Desde sua estreia, The Pitt vem se consolidando como um dos dramas mais elogiados da televisão recente. Com narrativa tensa, ritmo controlado e uma abordagem quase documental do cotidiano hospitalar, a série da HBO Max conquistou público e crítica ao acompanhar, em tempo quase real, um plantão completo no centro de trauma de Pittsburgh.
O sucesso da produção, estrelada por Noah Wyle, não surgiu do acaso. Criada por R. Scott Gemmill, a série carrega o DNA de um dos maiores fenômenos da televisão mundial: ER (conhecido no Brasil também como Plantão Médico, que chegou a passar na Globo e no SBT). Agora, esse clássico prestes a completar três décadas ganha uma nova vida com sua chegada global à Netflix.
A partir de fevereiro, todas as 15 temporadas de ER passam a ficar disponíveis na Netflix em diversos países, incluindo Canadá, Reino Unido e Austrália. A movimentação deve impulsionar ainda mais o interesse por The Pitt, especialmente entre novos espectadores que desconhecem a origem estética, narrativa e emocional do drama médico contemporâneo.

Exibida originalmente entre 1994 e 2009, ER redefiniu a forma de contar histórias hospitalares na TV. Criada por Michael Crichton, a série combinava precisão médica, tensão constante e personagens profundamente humanos. Não por acaso, tornou-se uma das produções mais longevas e influentes da história da televisão, abrindo caminho para praticamente todos os dramas médicos que vieram depois. Eu, por exemplo, era fã e vi tanto na rede Globo, quanto na TV a cabo, onde passava no canal Sony.
Curiosamente, a gênese de The Pitt nasceu justamente da vontade de revisitar esse universo de ER.
Durante a pandemia, Noah Wyle, Gemmill e o produtor executivo John Wells discutiram a possibilidade de um spin-off centrado em Dr. John Carter, personagem icônico de Wyle em ER. A ideia não avançou por questões de direitos autorais, mas serviu como ponto de partida para a criação de algo novo.
Livre das amarras do passado, The Pitt encontrou sua própria identidade. Ambientada em Pittsburgh e centrada no Dr. Michael “Robby” Robinavitch, a série atualiza o drama médico para um mundo pós-pandemia, lidando com exaustão profissional, colapsos do sistema de saúde e dilemas éticos contemporâneos. Ainda assim, mantém o realismo cru e a narrativa intensa que tornaram ER um marco.
Esse equilíbrio entre homenagem e reinvenção explica por que muitos críticos e espectadores já tratam The Pitt como a sucessora espiritual de ER.
As duas séries compartilham a mesma espinha dorsal: urgência, humanidade e a sensação constante de que qualquer decisão pode ser fatal.
Com ER prestes a alcançar uma nova geração via Netflix e The Pitt consolidada como um dos grandes dramas atuais, o gênero médico vive um raro momento de reencontro entre passado e presente. Um ciclo que reforça como certas histórias, quando bem contadas, nunca deixam de ser relevantes.
Ah, mas ER também está disponível na HBO Max. Na Netflix Brasil ainda não há previsão.



