Wednesday, September 22, 2021

Volta ao Mundo: Espanha | Petra Belas Artes À La Carte apresenta 12 filmes

Em parceria com o Escritório Cultural da Embaixada da Espanha no Brasil, que há mais de 10 anos apoia iniciativas culturais no país, chega ao À La Carte o Festival “Volta ao Mundo: Espanha”, de 3 a 16 de junho, com 12 filmes que vão desde grandes clássicos a cults modernos e inéditos nos cinemas brasileiros, além de premiadas coproduções com outros países, como Argentina, França e Itália.

A Espanha, que é dona de uma das mais ricas cinematografias do mundo, com grandes diretores, atores e atrizes, há décadas vem encantando plateias internacionalmente, desde o boom da sua produção, nos anos 50.

Para representar parte desta magnífica trajetória, o festival reuniu uma dúzia de obras-primas, anunciadas aqui em ordem cronológica: “Bem-vindo Senhor Marshall” (1953), de Luis García Berlanga; “Viridiana” (1961), de Luis Buñuel; “O Espírito da Colmeia” (1973), de Víctor Erice; “Cría Cuervos” (1976), de Carlos Saura; “Vacas” (1992), de Julio Medem; “A Língua das Mariposas” (1999), de José Luis Cuerda; “Joana, a Louca” (2001), de Vicente Aranda; “Pelos Meus Olhos” (2003), de Icíar Bollaín; “O Segredo dos Seus Olhos” (2009), de Juan José Campanella; “Viver é Fácil com os Olhos Fechados” (2013), de David Trueba; “Maria (e os outros)” (2016), de Nely Reguera; e “Saura(s)” (2017), de Félix Viscarret.

Sobre cada filme:

– “Bem-vindo Senhor Marshall”: eleito o quinto melhor filme espanhol por profissionais do cinema e pela crítica especializada, em 1996, no centenário do cinema espanhol. O filme foi apresentado no Festival de Cannes 1953, de onde saiu consagrado com o Prêmio Internacional (de melhor comédia) e Menção Especial para o roteiro coescrito pelo diretor Luis García Berlanga, com Juan Antonio Bardem e Miguel Mihura. Para promover o filme em Cannes, a produtora teve a sensacional ideia de distribuir notas de 1 dólar com as imagens dos atores protagonistas José Isbert e Lolita Sevilla no lugar de George Washington.

–“Viridiana”: grande vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, acabou sendo amplamente proibido na Espanha, sob a acusação de blasfêmia, um escândalo que só contribuiu para aumentar a fama internacional do filme e do diretor Luis Buñuel. Na ocasião de seu lançamento nos Estados Unidos, entre as frases de imprensa destacadas no trailer, uma delas, creditada ao N. Y. News, dizia: “Uma orgia que faz a orgia de ‘A Doce Vida’ parecer um piquenique de família”.

–“O Espírito da Colmeia”: sua filmagem teve exatamente 1000 tomadas no total, sendo que exatamente 500 delas entraram para a montagem final. Segundo o diretor Víctor Erice, a atriz Ana Torrent, que tinha 6 anos na época da filmagem, acreditava que Frankenstein existia de verdade, e a primeira vez que viu o ator maquiado para interpretar o monstro, ficou completamente apavorada e depois perguntou por que ele havia matado a garotinha (no filme “Frankenstein”, de 1931), mas o ator não sabia o que responder.

–“Cría Cuervos”: vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Para o título original do filme, o diretor Carlos Saura se inspirou num ditado espanhol que diz “crie corvos e eles arrancarão seus olhos”, que no Brasil seria equivalente a “você colhe o que você planta”. A canção “Porque te vas”, na voz da cantora Jeanette, tocada em uma vitrola de vinil numa cena antológica do filme, se tornou hit internacional.

–“Vacas”: primeiro longa-metragem de Julio Medem, realizador dos aclamadíssimos “Os Amantes do Círculo Polar” (1998) e “Lúcia e o Sexo” (2001). Com este filme Medem ganhou o Prêmio Goya, o mais importante do cinema espanhol, na categoria de Melhor Diretor Estreante. “Vacas” tem como protagonista Emma Suéres, atriz que deu vida à personagem Julieta no filme homônimo de Pedro Almodóvar, e conta ainda com participação de Ana Torrent, atriz que encantou a todos quando criança pela sua expressiva atuação nos clássicos “O Espírito da Colmeia” e “Cría Cuervos”.

–“A Língua das Mariposas”: seu roteiro foi baseado em três contos de Manuel Rivas, “La Lengua de las Mariposas”, “Carmiña” e “Un Saxo na Néboa”. O diretor José Luis Cuerda (1947–2020) foi produtor de vários filmes de sucesso, entre eles “Morte ao Vivo” e “Os Outros”, ambos dirigidos por seu amigo Alejandro Amenábar, que é também compositor e assinou a trilha musical de “A Língua das Mariposas”.

–“Joana, a Louca”: coprodução espanhola com Itália, França e Portugal, vencedora de três prêmios Goya, o mais importante do cinema espanhol, nas categorias de Melhor Atriz (Pilar López de Ayala), Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Penteados. Com produção estimada em quase 5 milhões de euros, o filme foi escolhido para representar a Espanha no Oscar 2002 de Melhor Filme Estrangeiro. Este filme permaneceu inédito nos cinemas brasileiros, apesar do diretor Vicente Aranda ter se tornado bastante famoso por aqui, principalmente pelo tórrido “Os Amantes” (1991), estrelado por Victoria Abril, que lotava salas na época da estreia.

–“Pelos Meus Olhos”: baseado no curta-metragem “Amores que Matan” (2000), da mesma diretora, Icíar Bollaín, o longa manteve Luis Tosar em seu papel, enquanto Elisabeth Gelabert fez um papel menor, como amiga da nova atriz principal, Laia Marull. O filme ganhou o prêmio Goya de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Direção, Melhor Ator (Luis Tosar), Melhor Atriz (Laia Marull), Melhor Atriz Coadjuvante (Candela Peña) e Melhor Som.

–“O Segredo dos Seus Olhos”: coprodução entre Espanha e Argentina, grande vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro (para a Argentina). Esta foi a quarta e mais bem-sucedida parceria entre o astro Ricardo Darín e o diretor Juan José Campanela, ambos argentinos, após terem realizado juntos os belíssimos “O Mesmo Amor, A Mesma Chuva” (1999), “O Filho da Noiva” (2001) e “Clube da Lua” (2004).

–“Viver é Fácil Com os Olhos Fechados”: longa escolhido para representar a Espanha no Oscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro. O filme foi vencedor de 6 prêmios Goya, o mais importante do cinema espanhol: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Ator (Javier Cámara), Melhor Atriz Revelação (Natalia de Molina) e Melhor Música Original (Pat Metheny). O diretor e roteirista David Trueba é autor do premiado roteiro de “Os piores Anos de Nossas Vidas” (1994), uma comédia de grande sucesso internacional, lançada em amplo circuito nos cinemas brasileiros.

–“Maria (e os outros)”: inédito nos cinemas brasileiros e indicado ao prêmio Goya, o mais importante do cinema espanhol, nas categorias de Melhor Direção e Melhor Atriz (Bárbara Lenine), este é o primeiro longa da diretora Nely Reguera, que foi assistente de direção de “Perfume: A História de um Assassino”, de Tom Tykwer, adaptado do best-seller de Patrick Süskind. A atriz espanhola Bárbara Lennie, que interpreta o papel-título, também foi protagonista de “Uma Espécie de Família” (2017), filme com coprodução brasileira.

–“Saura(s)”: indicado ao prêmio Goya, o mais importante do cinema espanhol, na categoria de Melhor Documentário, este filme permanece inédito nos cinemas brasileiros. O diretor Felix Viscarret presta uma belíssima homenagem a Carlos Saura, que sempre será lembrado como um dos maiores cineastas espanhóis de todos os tempos. Ele é autor de obras-primas como “Cría Cuervos” (1976), “Bodas de Sangue” (1981) e “Carmen” (1983), premiado no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

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