Naquela madrugada, vi um filme chamado A Caverna, Armadilha do Tempo (Time Trap). Uma caverna onde jaz uma certa fonte da juventude. Quantas pessoas não sonham em se manter jovens eternamente? Não é à toa que as cirurgias plásticas fazem tanto sucesso. No filme, acontece de outra forma. Mais como uma armadilha mesmo. Tempo, mano velho, sempre cheio de arapucas. Você já se viu preso num ciclo vicioso? Às vezes é uma relação que faz mal, mas prende de alguma maneira, geralmente numa carência, medo, receio de ficar na solidão. Quando a liberdade chega, aí sim você percebe o tempo que perdeu. E que não volta nunca mais.
Na caverna da película, o tempo passa diferente. As coisas acontecem e mudam ao redor, passam dias, anos, estações, eras – e lá está você tentando escapar. Passado, presente e futuro enrolados. O filme tem ótima premissa e entrega algo interessante. Convenhamos que sou um grande entusiasta da ficção científica e desse tipo de história que brinca com paradoxos e a maleabilidade do espaço-tempo. Aliás, quantos não se sentiram parados no tempo durante a pandemia? Presos, exatamente como no filme. Para alguns o dia não passava dentro da rotina do isolamento; para outros, passou rápido. O tempo pode ser amigo ou inimigo, depende do seu momento. Depende do sofrimento, ou da alegria. No sofrer, é lento e tortura; na alegria, voa ágil.
Maya
Na caverna do filósofo Platão tudo era ilusão naquele mundo de sombras. Nesta vida terrena em que vivemos, fica sempre a dúvida do que é a realidade. Buda chamava nosso mundo de Maya, a grande ilusão. Ou seja, viveríamos numa matrix que pretende nos deixar entorpecidos, presos numa armadilha do tempo. O filme acaba por apresentar esse subtexto da busca pelo passado que esbarra em obstáculos inesperados, mas vai de encontro a um futuro imprevisível.
Afinal, acredito que sempre possa haver uma escada para fora do buraco. Por mais que você perca algum tempo, em algum momento, vai subir – e abraçar a liberdade.



