Pelé Eterno, Garrincha e Maradona na esquina dos ídolos

No primeiro dia do ano de 2021, lá estava, no Canal Brasil, o filme Pelé Eterno. Toda a trajetória do gênio do futebol. Realmente, fica difícil compará-lo com Maradona. Edson Arantes do Nascimento está muito acima em tantos aspectos que é um patamar inalcançável. Um guerreiro dos campos, um gênio. São tantos e tantos prêmios com tempero de carisma juntamente a uma popularidade única.

Interessante pois, logo após o filme do Pelé, veio Garrincha – A Alegria do Povo. Um filme de 1963, com produção de Luiz Carlos Barreto e Armando Nogueira, cuja restauração terminou em junho de 2006. Frases de Nelson Rodrigues surgem na tela, assim como outros tempos. As pessoas jogando futebol na praia e a bola vai parar no meio da rua. Um menino passa correndo atrás dela e não é atropelado. Proteção de Deus?

Quem além do Criador faria um homem com as pernas tortas e um talento certeiro como Garrincha?

Maraca

Futebol. Louco esporte que sucinta tamanhas paixões. Choros e rezas, vidas e mortes. Uns diriam que é o verdadeiro ópio do povo, que pouco se preocupa com outras coisas, mas vê um o jogo gritando, reclamando, pedindo melhoras para seu time, na maior indignação, enquanto o país jaz num eterno subdesenvolvimento.

Na minha adolescência e como um jovem adulto fui muitas e muitas vezes ao Maracanã. Sozinho ou acompanhado. Sentei, levantei, chorei, sorri. Comemorei. A quantidade de emoções de um torcedor é quase que indescritível, do céu ao inferno em milésimos de segundos. Com o tempo, a vida urgiu e, feliz, descobri outras coisas, como as viagens.

Em Garrincha – A Alegria do Povo é gostoso ver um Botafogo verdadeiramente glorioso, vitorioso, com um craque, um ídolo, entrando em campo e dando seus shows, com as tais linhas tortas que realizavam os dribles mais certos e desconcertantes. Os estádios lotados. Ah, sim, isso tem uma beleza. Aquela multidão hipnotizada e um camisa 7 arisco e decisivo. Garrincha guarda mais semelhanças com Maradona do que Pelé, apesar das insistências do contrário.

Mané Garrinha e Diego Maradona eram exímios dribladores que perderam batalhas para drogas. Geniais em campo, nem tanto fora dele. Afinal, seres humanos e imortais símbolos de um esporte apaixonante.

Na esquina dos ídolos, o rei Pelé eterno e seus súditos se encontram e tabelam com os corações dos torcedores. A conclusão não existe, é uma mera bola na trave.

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