Friday, November 27, 2020

Tel Aviv em Chamas | Metalinguagem sobre os muros de Jerusalém

Tel Aviv em Chamas aposta na metalinguagem para falar sobre os muros de Jerusalém. O filme conta a história de Salam Abbass (Kais Nashif), um recém-contratado assistente de roteiro. Seu trabalho é checar as palavras em hebraico e auxiliar a atriz protagonista, que é francesa, com sua pronúncia.

A produção da série, homônima ao título do filme, é situada em Ramala, mas Salam é morador de Jerusalém. Todos os dias, ele precisa passar por um posto de controle oficial de Israel. Em uma de suas passagens, fica detido pelo oficial Assi Tzur (Yaniv Biton) que reescreve passagens do roteiro da série. Encantados com a novidade, os roteiristas principais promovem Salem a escritor. O único problema? Salam nunca escreveu um roteiro na vida.

Suas tentativas de escrever, seu relacionamento fracassado, sua proximidade com a protagonista da série e sua inusitada amizade com um oficial israelense geram uma trama meio cômica, meio dramática, que prende os espectadores.

Jerusalém e os muros que a dividem

O filme toca em diversos pontos importantes da realidade palestina e israelense, mas sem muita profundidade. As críticas sobre o acordo de Oslo, o sionismo, a violência israelense contra jovens palestinos, a presença de um muro que divide uma cidade são feitas num minuto e descartadas no outro, tal qual a roteirista feminista e pró-palestina que perde o emprego para Salam ser promovido.

Não é preciso drama para aprofundar o diálogo sobre as questões cotidianas da Palestina, mas é impossível romantizar a posição israelense. Como o próprio filme deixa explícito: os muros existem, os conflitos também e ignorá-los não os fazem desaparecer. Afinal, os diálogos governamentais ajudam, mas não resolvem a situação. Os muros não precisam ser o foco de tudo, mas as ações para que ele não exista precisam ser tomadas. Talvez uma novela que conte a história de como ele foi construído pode ensinar as novas gerações de palestinos e israelenses o porquê ele nunca deveria ter existido.  No fim, talvez as histórias de ficção sejam o elo que conecte pessoas de diferentes lados.

*Carolina Caldas viu ‘Tel Aviv Em Chamas’ em cabine fechada para imprensa, pelo Vivente Andante, no dia 12 de março. O convite foi feito pela Pandora Filmes. O filme estrearia em 19 de março de 2020, mas foi adiado devido ao COVID-19.

Afinal, veja o trailer:

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