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Jessica Harper em cena de "Suspiria"- Copyright Les Films du Camelia
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Suspiria’ – A forma que transcende a narrativa

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 23 de abril de 2026
5 Min Leitura
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Jessica Harper em cena de "Suspiria"- Copyright Les Films du Camelia
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Dirigido por Dario Argento, Suspiria permanece como um exemplo de como o rigor técnico e uma visão estética bem definida podem elevar um filme para além de sua própria história.

Até pouco tempo atrás, eu ainda não havia assistido à Suspiria. Apesar de sua reputação sólida entre fãs de terror e do peso de seu legado dentro do gênero, faltava o impulso final. Hoje, olhando em retrospecto, a experiência não só se mostrou válida, como revelou um filme que se sustenta por razões muito diferentes daquelas que tradicionalmente cativam o público.

A trama acompanha Suzy Bannion, Jessica Harper, uma jovem bailarina americana que chega a uma prestigiada academia de dança na Alemanha. Cercada por uma atmosfera opressiva, marcada por funcionários enigmáticos e regras rígidas, Suzy logo percebe que há algo profundamente errado naquele espaço, algo que ultrapassa o mundano e mergulha no sobrenatural.

Narrativamente, Suspiria é simples, quase elementar. E essa simplicidade não é uma limitação, mas uma escolha. Argento não está interessado em construir personagens complexos ou em desenvolver uma trama intricada; sua prioridade é criar uma experiência sensorial. Suzy, nesse contexto, funciona menos como uma protagonista tradicional e mais como um ponto de entrada para o espectador, uma figura quase arquetípica, saída diretamente de um conto de fadas sombrio.

Jessica Harper em cena de "Suspiria"- Copyright Les Films du Camelia

Jessica Harper em cena de “Suspiria”- Copyright Les Films du Camelia

E é justamente nessa aproximação com o universo dos contos de fadas que o filme encontra sua identidade mais poderosa. Inspirado visualmente por obras como Branca de Neve e os Sete Anões (1938, David Hand), o diretor aposta em cores extremamente saturadas, especialmente vermelhos intensos, para construir um mundo que oscila entre o encantamento e o pesadelo. A fotografia de Luciano Tovoli não busca realismo, mas impacto, cada enquadramento parece cuidadosamente composto para causar estranhamento e fascínio simultaneamente.

Desde sua sequência inicial, com a icônica morte de Pat, Suspiria estabelece um tom de ameaça constante. O filme avança com um ritmo enxuto, em pouco menos de 100 minutos, conduzindo o espectador por uma sucessão de imagens marcantes que se sobrepõem à própria lógica narrativa. O resultado é uma obra que se experimenta mais do que se interpreta.

A trilha sonora, assinada pela banda Goblin com participação direta de Argento, é peça fundamental nesse processo. Longe de atuar como pano de fundo, o som invade a cena com intensidade quase agressiva. Sussurros, grunhidos e melodias dissonantes criam uma sensação de desconforto permanente, substituindo o silêncio por um caos calculado que amplifica o terror.

Ao abraçar elementos clássicos, bruxas, feitiços, uma jovem inocente enfrentando forças ocultas, Suspiria resgata a essência dos contos de fadas em sua forma mais primitiva: histórias onde o medo e o desconhecido são forças centrais. Não há príncipes salvadores ou caminhos fáceis. Existe apenas a protagonista diante de um mundo hostil, avançando apesar de tudo.

Jessica Harper em cena de "Suspiria"- Copyright Les Films du Camelia

Jessica Harper em cena de “Suspiria”- Copyright Les Films du Camelia

Curiosamente, essa abordagem também explica certas escolhas do roteiro, que podem soar ingênuas em alguns momentos. A ideia original de ambientar a história em um internato para meninas mais jovens ainda ecoa nos diálogos e nas interações, reforçando o caráter quase infantil, e paradoxalmente, mais perturbador, da narrativa.

A influência de Suspiria no cinema posterior é inegável. Sua ênfase na composição visual e na atmosfera abriu caminhos para uma abordagem mais estilizada dentro do terror, onde forma e sensação podem ser mais importantes que a lógica interna da história. Mesmo quando comparado a obras posteriores de grande impacto, seu estilo permanece singular.

A produção reafirma sua relevância não como uma narrativa transcendental, mas como um espetáculo audiovisual que desafia convenções. Suspiria não é um filme para ser plenamente compreendido, é um filme para ser sentido. E é justamente nessa experiência sensorial que reside sua força duradoura.

Com distribuição da FJ Cines, Suspiria estreia nos cinemas no dia 23 de Abril, e também ganha seu primeiro lançamento oficial em VHS.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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