Tuesday, January 19, 2021

O Preço do Amor | Metáfora da alma e expressão de sentimento na Etiópia

No filme de 2015, O Preço do Amor, da diretora etíope Hermon Hailay, assistimos a busca de uma tranquilidade interna do personagem Teddy. Afinal, ele não encontra o seu lugar onde vive e muito mesmo quem é de fato. O filme apresenta uma trama universal, o amor, mas mostra como é entendido e vivido por determinadas pessoas na urbe da Etiópia.

Teddy é um rapaz órfão de mãe prostituta, que passa parte de sua vida como errante pelas ruas. Posteriormente, ganha o acolhimento de um padre que lhe dá a oportunidade de refazê-la com uma condição: que esqueça o passado. Porém, como nas narrativas têm que haver um conflito para justificar a abordagem, ele acaba se apaixonado pela prostituta Tere. Dessa forma, repete, de algum modo, a sua história.

Roteiro

Hailay conta com um roteiro e um enredo simples. Contudo, toca em assuntos muito importantes na atualidade. Ou seja, a prostituição como saída econômica e que, ao mesmo tempo, dissemina a violência contra a mulher, colocando-a como escrava sexual que é vendida para outros países como mercadoria barata. Mais uma vez a câmera cinematográfica africana, no caso a etíope, fala sobre a precariedade presente em lugares onde o que importa é conseguir meios para ter uma vida minimante digna. Nesse caso, outra vez, a mulher é colocada sob um status de submissão e como saída econômica para uma rede de tráfico sexual, mostrando para o espectador uma face do preço do amor.

Outra leitura que podemos fazer, assistindo essa película, é que “o lugar na vida” dos personagens é o da necessidade de ser amado, de ser importante para o outro, tal é o seu abandono sentimental, o que gera uma angústia e uma torcida para que Teddy e Fere encontrem um alento para suas vidas e suas emoções e, isso pode acontecer através do amor entre os dois e como “lugar de vida”.

Vou de táxi

A cumplicidade da prostituta Tere, que foi salva pelo taxista Teddy, chama atenção de quem vê. Isso porque essa cumplicidade não se dá pelas palavras, mas pelo o olhar que pode ser lido como metáfora da alma e expressão de amor.

Embora traga uma trama comum, o amor entre duas pessoas que estão à margem, o filme de Harmon Hailay deve ser visto com o olhar muito atento. Afinal, traz outras questões sociais, econômicas e políticas que o espectador pode deixar de identificar se assistir apenas como uma história de amor. O que também deve ser destacado são as cores e a trilha sonora local que desenha a atmosfera de angustia dos personagens e, porque não dizer, dos espectadores.

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