Monday, November 28, 2022

Crítica | ‘Wakanda para Sempre’ traz homenagem e discute guerras

Pantera Negra: Wakanda para Sempre tinha como seu primeiro desafio lidar, com o devido respeito, com a morte de Chadwick Boseman. E o diretor Ryan Coogler acerta fazendo um paralelo com o que aconteceu na vida real. Para quem não sabe o ator gravou o primeiro filme já ciente de sua situação, mas não havia se manifestado publicamente sobre. Era um papel que ele julgava importante e cumpriu com perfeição mesmo com as dificuldades trazidas pela doença.

E no longa é assim que o rei T’Challa parte, vitimado por uma doença não revelada e que a irmã, Shuri (Letitia Wright), não consegue descobrir a cura a tempo. E assim o filme entrega uma bonita homenagem e consegue criar um roteiro interessante que irá se mesclar com a revelação do povo de Talokan. Mas mesmo que no todo Wakanda para Sempre funcione, também tem muitos defeitos gritantes. Dentre eles, uma protagonista que não tem a mesma força de Chadwick em relação a atuação, e o problema com os efeitos visuais que já estão comuns nas produções Marvel.

O fardo de Shuri

Agora ela é a protagonista e o roteiro entrega uma excelente trama para ela. Shuri não consegue lidar com o fato de não ter sido capaz de salvar o irmão e ainda tem que encarar uma forte pressão política. A França e os EUA estão atrás de Vibranium, enquanto um tenta roubar sem sucesso, o outro consegue uma forma de detectar o metal, e acha no oceano Atlântico. Isso coloca o povo de Namor (Tenoch Huerta) em risco e ele vai exigir que Wakanda o ajude a resolver esse problema.

Junto com sua mãe Ramonda (Angela Bassett), Shuri terá que tomar decisões que vão afetar a relação de sua nação com o mundo e com Talokan. Da personagem leve e descontraída de antes agora ela passa a alguém com raiva e que pode tomar decisões erradas e perigosas a qualquer momento. Esse é realmente um ponto muito bom do filme, mas Letitia Wright não segura tão bem todo esse peso em sua atuação. Todos os outros atores lidam muito melhor com seus papéis e brilham mais que ela. Mesmo a Lupita Nyong’o que aparece pouco se sobressai mais, e em determinado momento faz a gente torcer para uma reviravolta que a beneficie.

O rei de Talokan

Namor é um baita antagonista, daqueles que nos traz uma aproximação, ainda mais por sermos latinos e entendermos o sofrimento que povos colonizados passaram (nem todos, eu sei). Seu povo quando entra em guerra parece uma força imparável, basicamente eles vencem todas as lutas. Eles usam o Vibranium mas, diferente dos wakandianos, não criaram tecnologia a partir dele para batalhas. Usam lanças normais e se vestem como os astecas, sem armaduras, apenas adereços feitos do metal e da planta que surge com ele.

Se nos quadrinhos o personagem era uma piada por usar sunga e ter asinhas nos pés, no filme essa mudança para uma origem asteca fez muito bem. E mesmo com os efeitos visuais problemáticos, deram uma atenção para o Namor, suas cenas de luta são empolgantes. Tenoch Huerta tem toda a presença imponente que o personagem pede e é uma grande adição ao universo cinematográfico da Marvel.

A beleza perdida em borrões

Já sabemos o quanto Wakanda é bela, mas aqui ela e outros cenários são escondidos por irritantes desfoques. Tem sido comum vermos aquele desfoque radial em diversos filmes, um efeito que deixa a cena extremamente feia e não serve de nada além de mostrar certa incompetência em lidar com cenas simples. Além desse temos borrões em cenas de luta e em cenários, para dar aquela “facilitada” em um trabalho que tem sido feito às pressas.

Talokan também acaba sendo problemática. Sabemos que o fundo do mar é escuro pela falta de luz do Sol, mas em um filme de fantasia que mostra uma cidade embaixo d’água pode se dar ao luxo de trazer mais claridade a ela. E não é que não exista nenhuma fonte de luz lá, Namor se exibe mostrando o Sol artificial que criou para seu povo, e ainda assim a cidade é tão escura que pouco podemos ver de seus detalhes.

E o que fica para o futuro Marvel?

Para quem está cansado de filmes e séries que mexem com multiversos, planetas ou poderes além da nossa compreensão, esse filme é um respiro. Aqui a trama é totalmente política e abre caminho para movimentar personagens mais “humanos” como os Thunderbolts. O futuro de Wakanda e Talokan é muito incerto o que garante a possibilidade de trazer boas tramas no futuro.

De forma mais independente, personagens queridos tiveram suas evoluções. Okoye agora pode até ter série própria, e certamente ela sai desse filme mais amada do que já era. M’Baku cresce na trama e com seu final pede mais participação, o Winston Duke merece. Riri Williams já chega com muito carisma e apesar de não ter uma direção definida, deve atrair público para suas produções solo. Shuri pode ter um caminho diferente de T’Challa e se manter interessane. Somente Nakia fica em uma situação em que pode ou não aparecer com regularidade futuramente, seria uma perda compreensível dado o nível da Lupita.

Para entregar tanta coisa enquanto tenta ser emocionante, Wakanda para Sempre acaba sendo um filme mais longo do que deveria. Cansa, mas entrega algo muito melhor que os últimos filmes da Marvel.

O filme estreia hoje nos cinemas. Fique com o trailer:

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