Ao longo de mais de quatro décadas, o Rock in Rio já colocou no mesmo palco nomes que fazem parte da história da música mundial. Queen, AC/DC, Guns N’ Roses, Iron Maiden, Metallica. E é justamente aí que começa uma lista de ausências que ainda chamam atenção.
O festival já recebeu algumas das maiores bandas e artistas de todos os tempos, mas existe um grupo de gigantes que, por diferentes razões, nunca tocou no Rock in Rio. Alguns continuam em atividade e poderiam transformar uma futura edição em um daqueles momentos históricos que ficam na memória do público.
E há casos especialmente curiosos. Artistas que já tocaram várias vezes no Brasil, lotaram estádios e fizeram apresentações históricas por aqui, mas nunca passaram pelo palco principal do festival.
Pensando em futuras edições, há pelo menos seis nomes que poderiam entrar no radar do Rock in Rio.
The Rolling Stones: a ausência mais difícil de explicar
Poucas bandas parecem tão compatíveis com a história do Rock in Rio quanto os Rolling Stones.
A banda já fez apresentações históricas no Brasil, incluindo o gigantesco show gratuito em Copacabana, em 2006, que entrou para a história como uma das maiores apresentações de rock já realizadas no país.
Mas existe uma curiosidade: os Stones nunca tocaram no Rock in Rio.
É uma daquelas ausências que fazem pensar no que poderia acontecer se Mick Jagger e companhia finalmente ocupassem o Palco Mundo.
A banda representa mais de seis décadas de rock, possui um repertório conhecido por diferentes gerações e já provou diversas vezes sua capacidade de transformar um show em acontecimento.
Para um festival que gosta de celebrar grandes momentos, seria difícil imaginar uma atração mais simbólica.
U2: o gigante que poderia transformar a edição
O U2 é outro nome que parece feito para uma grande edição do Rock in Rio.
Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. construíram uma das carreiras mais importantes da música popular contemporânea. A banda também tem uma relação histórica com grandes festivais e eventos de escala mundial.
Ainda assim, nunca passou pelo Rock in Rio.
Uma estreia do U2 poderia representar muito mais do que um grande show. A banda sempre carregou uma dimensão política e social em sua produção, algo que poderia acrescentar outra camada à programação do festival.
E existe também a dimensão musical. With or Without You, One, Sunday Bloody Sunday, Where the Streets Have No Name e tantos outros clássicos seriam daqueles momentos em que o público inteiro provavelmente cantaria junto.
Depois de tantos anos de Rock in Rio, seria difícil não imaginar o impacto de um eventual “U2 no Palco Mundo”.
Adele: o pop também tem uma grande ausência
Se o Rock in Rio conseguiu reunir algumas das maiores estrelas do pop mundial, ainda falta uma das vozes mais reconhecidas da música contemporânea: Adele.
A cantora britânica nunca esteve no festival e seria uma escolha particularmente interessante para uma edição que buscasse equilibrar rock, pop e grandes vozes. Imagina todo mundo cantando junto a música a seguir?
Adele possui um repertório que dispensa apresentações. Rolling in the Deep, Someone Like You, Hello e Easy on Me estão entre músicas que ultrapassaram o universo dos fãs da cantora e se transformaram em sucessos populares globais.
Seu perfil também permitiria ao Rock in Rio apresentar uma atração diferente das tradicionais bandas de rock.
Um show de Adele poderia ser justamente aquele momento mais emocional de uma edição, com um público inteiro acompanhando uma voz que se tornou uma das mais reconhecidas do século XXI.
Pearl Jam: o grunge que ainda falta
Se existe uma ausência particularmente curiosa entre as grandes bandas do grunge, é o Pearl Jam.
A banda de Eddie Vedder se tornou uma das principais representantes do movimento que explodiu no início dos anos 1990 e conseguiu sobreviver à passagem das décadas sem perder relevância.
O Rock in Rio já recebeu diferentes gerações do rock alternativo, mas uma apresentação do Pearl Jam teria um significado especial.
Alive, Jeremy, Black, Even Flow e Better Man fazem parte da memória afetiva de milhões de fãs. E Eddie Vedder possui uma relação particularmente forte com o público brasileiro.
O Pearl Jam também tem o perfil de banda que consegue funcionar tanto para quem procura nostalgia quanto para quem ainda acompanha sua produção contemporânea.
Uma estreia no Rock in Rio seria, portanto, uma maneira de colocar finalmente uma das maiores bandas do rock dos anos 1990 no palco que já recebeu tantos outros representantes daquele período.
Kiss: talvez o espetáculo mais óbvio
É difícil olhar para a história do Rock in Rio e não pensar no Kiss.
Paul Stanley, Gene Simmons e companhia construíram uma identidade visual tão forte que seus shows praticamente já nascem com cara de festival.
Maquiagem, figurinos, pirotecnia, plataformas, efeitos e clássicos como Rock and Roll All Nite, Detroit Rock City e I Was Made for Lovin’ You transformaram o Kiss em uma das bandas mais reconhecíveis da história do rock.
E existe uma ironia adicional: mesmo com toda essa vocação para o espetáculo, a banda nunca esteve no Rock in Rio.
Uma apresentação do Kiss seria uma daquelas atrações que poderiam agradar tanto ao fã de rock quanto ao público interessado em um grande espetáculo visual.
O festival já teve noites dedicadas ao heavy metal e ao rock pesado. O Kiss poderia facilmente ocupar uma dessas noites com um show pensado para grandes multidões.
The Cure: uma dívida com o rock alternativo
O The Cure representa outro tipo de ausência.
Robert Smith e sua banda construíram uma carreira que atravessou pós-punk, rock alternativo, new wave e música pop sem perder identidade. O grupo influenciou gerações e ajudou a estabelecer uma estética que ultrapassou a música.
Just Like Heaven, Friday I’m in Love, Boys Don’t Cry, Pictures of You e Lovesong fazem parte de um repertório reconhecido mesmo por quem não acompanha profundamente a banda.
Uma participação no Rock in Rio poderia representar uma aproximação maior do festival com o público que cresceu ouvindo rock alternativo e música independente.
Também seria uma oportunidade de colocar Robert Smith diante de uma multidão brasileira em um contexto diferente das tradicionais turnês da banda.
Aerosmith: uma volta que faria todo sentido
Entre todos os nomes dessa lista, o Aerosmith talvez seja aquele que mais desperta a sensação de oportunidade perdida.
A banda de Steven Tyler e Joe Perry tem uma relação histórica com o Brasil e já participou do Rock in Rio em outras edições. Mas justamente por isso existe uma questão interessante: por que não imaginar um retorno do Aerosmith ao festival?
O grupo seria capaz de conectar diferentes gerações de fãs. Quem cresceu ouvindo Dream On, Walk This Way, Sweet Emotion e I Don’t Want to Miss a Thing encontraria uma banda fundamental do rock, enquanto uma geração mais jovem poderia conhecer ao vivo um dos grandes nomes do hard rock americano.
Uma eventual volta teria ainda um peso simbólico. O Rock in Rio nasceu associado ao gigantismo dos grandes shows internacionais, e o Aerosmith representa exatamente esse tipo de atração.
Depois de tantos anos de história, uma nova passagem pelo festival poderia funcionar como reencontro entre uma banda histórica e um público que cresceu com suas músicas.
O mais interessante nessa lista é que ela reúne artistas muito diferentes.
Aerosmith representa o hard rock clássico. Rolling Stones são uma instituição do rock. U2 acrescentaria dimensão política e grandiosidade. Adele levaria uma das maiores vozes do pop contemporâneo. Pearl Jam preencheria uma lacuna importante do grunge. Kiss entregaria espetáculo em sua forma mais clássica. E The Cure representaria uma vertente fundamental do rock alternativo.
Alguns desses nomes são mais viáveis que outros. Alguns dependem de agendas, turnês e decisões artísticas. Outros podem ter limitações naturais impostas pelo tempo.
Mas é justamente aí que entra a graça de imaginar futuras edições.
O Rock in Rio já provou várias vezes que consegue transformar uma contratação improvável em acontecimento. O desafio para o futuro talvez seja justamente olhar para os artistas que ainda não passaram por seu palco e perguntar:
Quem seria capaz de fazer história na Cidade do Rock pela primeira vez?
Se depender da lista de gigantes que ainda estão ausentes, opções não faltam.
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