A franquia Predador já viveu altos e baixos desde 1987. Vários diretores tentaram se aproximar do impacto do original estrelado por Arnold Schwarzenegger, mas poucos conseguiram chegar perto de sua força. Até que Dan Trachtenberg assumiu o comando. Depois de Prey e Predator: Killer of Killers, o cineasta retornou em 2025 com Predador: Terras Selvagens, e deixou claro que entende não apenas o personagem, mas o universo inteiro em suas possibilidades dramáticas, visuais e culturais.
O resultado é uma sequência de filmes que recuperam o espírito do primeiro longa, ao mesmo tempo em que exploram novas perspectivas, novos mundos e novas leituras do que significa ser um Yautja. Mas existe um elemento em comum que explica por que todos esses filmes funcionam tão bem: Trachtenberg sabe encerrar uma história.
O original Predador foi lembrado por décadas, entre muitos motivos, por seu clímax explosivo. A batalha final entre Dutch e o Predador se tornou uma referência de como concluir um filme de ação. Trachtenberg compreendeu essa lição.
Em Prey, a protagonista Naru transforma o ambiente e os próprios erros do inimigo em armas. A sequência final é um modelo de construção narrativa, ritmo e inventividade. Em Predator: Killer of Killers, o diretor surpreende o público ao revelar que histórias aparentemente isoladas formam, na verdade, uma grande narrativa unificada. O final amplia o universo e abre novas portas.
Mas Predator: Terras Selvagens leva essa habilidade ao limite.
Spoilers! O desfecho mais poderoso da franquia Predador?
No longa, Trachtenberg constrói uma das sequências de ação mais originais dos últimos anos, usando coreografias de combate que destacam apenas as pernas do personagem Dek em um duelo engenhoso e brutal. A cena já seria suficiente para marcar o filme, mas o diretor guarda seu golpe mais forte para o final.
Quando Dek retorna ao seu planeta para enfrentar o próprio pai, líder cruel e respeitado, a franquia atinge uma intensidade emocional inédita. O protagonista usa habilidades adquiridas no planeta mortal Genna para derrotar o pai e assumir sua posição simbólica ao tomar o canhão de ombro. Ele não apenas vence: ele redefine o que significa ser um Predador.
A conclusão funciona como catarse, como comentário cultural sobre o povo Yautja e, sobretudo, como promessa de um futuro ainda maior. Trachtenberg deixa claro que Dek tem caminho próprio e que mais histórias virão.
Em um cenário dominado por sequências que não arriscam, Trachtenberg faz o oposto: expande, dá profundidade ao universo, eleva personagens e entrega finais que justificam a experiência inteira.
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Se Predador começou como um filme sobre força e sobrevivência, os três longas recentes transformam a saga em um estudo sobre identidade, cultura, tradição e ruptura. E tudo isso funcionando dentro do melhor cinema pop de ação.
A franquia vive seu momento mais criativo em décadas. E isso não é coincidência: é resultado de um diretor que sabe que uma grande história precisa terminar ainda melhor do que começa.



