Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Maitê Padilha e Pedro David em cena de "A Miss"- Divulgação Olhar Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘A Miss’ transforma exagero em alma e encontra beleza onde menos se espera

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 31 de janeiro de 2026
6 Min Leitura
Share
Maitê Padilha e Pedro David em cena de "A Miss"- Divulgação Olhar Filmes
SHARE

Dirigido por Daniel Porto, A Miss se fortalece no exagero para contar uma história simples, mas potente e divertida

As discussões sobre gênero mudam constantemente ao longo dos anos. Uma produção como Quanto Mais Quente Melhor (1959, Billy Wilder) dialogava com os temas e as tensões do fim dos anos 1950. Se fosse lançado hoje, no entanto, seus objetivos, seus temas e a própria abordagem narrativa seriam inevitavelmente lidos de outra forma, porque o olhar social também mudou. É justamente nesse terreno que A Miss entra: para mostrar como, quando trabalhadas com respeito, essas discussões podem atravessar o tempo sem perder relevância.

A trama acompanha Iêda, Helga Nemetik, uma ex-miss que sonha ver a filha seguir a tradição da família. Apesar de Martha, Maitê Padilha, não se animar com a ideia, seu filho Alan, Pedro David, tem talento, interesse e vontade de trazer orgulho para a mãe; por isso, decide entrar no concurso no lugar da irmã. A escolha vira a dinâmica familiar do avesso e obriga Iêda a encarar o próprio papel como mãe.

Acima de tudo, A Miss é uma produção que se sustenta no exagero: nas reações dos personagens, nos figurinos, na paleta de cores e em um texto que abraça o pastiche e o absurdo. A fotografia é nitidamente amadora, embora corajosa em diversos instantes. Ainda assim, como primeira direção de Daniel Porto, o longa entrega algo que produções com orçamentos maiores e equipes mais experientes muitas vezes não conseguem oferecer: alma.

Cena de "A Miss"- Divulgação Olhar Filmes

Cena de “A Miss”- Divulgação Olhar Filmes

A verdadeira protagonista de A Miss não é a filha que se recusa a competir, nem o filho que decide entrar em seu lugar, e sim Iêda. A ex-miss repete costumes e tradições herdados da própria mãe como uma forma de se aproximar dela e, assim, lidar com o próprio luto. Sem perceber, porém, o quanto isso pesa sobre os filhos. Apesar de prazeroso ver um “azarão” se erguer no fim, o coração do filme está em outra parte: na dinâmica familiar, seja a de sangue, seja a encontrada, e o concurso de beleza em si é o que menos importa dentro deste contexto.

Com uma pegada quase teatral, o filme aposta em trocas rápidas de diálogo e em situações absurdas, lembrando o ritmo de algumas comédias populares recentes. Entre uma virada e outra, a narrativa encontra momentos de drama e reflexão que funcionam bem. Quando escorrega, costuma ser por insistir em flashbacks expositivos demais, que explicam mais do que revelam. Ainda assim, Porto sabe “pesar a mão” quando quer, como na lavagem de roupa suja que Iêda faz com os filhos logo no início, ou no atrito que se instala quando Iêda descobre que Alan é quem realmente está competindo.

Diferente de outras produções em que homens se vestem de mulheres por um objetivo específico, como Tootsie (1982, Sydney Pollack), Uma Babá Quase Perfeita (1993, Chris Columbus) ou o próprio filme de Wilder, aqui não há espaço para o pacote de piadas previsíveis sobre salto alto, maquiagem e “dificuldades do disfarce”.

Helga Nemetik em cena de "A Miss"- Divulgação Olhar Filmes

Helga Nemetik em cena de “A Miss”- Divulgação Olhar Filmes

Desde o começo, para Alan, a experiência é libertadora: há um prazer genuíno em se encontrar naquele ambiente, conectando-se a discussões contemporâneas sobre identidade de gênero sem soar pedante ou forçado, justamente por estar inserido com naturalidade na própria narrativa.

Em suma, A Miss é uma comédia de costumes que lida, com leveza, com questões muito presentes no cotidiano e em nosso dia a dia. Há ali uma mensagem de otimismo e de redenção de traumas: é uma estreia que expõe suas imperfeições, mas também evidencia o potencial de todos os envolvidos. Em especial, de Helga Nemetik, atriz que começou no Zorra Total e que, apesar de hoje se dedicar mais ao teatro, imprime glamour e presença a uma personagem que remete a figuras marcantes do cinema internacional, como a de Allison Janney em Lindas de Morrer (1999, Michael Patrick Jann), coincidência feliz por também ser um filme sobre concursos de beleza.

No fim, A Miss talvez não alcance nos cinemas o sucesso que poderia, mas merece vida longa no streaming. Não só pelo cuidado com a representação, como também por encontrar um equilíbrio raro entre humor, drama realista e absurdo narrativo, assim, construindo uma história de amor sustentada por personagens, contradições e humanidade.

Distribuído pela Olhar Filmes, A Miss estreia nos cinemas no dia 26 de fevereiro.

Siga-nos e confira outras dicas em @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Alerta Apocalipse’ entrega o que promete?
  • Crítica: ‘Sonhos de Trem’ é sobre seguir em frente quando tudo já foi perdido
  • Primeiras Impressões: Linda e ousada, ‘Dona Beja’ foca na centralidade das mulheres
Tags:a missCinemacinema brasileirocinema nacionalcríticacritica a missDaniel Portohelga nemetik
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
1 comentário 1 comentário
  • Pingback: O Quarto do Pânico retorna com olhar diferente daquele que o público lembra

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

Os Roses: Até que a Morte os Separe
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Os Roses’ reinventa clássico com humor ácido e elenco de peso

André Quental Sanchez
5 Min Leitura
Cena do filme Samuel e a Luz. Vemos um bebê segurando uma vela acesa em frente a algumas panelas.
Cinema e StreamingCrítica

‘Samuel e a Luz’ capta a cultura caiçara em contraste com a modernidade

Alvaro Tallarico
5 Min Leitura
Takanakuy
Cinema e Streaming

Takanakuy | Curta-Metragem latino-americano se destaca na Europa e disputa pré-seleção do Oscar 2024

Redação
2 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?