A infertilidade deixou de ser um desafio individual para se tornar um problema global de saúde pública. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 17,5% da população mundial — o equivalente a 1 em cada 6 pessoas — enfrenta dificuldades para engravidar, consolidando o que especialistas já chamam de uma “pandemia silenciosa”.
O cenário também se reflete no Brasil, onde mudanças no comportamento reprodutivo, especialmente o adiamento da maternidade, vêm impactando diretamente as taxas de fertilidade.
O aumento dos casos tem levado mais pessoas a buscar respostas sobre sua capacidade reprodutiva. Ainda assim, muitos só procuram avaliação em fases mais tardias, quando as chances naturais de gestação já estão reduzidas.
Diante desse cenário, a OMS publicou sua primeira diretriz global sobre infertilidade, recomendando:
- maior acesso ao diagnóstico precoce
- integração do tema à atenção básica
- ampliação de tratamentos reprodutivos
- foco em prevenção e informação
A orientação central é clara: falar sobre fertilidade mais cedo pode mudar completamente o planejamento de vida.
Idade é fator decisivo na fertilidade
Segundo a ginecologista Graziela Canheo, especialista em reprodução humana da La Vita Clinic, a idade ainda é um dos principais fatores.
“A mulher já nasce com um número limitado de óvulos, e, ao longo do tempo, há uma redução tanto na quantidade quanto na qualidade dessas células”, explica.

De acordo com a especialista, os 35 anos representam um marco importante:
“A partir dessa idade, há uma queda mais significativa na qualidade dos óvulos, o que impacta diretamente nas chances de gravidez, inclusive em tratamentos como a fertilização in vitro.”
Exames ajudam a entender a fertilidade
Uma das principais dúvidas é por onde começar a investigação.
Entre os exames mais utilizados estão:
- dosagem do hormônio anti-mulleriano (AMH)
- ultrassonografia para contagem de folículos
Esses exames ajudam a avaliar a chamada reserva ovariana, embora a qualidade dos óvulos não possa ser medida diretamente.
Na prática, a idade continua sendo o principal indicativo clínico.
Além da idade, outros fatores contribuem para o aumento da infertilidade:
- endometriose
- obesidade
- doenças autoimunes
- tratamentos oncológicos
O estilo de vida também tem impacto direto.

“Tabagismo, álcool, sedentarismo, estresse e privação de sono interferem no funcionamento hormonal e no sistema reprodutivo”, destaca a médica.
Planejamento reprodutivo ganha espaço
Com mais informação, cresce a busca por estratégias de planejamento reprodutivo.
Entre elas, o congelamento de óvulos tem se tornado uma alternativa para quem deseja adiar a maternidade.
Segundo a especialista, a decisão deve ser baseada em informação:
“O congelamento não é uma obrigação, mas uma possibilidade. O mais importante é que as pessoas tenham acesso a informações para tomar decisões conscientes.”
A chamada “pandemia silenciosa” da infertilidade revela uma mudança importante no cenário global.
Fatores sociais, comportamentais e de saúde se combinam para alterar a forma como as pessoas planejam a maternidade e a paternidade.
Para especialistas, o principal desafio ainda é o tempo.
“Muitas mulheres só procuram ajuda quando já estão tentando engravidar há algum tempo. Entender a fertilidade antes disso pode fazer toda a diferença”, conclui Graziela Canheo.
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