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Sydney Sweeney em cena de "A Empregada"- Divulgação Paris Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘A Empregada’ é tão fiel que perde a identidade de cinema

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 22 de dezembro de 2025
6 Min Leitura
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Sydney Sweeney em cena de "A Empregada"- Divulgação Paris Filmes
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Dirigido por Paul Feig, A Empregada adapta seu material original com fidelidade, mas perde a chance de se transformar em uma obra verdadeiramente cinematográfica.

Lançado em 2023, o livro A Empregada, de Freida McFadden, reúne todos os elementos clássicos para se tornar um fenômeno entre o público jovem adulto, algo rapidamente confirmado pelo entusiasmo da comunidade do TikTok, combinando triângulos amorosos, mistério, personagens moralmente ambíguos e reviravoltas impactantes em uma estrutura simples, fluida e de leitura rápida.

Com três sequências publicadas e um sucesso estrondoso, a adaptação para o cinema era inevitável. A escolha de Paul Feig parecia promissora, especialmente por seu trabalho em Um Pequeno Favor (2018), filme que também explorava intrigas domésticas e jogos de aparências com mais estilização e ironia. Em A Empregada, no entanto, o diretor adota uma abordagem mais contida e literal, sinalizando desde o começo da produção que algo está errado, conduzindo o espectador por uma sucessão de pistas até a reviravolta central, porém, sem permitir que essa tensão amadureça plenamente.

Amanda Seyfried e Sydney Sweeney em cena de "A Empregada"- Divulgação Paris Filmes

Amanda Seyfried e Sydney Sweeney em cena de “A Empregada”- Divulgação Paris Filmes

A história acompanha Millie, Sydney Sweeney, uma jovem marcada por um passado conturbado que vê na oportunidade de trabalhar como empregada doméstica para Nina, Amanda Seyfried, e Andrew Winchester, Brandon Sklenar, a chance de recomeçar. À medida que comportamentos estranhos emergem dentro da casa, Millie percebe que aquele ambiente pode ser muito mais perigoso do que aparenta.

Como adaptação, o filme é extremamente fiel ao livro, realizando pouquíssimas alterações. A mais significativa é a redução do papel de Enzo, figura importante como apoio moral na obra original, apagado aqui para concentrar o foco no trio principal. O clímax, embora mais “cinematográfico” em sua encenação, mantém o mesmo desfecho do livro, somente acrescentando uma maior sequência de ação, mas nada dramaticamente relevante.

O roteiro de Rebecca Sonnenshine replica as pistas narrativas da obra literária, e acrescenta novas como a escada e a louça chinesa, contudo, o cinema, por sua natureza visual, antecipa rapidamente a sensação de que algo está fora do lugar, e conflitos essenciais entre Nina e Millie, fundamentais para o embate psicológico de A Empregada, surgem aqui de forma apressada e menos impactante do que na literatura.

No elenco, Amanda Seyfried se destaca. Sua Nina transita com precisão entre a loucura e a aparente sanidade, dominando a narrativa e ofuscando tanto Sydney Sweeney, que soa como uma extensão de papéis anteriores, quanto Brandon Sklenar. Ainda assim, a personagem perde força em relação à versão literária, que constrói uma figura inicialmente desprezível, mas capaz de despertar empatia ao longo da trama, e aqui é vista como antipática, para ter rapidamente um arco de redenção.

Essa superficialidade se estende ao clímax. Embora as interações sejam fiéis ao texto original, a rapidez com que são apresentadas impede que o espectador absorva plenamente o peso emocional dos acontecimentos. O resultado é um conflito funcional, porém plástico, muito distante do cuidado observado em Um Pequeno Favor, que concedia tempo para o desconforto se instaurar.

Brandon Sklenar e Amanda Seyfried em cena de "A Empregada"- Divulgação Paris Filmes

Brandon Sklenar e Amanda Seyfried em cena de “A Empregada”- Divulgação Paris Filmes

Apesar de encontrar soluções criativas para substituir os monólogos internos do livro, o filme sofre com a ausência de desenvolvimento em momentos-chave, como a manipulação de Nina sobre Andrew e a questão da gravidez. A direção de Feig assume um tom excessivamente didático, subestimando a capacidade do público de decifrar o mistério por conta própria, tirando o peso da reviravolta tão marcante no livro, e um sentimento plástico que só é reforçado por uma trilha sonora repleta de hits pop que dita emoções em vez de sugeri-las, principalmente nos momentos que abordava o “triângulo amoroso” e uma erótica cena no hotel, que não é tão forte quanto a equipe pretendia.

Ao final, A Empregada é uma adaptação competente e fiel, capaz de agradar tanto leitores quanto novos espectadores. No entanto, ao se limitar a reproduzir os mesmos beats da obra original, sem explorar as possibilidades únicas do cinema, o filme abdica de sua chance de se destacar como algo realmente singular.

Distribuído pela Paris Filmes, A Empregada estreia oficialmente nos cinemas brasileiros em 1º de janeiro de 2026, após algumas sessões antecipadas.

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Tags:A EmpregadaAmanda SeyfriedCinemacríticaCritica A EmpregadaFreida McFaddenparis filmesPaul FeigSydney SweeneyUm Pequeno Favor
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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