Dirigido por Martin Bourboulon, 13 dias, 13 noites é eficaz em transmitir a urgência e o desespero da ascensão do Talibã, mas se perde em repetições que comprometem seu ritmo e diluem parte de seu impacto.
Se distanciando das adaptações literárias, Martin Bourboulon constrói com 13 dias, 13 noites um retrato frio, direto e sufocante dos momentos que sucederam a retomada do Afeganistão pelo Talibã em 2021. Ao mesmo tempo que é agonizante, a produção tenta focar em tudo, e se perde em cenário tumultuado e com informações demais.
Ao acompanhar Mohamed Bida, comandante responsável pela segurança da embaixada francesa em Cabul, a narrativa rapidamente estabelece um cenário de tensão constante: milhares de civis afegãos se aglomeram em busca de refúgio enquanto negociações delicadas com o Talibã tentam viabilizar um comboio de evacuação até o aeroporto. Nesse contexto, 13 dias, 13 noites se ancora em uma ideia já bastante conhecida no cinema de guerra: a impossibilidade de salvar a todos.

Cena de “13 dias, 13 noites”- Copyright Jérôme Prébois
É difícil não lembrar de A Lista de Schindler (1993, Steven Spielberg), especialmente na emblemática cena em que Oskar Schindler lamenta não ter conseguido salvar mais vidas. Aqui, Mohamed Bida assume uma posição semelhante, ainda que retratado como uma figura mais íntegra e resoluta. No entanto, essa construção excessivamente rígida acaba tornando o personagem menos interessante do que as figuras femininas que existem ao seu redor.
O destaque dado a personagens como Eva, uma jovem franco-afegã, à jornalista Kate e, principalmente, à militar Nicole, revela uma camada mais rica da narrativa. Em meio a um regime opressor e claustrofóbico, são essas personagens que trazem nuances, conflitos e reflexões mais instigantes. Há, inclusive, um olhar sutilmente feminista na forma como suas perspectivas são valorizadas, algo que dialoga com trabalhos anteriores do diretor.
Visualmente, Bourboulon aposta em uma paleta de tons sépia que drena a vitalidade das imagens, reforçando a sensação de desgaste e desesperança. A direção utiliza com eficiência planos-sequência e uma mise-en-scène cuidadosamente construída para intensificar a imersão e a angústia do espectador. Nesse aspecto, o filme acerta ao traduzir o caos sem recorrer a excessos melodramáticos.

Lyna Khoudri em cena de “13 dias, 13 noites”- Copyright Jérôme Prébois
O problema surge na condução do ritmo. Na tentativa de enfatizar a tensão contínua daqueles dias, 13 dias, 13 noites recorre à repetição de situações já estabelecidas, prolongando conflitos sem acrescentar novas camadas dramáticas. O resultado é uma sensação de estagnação narrativa, em que o impacto emocional vai sendo gradualmente enfraquecido pelo excesso de redundância. Sequências grandiosas como explosões e violências, além de uma câmera próxima que não isenta o espectador de uma sensação de claustrofobia e desespero, mantem o filme ágil, porém, não consegue salva-lo.
Com quase duas horas de duração, 13 dias, 13 noites se torna uma experiência densa e, por vezes, exaustiva. Ainda assim, sua força reside no retrato cru de uma crise recente e nas tentativas desesperadas de indivíduos que, mesmo diante de um cenário quase irreversível, insistem em fazer a diferença. Construindo assim uma homenagem aos heróis desconhecidos que estão tão presentes no mundo, e não temos ideia da diferença que eles fazem.
Com sua estreia mundial tendo ocorrido no Festival de Cannes do ano passado, 13 dias, 13 noites é distribuído pela California Filmes, e chega aos cinemas brasileiros no dia 26 de março.
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