A conquista do tetracampeonato mundial não começa na final contra a Itália — começa muito antes, sob desconfiança, pressão e um ambiente de cobrança que poucos registros oficiais conseguiram capturar. É justamente esse Brasil menos heroico e mais humano que ganha protagonismo em Tetra: Acreditar de Novo, novo documentário da Netflix, que estreia em 7 de maio.
A produção revisita a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994 a partir de um material raro: imagens gravadas pelos próprios jogadores durante a competição. O resultado é um retrato íntimo e pouco filtrado de um dos momentos mais marcantes do futebol brasileiro — e também um dos mais tensionados.
Diferente de documentários tradicionais, que se apoiam majoritariamente em arquivos oficiais, Tetra: Acreditar de Novo constrói sua narrativa a partir de registros pessoais. O goleiro Gilmar Rinaldi filmou treinos e momentos de convivência do elenco em fitas cassete, enquanto o lateral Jorginho acumulou mais de seis horas de imagens do cotidiano da equipe.
Essas gravações revelam um grupo sob pressão constante, ainda marcado pelo fracasso na Copa de 1990 e pela classificação dramática nas Eliminatórias. Longe da narrativa triunfal que se consolidou ao longo dos anos, o documentário mostra uma seleção que chegou aos Estados Unidos cercada por dúvidas — internas e externas.
O filme também aposta em depoimentos diretos dos protagonistas daquela campanha. Nomes como Romário, Bebeto, Dunga, Raí, Zinho e Branco ajudam a reconstruir a trajetória de um time que precisou se afirmar jogo a jogo.
A narrativa destaca o papel da liderança de Dunga, frequentemente questionada à época, e a eficiência decisiva da dupla Romário e Bebeto, que assumiu o protagonismo ofensivo da equipe. Mais do que exaltar o talento individual, o documentário enfatiza o trabalho coletivo como elemento central para a conquista.
Do lado italiano, adversários como Gianluca Pagliuca e Demetrio Albertini também participam, ampliando a visão sobre a final e o contexto da competição.
Um retrato mais humano do futebol brasileiro
Dirigido por Luis Ara, o documentário se afasta do tom épico tradicional para investir em uma abordagem mais observacional. O foco está menos nos lances históricos e mais nos bastidores: conversas, tensões, rotinas e a construção emocional de um grupo que precisou lidar com a desconfiança antes de alcançar o título.
Essa escolha narrativa reposiciona o tetra como um processo — não apenas como um resultado. A conquista de 1994, que encerrou um jejum de 24 anos sem títulos mundiais desde 1970, aparece aqui como um ponto de virada não só esportivo, mas também simbólico para o futebol brasileiro.
Ao reunir imagens inéditas e depoimentos diretos, Tetra: Acreditar de Novo reforça uma leitura menos romantizada daquela campanha. Mostra um time pressionado, criticado e, ao mesmo tempo, resiliente.
Em um cenário em que o futebol costuma ser contado a partir dos heróis e dos gols, o documentário propõe outra perspectiva: a de que grandes conquistas também nascem da dúvida, da tensão e da necessidade de afirmação.
Quando e onde assistir
Tetra: Acreditar de Novo estreia em 7 de maio no catálogo da Netflix, com acesso disponível para assinantes da plataforma.
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!



