi uma iniciativa importante para o desenvolvimento do futebol americano no Brasil e conquistou o campeonato nacional em 2014. A ligação entre a Cruz de Malta e a bola oval, portanto, não surgiu agora, por conveniência de uma campanha publicitária. Existe uma trajetória que ajuda a explicar por que essa colaboração combina tanto com o clube.

Acho interessante quando o Vasco explora possibilidades que ultrapassam o futebol tradicional. O clube tem uma identidade muito forte, uma torcida espalhada pelo Brasil e uma história que permite estabelecer conexões com diferentes públicos. A parceria com a NFL é uma dessas oportunidades, especialmente porque pode apresentar a marca vascaína a consumidores que acompanham o esporte norte-americano e talvez nem conheçam direito o futebol carioca.

O problema é que, no Rio, aparentemente nem uma coleção de roupas consegue escapar da imbecilidade de certos dirigentes…

Segundo as informações divulgadas sobre os bastidores do evento, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, presidente do Flamengo, teria entrado em contato com a direção da NFL para impedir a exposição e a comercialização dos produtos da parceria entre Vasco, NFL e Approve no Maracanã. A iniciativa também previa uma ação publicitária no estádio, mas os produtos acabaram direcionados para a loja da liga no Leblon.

BAP interfere em parceria do Vasco com a NFL e amplia desgaste entre os clubes por causa do Maracanã

A atitude é de uma pequenez impressionante. Estamos falando de um evento internacional, organizado por uma liga norte-americana, que não tem absolutamente nada a ver com a disputa esportiva entre Vasco e Flamengo. Qual seria o prejuízo para o Flamengo se um torcedor comprasse uma camisa do Vasco em colaboração com a NFL? O que exatamente mudaria para o clube rubro-negro se a Cruz de Malta aparecesse durante uma partida de futebol americano?

É difícil encontrar uma justificativa esportiva para essa interferência. A impressão é que o Maracanã precisa ser protegido até mesmo de uma estampa vascaína, como se a presença da marca de outro clube pudesse ameaçar o território de quem administra o estádio.

E a situação fica ainda mais contraditória quando lembramos que o Vasco tenta utilizar o próprio Maracanã para enfrentar o Boca Juniors na semifinal da Copa Sul-Americana. O clube encontra resistência dos administradores do estádio, justamente Flamengo e Fluminense, e busca alternativas para receber uma das partidas mais importantes do ano.

Não ignoro que existam contratos, compromissos comerciais, questões operacionais e regras para a utilização do Maracanã. Mas gostaria de entender por que parece existir tanta disposição para adaptar o estádio às necessidades de uma liga estrangeira e tamanha dificuldade para negociar sua utilização em uma semifinal continental envolvendo um clube da própria cidade.

O Maracanã pode receber uma partida da NFL, com todas as transformações necessárias para adaptar o campo, instalar estruturas e acomodar um espetáculo completamente diferente daquele para o qual foi construído. Ótimo. É assim que um equipamento estadual dessa importância deveria funcionar: recebendo eventos relevantes e gerando oportunidades para o Rio.

Mas, quando o assunto é Vasco x Boca Juniors, a conversa muda. Surgem obstáculos, impasses e uma disputa institucional que parece interminável. E, no meio disso tudo, ainda aparece a notícia de que a direção do Flamengo teria atuado para impedir que a colaboração comercial do rival tivesse espaço justamente durante o evento norte-americano.

É uma contradição difícil de engolir. O futebol americano, que ainda precisa conquistar o público brasileiro, encontra as portas do Maracanã abertas. Já uma semifinal de futebol sul-americano, envolvendo dois clubes de enorme tradição e torcidas apaixonadas, enfrenta uma batalha para definir onde será disputada.

Não estou defendendo que o Vasco abandone São Januário. Pelo contrário, gostaria muito de ver Vasco e Boca naquele estádio mágico, patrimônio brasileiro, com a atmosfera que somente uma partida desse tamanho pode proporcionar em uma arquibancada tão próxima do campo. Imaginar os argentinos chegando a São Januário, com a torcida vascaína fazendo uma festa monumental, é algo que me anima muito mais do que qualquer touchdown no Maracanã. Mas essa deveria ser uma escolha esportiva e estratégica do clube, não uma decisão imposta pelas dificuldades de utilizar outro estádio da cidade. Afinal, um Vasco x Boca no Maraca movimenta o país, a América Latina, zilhões de vezes mais do que NFL…

Também não tenho nada contra o Flamengo defender seus interesses na administração do Maracanã. O que considero lamentável é a rivalidade ultrapassar os limites do futebol e atingir até uma parceria comercial que poderia ajudar a promover o esporte, os clubes cariocas e o próprio evento da NFL.

Enquanto isso, vemos uma cobertura forçadamente empolgadíssima da bola oval, com reportagens explicando cada detalhe do espetáculo norte-americano, celebridades nas arquibancadas e comentaristas tentando nos convencer de que três horas de interrupções são uma experiência esportiva imperdível. Não duvido que o evento seja um sucesso, especialmente fora de campo. A NFL domina essa arte, e o Rio oferece um cenário perfeito para transformar uma partida em uma grande festa.

Vou continuar achando futebol americano chato, embora respeite quem goste. Vou continuar elogiando a chegada de grandes eventos internacionais e torcendo para que a cidade receba muitos outros. Também espero que a parceria entre Vasco e NFL seja um sucesso, porque é uma iniciativa criativa, tem ligação com a história do clube e merece alcançar o público para o qual foi concebida.

O que não consigo aceitar com a mesma naturalidade é essa aparente necessidade de controlar até a presença comercial do rival em um evento que nem sequer pertence ao futebol brasileiro. BAP pode defender os interesses do Flamengo, naturalmente, mas impedir a exposição de uma coleção do Vasco, caso se confirme sua intervenção, não representa qualquer conquista esportiva. Parece apenas mais um capítulo de uma rivalidade administrativa que já passou dos limites.

No fim, o Maracanã vai receber um espetáculo internacional, a NFL vai promover sua marca e o Rio terá mais um grande evento para celebrar. Só espero que, depois de toda essa festa norte-americana, a cidade também consiga encontrar espaço para uma partida de futebol que realmente mexe com a paixão de milhões de brasileiros.

Porque seria bastante irônico descobrir que é mais fácil colocar Dallas Cowboys e Baltimore Ravens no Maracanã do que permitir que o Vasco receba o Boca Juniors.

Por isso, os arredores do Maraca acordaram com protestos. Corretos e pontuais.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Coração Selvagem’: o cachorro não morre, mas emociona do mesmo jeito
Tags:Baltimore RavensBAP FlamengoDallas Cowboysfutebol americano no Brasilfutebol cariocaMaracanãMaracanã VascoNFLNFL BrasilNFL no MaracanãNFL Rio 2026vasco da gamavasco hojeVasco NFLVasco PatriotasVasco x Boca Juniors
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAlvaro Tallarico
Me Siga!
Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ com experiência em Jornalismo Esportivo. Autor dos livros "O que é Arte? Com a palavra, o artista", "A Paulistana de Ganesha", e outros.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

Esportes

Quem é Pedro Emanuel? Conheça o novo técnico do Vasco

Alvaro Tallarico
8 Min Leitura
A Preta de Greve
Cultura e ArtesLiteratura e HQNotícias

Preta de Greve e as Sete Reivindicações | Livro aborda racismo na infância

Redação
4 Min Leitura
SBT lança seu primeiro tour e leva fãs aos bastidores da televisão brasileira
NotíciasCultura e Artes

SBT lança tour inédito pelos bastidores da emissora e abre ao público espaços históricos da televisão brasileira

Alvaro Tallarico
5 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?