Dirigido por David Frankel, O Diabo Veste Prada 2 chega com potencial crítico e contemporâneo maior, porém, sem reinventar a roda. E deveria?
É inegável que existem sequências produzidas apenas pelo fator nostalgia, ou pela possibilidade de facilmente arrancar dinheiro de uma audiência que sente falta de um conteúdo leve como aquele que consumiu no passado. Lançado 20 anos após o primeiro filme, O Diabo Veste Prada 2 tenta capitalizar em cima da franquia. No entanto, apesar desse viés inicial de “caça-níquel”, a produção expande o universo e explora a sociedade de forma muito mais realista do que seu predecessor, o que funciona tanto a favor quanto contra.
O Diabo Veste Prada (2006, David Frankel) se consolidou como um clássico não apenas pelos memes que gerou, mas por um conjunto muito bem equilibrado: elenco afiado, narrativa simples e envolvente, além de uma leveza cômica e irônica. Logo no início da sequência, percebemos como essa simplicidade se perde ao expandir o universo para além das quatro paredes da Runway, lembrando o espectador de que, em 2026, o mundo é significativamente mais complexo do que duas décadas atrás.

Emily Blunt em cena de “O Diabo Veste Prada 2”- Divulgação 20th Century Studios
Acompanhamos novamente Andy Sachs, agora uma jornalista que, após ser demitida, aceita retornar à Runway, desta vez como editora-chefe. A partir daí, o filme constrói um jogo constante de espelhos com o original. Sua relação com Miranda permanece estruturalmente semelhante, mas agora observamos facetas mais humanas da personagem. Antes intocável, quase mitológica, o “diabo” perde força, se torna mais acessível, e consequentemente, menos impactante.
Um dos maiores méritos do filme, e também uma de suas principais fragilidades, está em sua abordagem mais pessoal e contemporânea. A narrativa mergulha em temas como os rumos do jornalismo e um capitalismo tardio em que o lucro se sobrepõe a qualquer custo humano. Apesar de potente e direta, essa discussão carece de identidade própria dentro do universo da obra: poderia existir em praticamente qualquer outro contexto sem grandes alterações.
Tecnicamente, a produção segue um caminho tradicional em todos os aspectos. A comédia romântica, apesar de fraca, e o humor rápido e sardônico se mantém presente, enquanto a trilha sonora aposta mais em composições originais do que em músicas pop dos anos 2000, reforçando uma estética mais sóbria e realista, em contraste com o primeiro filme, que abraçava o entretenimento de forma mais leve e estilizada.

Anne Hathaway em cena de “O Diabo Veste Prada 2”- Divulgação 20th Century Studios
À medida que a narrativa avança, fica evidente o cuidado e o carinho com os fãs. Referências não faltam: personagens retornam em participações rápidas, quase no estilo “piscou, perdeu”, e os paralelos com o original são constantes, quase como se fosse um Déjà-vu. Mesmo com personagens mais maduros, o núcleo essencial permanece: a inocência de Andy, a lealdade de Nigel, entre outros elementos, porém, em certos momentos parece a versão mais lavada e politicamente correta deles.
O principal problema surge no ritmo. O que antes era direto e eficiente em O Diabo Veste Prada 2 se torna inflado, por vezes repetitivo e excessivamente prolongado. Isso compromete o impacto da narrativa e impede que o filme alcance o mesmo nível de singularidade de seu antecessor.
Ainda assim, no terceiro ato, a produção encontra sua força. As interações finais são precisas e emocionalmente eficazes, podendo até comover espectadores mais sensíveis e elevando o conjunto da obra. Nos fazendo refletir e ansiar mais por estes personagens, mesmo quando não existe muito terreno mais para eles continuarem.
Distribuído pela 20th Century Studios, O Diabo Veste Prada 2 estreia nos cinemas no dia 30 de abril.
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