Dirigido por Yu Yang, Ne Zha 2: O Renascer da Alma é grandioso em sua estética e ambição, mas se perde ao tentar dar rumo orgânico a uma narrativa densa.
Inspirado na mitologia chinesa e nas tradições budistas e taoistas, o primeiro Ne Zha (2019, Yu Yang) surpreendeu pela força de seu arco dramático: a história de uma criança amaldiçoada que, mesmo rejeitada pelo vilarejo, buscava ser um herói. Sua abordagem íntima sobre destino, família e escolhas pelo bem, conquistou público e crítica, abrindo caminho para uma aguardada sequência. O que poucos imaginavam é que Ne Zha 2: O Renascer da Alma se tornaria o fenômeno global que se tornou.
Lançado na China em janeiro de 2025, o filme arrecadou mais de 2,2 bilhões de dólares, tornando-se a maior animação de todos os tempos e o primeiro título não hollywoodiano a entrar no ranking das cinco maiores bilheteiras da história. Agora, seis meses depois, mesmo que o original nunca tenha sido exibido em circuito comercial, a grandiosa produção estreia no Brasil, por distribuição da A2 Filmes.

Cena de Ne Zha 2- Divulgação A2 FIlmes
Dando continuidade direta à história de Ne Zha e Ao Bing, a sequência expande seu universo de forma espetacular. Se o primeiro filme era mais contido e acessível, aqui o escopo é tão vasto que pode soar excessivo, incluindo deuses, dragões, civilizações gigantescas, arcos de redenção de vilões, vilões surpresa, entre tantas outras questões que apesar de já termos presenciado anteriormente em diferentes produções, ao se somar tudo de uma vez, se torna pesado demais, sobretudo para o público jovem, já que a classificação indicativa para maiores de 14 anos impede crianças de assistirem à produção.
Ao longo de 2h20, somos apresentados planos deslumbrantes, especialmente quando Yu Yang explora a riqueza da mitologia e dos símbolos chineses, trazendo um senso lúdico em diversos momentos, contudo, o ritmo irregular de sua história, e a abundância de arcos e estímulos lembra mais o excesso épico de animes como Demon Slayer: Castelo Infinito (2025, Haruo Sotozaki) do que a delicadeza contemplativa de um Miyazaki, resultando em uma obra impressionante, e potencialmente dramática, mas difícil de acompanhar na medida que a cada 20 minutos, é inaugurado um novo arco e um novo rumo narrativo, levando a um excesso de exposição e piadas estendidas, quando alguns pequenos cortes ocasionariam maior fluidez, sem a perda do impacto.
Apesar disso, a impressionante estética compensa: a animação 3D, embora tradicional na forma, tem personalidade e cuidado raros, superando em vitalidade muitos trabalhos recentes da Disney e Pixar, trazendo um requinte visível desde a composição de cores, em maior e menor escala, até pequenos detalhes de luz e sombra nos personagens, formando um espetáculo que em certos momentos temos desejo de colar a imagem na parede.

Cena de Ne Zha 2- Divulgação A2 FIlmes
No fim, Ne Zha 2 é ao mesmo tempo fascinante e exaustivo. Seu drama é potente e aborda temas como herança, racismo e família, mas a densidade da narrativa pesa para o público tradicional. A promessa de uma trilogia épica está estabelecida, embora talvez o caminho mais sábio seja o retorno à intimidade que deu força ao primeiro filme, e não aumentar a grandiosidade que quase chega no limite do estímulo em certos momentos.
Distribuído nacionalmente pela A2 Filmes, Ne Zha 2: O Renascer da Alma estreia exclusivamente nos cinemas brasileiros em 25 de setembro, em versões dubladas e legendadas, 2D e 3D.
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