15ª Mostra Ecofalante 2026 será marcada por filmes inéditos, homenagem a Zita Carvalhosa e debates urgentes
A cidade de São Paulo vai respirar cinema, política, meio ambiente e resistência entre os dias 28 de maio e 10 de junho com a chegada da 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema. Considerado o principal festival audiovisual socioambiental da América do Sul, o evento reúne 104 filmes de 27 países, todos com entrada gratuita, espalhados pelo Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e outros 28 espaços do Circuito Spcine.
Neste ano, a programação da Mostra Ecofalante mergulha em temas quentes e urgentes: mudanças climáticas, conflitos no Oriente Médio, feminismos, saúde mental, colonialismo, educação e os direitos dos povos originários. E o line-up impressiona: há produções premiadas em Sundance, Cannes, Tribeca, Berlim, Locarno e Veneza, além de filmes ligados a nomes de peso como Leonardo DiCaprio e Ang Lee.

Cena de Minha Terra Estrangeira- Filme presente na Mostra Ecofalante
Entre os destaques está “O Grande Lago Salgado”, documentário produzido executivamente por DiCaprio que alerta para o colapso ambiental do Great Salt Lake, nos EUA. Já Ang Lee assina a produção de “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”, sobre a inacreditável sobrevivência do velejador Steven Callahan em alto-mar.
A abertura do festival, exclusiva para convidados, promete impacto imediato com “O Urso Inconveniente”, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Sundance. O documentário acompanha um urso polar obrigado a migrar para áreas urbanas por conta das mudanças climáticas, uma metáfora poderosa sobre a crise ambiental contemporânea.
Mas a Mostra Ecofalante vai além das telas. Um dos momentos mais emocionantes da edição será a homenagem à produtora paulista Zita Carvalhosa, falecida em 2025. Figura essencial do audiovisual brasileiro e criadora do Kinoforum, Zita será celebrada com sessões especiais de filmes produzidos por ela, incluindo “Carvão”, de Carolina Markowicz, “O Cineasta da Selva”, de Aurélio Michiles, e o cult “A Alma do Negócio”, de José Roberto Torero.
Outro grande acontecimento é a première mundial de “Arquivo Vivo”, novo longa de Vincent Carelli. O filme revisita quatro décadas do projeto Vídeo nas Aldeias e devolve registros históricos às comunidades indígenas filmadas ao longo dos anos. A produção participa da mostra competitiva brasileira “Territórios e Memória”, que reúne 51 obras nacionais vindas de 19 estados.
A programação internacional também chama atenção pela força política. Filmes como “Os Gêmeos de Gaza”, “Partition” e “Yalla Parkour” discutem a Palestina contemporânea e inspiram debates sobre apagamento histórico, guerra e resistência. Já “Nossa Terra”, primeiro documentário da cineasta argentina Lucrecia Martel, faz uma crítica contundente ao colonialismo e ao roubo de terras indígenas na América Latina.
A Mostra Ecofalante ainda aposta forte em debates públicos. Entre os encontros programados estão discussões sobre democracia e desinformação, feminismo e gênero, educação transformadora e saúde mental. Um dos painéis mais aguardados, “Sociedade do Cansaço”, aborda solidão, trabalho e hiperconectividade a partir do filme “Querido Amanhã”, sobre japoneses que encontram apoio emocional em serviços públicos de conversa online.

Cena de “Elon Musk Unveiled”- Filme presente na Mostra Ecofalante
O Panorama Histórico deste ano presta tributo ao lendário Seminário Flaherty e ao nascimento do documentário moderno. Entre as raridades exibidas estão a versão restaurada de “Nanook, o Esquimó” (1922), clássico absoluto de Robert Flaherty, e o vencedor do Oscar “Harlan County: Tragédia Americana”. O cineasta finlandês Sami van Ingen, bisneto de Flaherty, participa do festival com uma masterclass inédita.
A edição de 2026 também reforça o braço educacional da Mostra Ecofalante. Filmes infantis, oficinas e sessões especiais em CEUs e escolas públicas fazem parte do programa Ecofalante Educação, que leva cinema e debates socioambientais para jovens de toda a cidade.
Com mais da metade da programação dirigida ou codirigida por mulheres, a Mostra Ecofalante consolida sua posição como um dos eventos culturais mais relevantes do país — e prova que cinema também pode ser ferramenta de transformação social, memória e resistência.
Serviço
15ª Mostra Ecofalante de Cinema
de 28 de maio a 10 de junho de 2026
entrada franca
Locais
Reserva Cultural – avenida Paulista 900, Bela Vista – São Paulo
Sala Paulo Emílio / Centro Cultural São Paulo – rua Vergueiro 1000, Paraíso – São Paulo
e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine
Evento viabilizado por meio da Lei Rouanet e do ProAc ICMS, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas
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