O underground não pede passagem. Ele invade. E foi exatamente assim que a etapa carioca das Seletivas Porão do Rock 2026 tomou de assalto o Circo Voador na última sexta-feira (1º). Suor. Distorção. Dez bandas, com 15 minutos cronometrados cada, entrando na lona para provar que não estavam ali à toa, disputando a unhas e dentes uma vaga para o festival em Brasília.
Aqui não tem filtro. Quem atravessa uma noite dessas chega no Porão do Rock já testado; quem não, fica pelo caminho. Se você entende, você cola. Se não entende, talvez nem aguente ficar até o final.
O triunfo da Trama para o Porão do Rock
A disputa foi acirrada e mostrou a diversidade da cena independente do Rio de Janeiro. Subiram ao palco: Emet, Ereboros, Fire In The Park, Herança Negra, Pic-Nic, Playmoboys, Primadama, Silvertape, Sound Bullet e Trama.
Quem levou a melhor e cravou seu nome no line-up do Porão do Rock foi a Trama. A banda conquistou os jurados e o público com um funk-rock de altíssima qualidade, encorpado por um soul vibrante e, acima de tudo, uma visão social-racial afiada. Uma vitória incontestável.

Trampa: 20 anos de fúria e resistência
Para abrir os shows de encerramento, o palco foi dominado pela brasiliense Trampa. Comemorando 20 anos de estrada, o quinteto entregou um rock pesado radiofônico que dominaria fácil o dial carioca.
Mas a carga política do show foi o que realmente pulsou. A banda não poupou munição em Fogo, com fúria direcionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As homenagens e protestos se costuraram de forma visceral: Te Presenteio Com a Fúria ganhou um trecho de Cálice (Milton Nascimento e Chico Buarque); Haiti explodiu com o cover de Killing In The Name (Rage Against the Machine); e ainda sobrou espaço para a densa Deus Lhe Pague.
O encerramento com Piedade deixou a lona devidamente aquecida.

O caos catártico do Matanza Ritual
E então, o Matanza Ritual assumiu a linha de frente para reger o caos. A apresentação foi a catarse de sempre, transformando a pista do Circo Voador em uma imensa roda de pogo que abria e fechava ao comando das guitarras.
No controle, Jimmy London segue sendo um dos maiores showmen do país. A interação com o público beira o folclórico: recebidos pelos gritos “carinhosos” da plateia, os músicos desfilaram um countrycore de altíssima qualidade.
Quando os riffs de Pé na Porta e Soco na Cara e A Arte do Insulto rasgaram as caixas de som, a lona quase veio abaixo.
A agressividade divertida e contagiante tomou conta da noite, com o público berrando a plenos pulmões hinos desajustados e etílicos como O Chamado do Bar, Bom é Quando Faz Mal e O Clube dos Canalhas.
Misturando essas pedradas clássicas com sons do disco novo, a banda segurou a energia da pista no limite máximo até o encerramento explosivo com Interceptor V6.
Foi a confirmação definitiva de que o Matanza Ritual mantém intacto o título de uma das experiências mais viscerais da música nacional.
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