A nova fase do Universo DC chega a um momento importante com Supergirl, que agora está disponível na HBO Max. Depois de uma passagem pelos cinemas marcada por resultados abaixo das expectativas, o filme estrelado por Milly Alcock encontra no streaming uma segunda oportunidade e, ao mesmo tempo, reforça a presença de Kara Zor-El na construção do universo comandado por James Gunn e Peter Safran.
Lançado nos cinemas em junho, Supergirl arrecadou cerca de US$ 126,4 milhões mundialmente. O desempenho comercial ficou abaixo do esperado para uma produção desse porte. No Rotten Tomatoes, o filme registra atualmente 53% de aprovação da crítica e 72% do público.
Na HBO Max, porém, a situação ganhou outra dimensão. Segundo o levantamento do FlixPatrol citado pela imprensa especializada, Supergirl alcançou o primeiro lugar entre os filmes mais assistidos da plataforma em escala global poucos dias depois da chegada ao catálogo. O resultado não apaga o desempenho nos cinemas, mas mostra que existe interesse pelo filme e, principalmente, pela versão de Kara Zor-El interpretada por Milly Alcock.
A personagem também não será um capítulo isolado dentro do novo DCU. Alcock já está confirmada em Man of Tomorrow, continuação de Superman prevista para 2027, o que coloca a Supergirl novamente ao lado do Homem de Aço de David Corenswet.
Uma Supergirl diferente das anteriores
A chegada de Milly Alcock representa uma nova tentativa de apresentar Kara ao público em um universo cinematográfico compartilhado.
Antes dela, Sasha Calle interpretou a personagem em The Flash, lançado em 2023. A participação estava ligada ao antigo universo cinematográfico da DC, que acabou sendo encerrado com a reorganização do estúdio.
Na televisão, Melissa Benoist protagonizou Supergirl durante seis temporadas, entre 2015 e 2021, dentro do Arrowverse. A série construiu uma longa trajetória para Kara e estabeleceu uma versão bastante diferente da personagem.
A versão de Alcock parte de outra direção.
Em Superman, de 2025, a personagem apareceu brevemente e deixou claro que sua relação com o heroísmo seria diferente daquela apresentada pelo primo. Em Supergirl, essa proposta passa a ocupar o centro da história.
Kara Zor-El é apresentada como uma sobrevivente de Krypton marcada pela destruição de seu planeta. A experiência deixou consequências emocionais que ajudam a explicar uma Supergirl mais endurecida, impulsiva e distante do ideal tradicional do herói que simplesmente chega para salvar o dia.
A trama coloca Kara em uma jornada pelo espaço ao lado de Ruthye Marye Knoll, interpretada por Eve Ridley. A jovem procura vingança contra Krem das Colinas Amarelas, vivido por Matthias Schoenaerts, depois que ele assassina sua família.
O que começa como uma missão de vingança se transforma em uma jornada que coloca Kara diante de suas próprias feridas.
A inspiração em Supergirl: Woman of Tomorrow
O filme adapta elementos da HQ Supergirl: Woman of Tomorrow, escrita por Tom King e ilustrada por Bilquis Evely.
A obra é considerada uma das histórias modernas mais importantes da personagem e apresenta uma Supergirl distante da imagem mais convencional da heroína. A adaptação leva para o cinema a viagem de Kara e Ruthye por diferentes mundos, mas acrescenta elementos próprios ao Universo DC.
Entre eles está Lobo, personagem interpretado por Jason Momoa.
O caçador de recompensas intergaláctico não fazia parte da história original de Woman of Tomorrow. Sua inclusão no filme cria uma conexão adicional com o universo cósmico que a DC vem construindo.
Momoa, conhecido por interpretar Aquaman no antigo universo da DC, assume aqui um personagem completamente diferente. O ator aparece com uma caracterização que busca reproduzir a personalidade irreverente e violenta de Lobo.
Em entrevista à imprensa, Momoa contou que teve liberdade para experimentar diferentes possibilidades durante as filmagens. O diretor Craig Gillespie também destacou a disposição do ator e de Matthias Schoenaerts para testar diferentes versões de seus personagens.
Mesmo com as críticas ao filme, a interpretação de Milly Alcock aparece como um dos elementos mais elogiados.
A avaliação dos críticos no Rotten Tomatoes aponta justamente para esse contraste. A página do filme destaca o desempenho da atriz como uma das principais forças da produção, enquanto aponta que o roteiro e a execução não acompanham completamente o potencial da personagem.
Alcock consegue construir uma Kara diferente daquela associada à versão televisiva de Melissa Benoist. Existe uma combinação de raiva, humor, trauma e vulnerabilidade na personagem.
Isso é particularmente importante porque o filme tenta mostrar uma heroína que ainda está tentando entender o que significa ser Supergirl.
Ela não chega à história como uma figura completamente resolvida. Kara carrega a memória de Krypton e uma relação complicada com a própria condição de sobrevivente.
Ruthye funciona como contraponto.
A jovem começa a história movida pela vingança e encontra em Kara alguém que pode ajudá-la a entender as consequências dessa escolha. Ao mesmo tempo, Kara também é obrigada a confrontar os próprios sentimentos.
É nessa relação que o filme encontra parte de sua dimensão mais humana.
A trajetória de Kara também é importante porque Supergirl trabalha uma ideia central: até onde alguém pode ir em busca de justiça sem perder aquilo que o transforma em herói?
A questão ganha força pela relação entre Kara e Ruthye e pela presença de Krem.
A adaptação, entretanto, faz uma escolha diferente da HQ em seu desfecho. No material original, a trajetória de Ruthye está diretamente ligada à preservação de seus valores e à decisão de não transformar a vingança em uma definição de quem ela é.
O filme segue outro caminho para Kara.
Essa mudança foi um dos pontos mais discutidos por análises posteriores ao lançamento. A opção altera a leitura da jornada da personagem e deixa uma Supergirl moralmente mais ambígua.
É também uma das diferenças que mais chamam atenção quando o filme é revisto agora no streaming.
O problema do universo cósmico
Outro ponto levantado nas análises é a escala visual.
A história de Woman of Tomorrow trabalha com diferentes planetas, sociedades e paisagens. A HQ de Bilquis Evely utiliza uma identidade visual bastante marcante para transformar essa viagem em uma experiência quase fantástica.
O filme tenta reproduzir essa dimensão, mas nem sempre consegue alcançar o mesmo impacto.
Parte das críticas aponta que os mundos visitados por Kara e Ruthye poderiam ter recebido uma construção visual mais elaborada. Em determinados momentos, a aventura espacial parece menor do que a dimensão da história sugere.
Esse contraste fica mais evidente porque Supergirl chega depois de Superman, que apresentou uma Metropolis colorida e visualmente carregada dentro do novo DCU.
A comparação não é necessariamente sobre qual filme é melhor, mas sobre a diferença de linguagem entre as duas produções.
A polêmica envolvendo Lobo
Jason Momoa é uma das presenças mais chamativas do filme.
Lobo permite que Supergirl explore um lado mais irreverente do universo cósmico da DC. O personagem tem uma personalidade exagerada e violenta, características que Momoa utiliza para construir uma figura diferente de Aquaman.
Ao mesmo tempo, sua presença divide a função narrativa.
Como Lobo não faz parte da história original de Woman of Tomorrow, sua inclusão modifica o equilíbrio da trama. Parte das análises considera que o personagem acrescenta entretenimento, mas não necessariamente profundidade à jornada de Kara e Ruthye.
É uma escolha que também pode ter uma função maior dentro do DCU.
Ao apresentar Lobo em Supergirl, a DC ganha um personagem cósmico que pode ser reaproveitado em outras histórias. O futuro do personagem, porém, ainda não foi oficialmente definido.
A trilha sonora também se tornou um dos elementos mais comentados do filme.
Uma das escolhas musicais mais controversas aparece durante o confronto final, com a versão de “The Middle”, interpretada por Kelty Greye e KidMotel.
A sequência foi criticada por parte das análises por quebrar o tom emocional do confronto. A música cria uma mudança brusca de atmosfera em um momento que deveria representar a culminação da jornada de Kara e Ruthye.
A discussão também mostra uma característica do novo DCU: a música ocupa um espaço importante na construção de identidade de seus filmes.
James Gunn fez disso uma marca de seus trabalhos anteriores, especialmente na franquia Guardiões da Galáxia. Supergirl tenta trabalhar com essa mesma liberdade, mas nem todas as escolhas produziram o mesmo efeito.
É justamente nesse ponto que a chegada à HBO Max ganha importância.
O filme não precisa mais ser analisado apenas pelo desempenho das bilheterias. O streaming permite que um público que não foi aos cinemas descubra a nova versão da personagem.
Os números disponíveis também mostram uma diferença significativa entre interesse comercial e interesse pelo conteúdo.
O filme terminou sua passagem pelos cinemas com US$ 126,3 milhões mundialmente, enquanto passou a liderar as paradas globais de filmes da HBO Max segundo o levantamento do FlixPatrol citado pela ScreenRant.
Não é possível, porém, transformar a liderança em uma medida definitiva de audiência sem números oficiais da Warner Bros. Discovery. O estúdio não divulgou uma quantidade oficial de espectadores para o filme na plataforma.
Ainda assim, a repercussão indica que a personagem não perdeu espaço.
E isso é particularmente importante para Milly Alcock.
Man of Tomorrow será o próximo teste
A próxima aparição da Supergirl acontecerá em Man of Tomorrow, previsto para 2027.
O filme será a continuação de Superman e reunirá novamente David Corenswet como Clark Kent e Milly Alcock como Kara Zor-El.
A história ainda é mantida em segredo, mas a participação da Supergirl já foi confirmada. Isso significa que o destino da personagem não depende exclusivamente da recepção de seu filme solo.
A diferença pode ser importante.
Em Supergirl, Alcock precisa sustentar praticamente toda a jornada da protagonista. Em Man of Tomorrow, ela poderá funcionar dentro de uma história maior, ao lado do Superman e de outros personagens do DCU.

Essa mudança pode permitir que o público conheça uma nova faceta da personagem.
O final de Supergirl também deixa Kara em uma posição diferente daquela apresentada no início da história. A personagem passa por uma transformação e começa a assumir uma relação mais clara com seu papel como heroína.
Isso abre espaço para uma Supergirl menos errante e mais integrada ao universo compartilhado.
A chegada de Supergirl à HBO Max também permite olhar para um projeto maior.
O novo Universo DC começou a ganhar forma com O Esquadrão Suicida, de 2021. O filme apresentou personagens que depois ganharam novas histórias, principalmente o Pacificador de John Cena.
A série Pacificador aprofundou as consequências do filme e transformou o personagem em uma das peças importantes dessa primeira fase.
Em 2025, Comando das Criaturas ampliou ainda mais o projeto ao levar para a animação personagens menos conhecidos do grande público. No mesmo ano, Superman apresentou David Corenswet como o novo Homem de Aço e estabeleceu a base do universo cinematográfico atual.
A segunda temporada de Pacificador ampliou essa construção com a exploração de diferentes Terras e realidades.
Em 2026, Lanternas acrescentou Hal Jordan e John Stewart ao universo, expandindo a dimensão cósmica e espacial da DC.
Agora, Supergirl ocupa outro lugar nessa construção.
Kara não é apenas mais uma personagem apresentada ao público. Ela conecta a Terra ao espaço, Superman a outros mundos e a nova DC a uma tradição de histórias cósmicas que pode crescer nos próximos anos.
O próximo capítulo está confirmado, mas o futuro depois de Man of Tomorrow ainda não foi anunciado oficialmente.
Informações citadas pela imprensa especializada, porém, indicam que a DC Studios já trabalha com uma perspectiva de longo prazo para a personagem. O produtor executivo Lars Winther afirmou ao The Hollywood Reporter que o estúdio já sabe qual será o próximo filme da DC depois do atual planejamento e que a Supergirl terá participação importante.
Isso significa que a personagem pode continuar sendo uma peça relevante da franquia.
Também existem especulações sobre possíveis projetos como Mulher-Maravilha e Teen Titans, mas esses caminhos ainda não foram confirmados pela DC Studios.
O que está confirmado é suficiente para colocar Milly Alcock no centro da próxima etapa do universo.
Man of Tomorrow será o primeiro grande teste dessa nova Supergirl fora de seu próprio filme.
Uma heroína ainda em construção
Supergirl chega à HBO Max em um momento curioso.
O filme não conseguiu transformar sua passagem pelos cinemas em um grande sucesso comercial. Ao mesmo tempo, a disponibilidade no streaming recolocou Kara Zor-El entre os assuntos mais comentados pelos fãs da DC.
As avaliações também mostram uma recepção dividida. O filme registra 53% entre os críticos e 72% entre o público no Rotten Tomatoes.
Mas existe um ponto de convergência: Milly Alcock encontrou uma identidade própria para Kara.
A atriz recebeu uma personagem mais amarga, marcada por perdas e ainda tentando encontrar seu lugar. É uma versão diferente das Supergirls anteriores e que pode ganhar novas camadas nos próximos filmes.
A HBO Max, portanto, não representa apenas a chegada de mais um título ao catálogo.
É uma nova oportunidade para o público conhecer a personagem e para a DC observar como essa versão de Kara funciona fora da pressão de uma estreia cinematográfica.
Se Supergirl começou sua trajetória cercada por dúvidas nas bilheterias, o streaming mostra que a história pode ser mais longa do que seus primeiros números sugeriram.
E, no novo Universo DC, Kara Zor-El ainda está apenas começando a voar.
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