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Francisco Galvão, Bella Alelaf, Samuel Estevam e Breno Kaneto em cena de “O Gênio do Crime”- Divulgação Paris Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Gênio do Crime’ toma liberdades e revitaliza um clássico com inteligência e carisma

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 13 de maio de 2026
6 Min Leitura
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Francisco Galvão, Bella Alelaf, Samuel Estevam e Breno Kaneto em cena de “O Gênio do Crime”- Divulgação Paris Filmes
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Dirigido por Lipe Binder, O Gênio do Crime entrega uma necessária aventura juvenil nacional, mesmo que se distancie do espírito do livro

Lido constantemente ao longo de diferentes gerações escolares, O Gênio do Crime é um dos maiores sucessos infantojuvenis da literatura nacional. Ponto de partida para a Turma do Gordo, a franquia criada por João Carlos Marinho conta com 13 livros e inúmeras desventuras protagonizadas por seus jovens personagens. Apesar de uma adaptação lançada nos anos 1970, somente em 2026 tivemos a oportunidade de reencontrar esses personagens nas telonas.

A escolha estética da nova adaptação chama atenção logo de início. Diferente do ludismo e do forte apelo fantasioso vistos em produções como Turma da Mônica: Laços (2019, Daniel Rezende), a direção de Lipe Binder aposta em uma abordagem mais realista e opressora, ainda que claramente voltada ao público juvenil. O resultado é curioso: uma obra que tenta amadurecer seu universo sem abandonar completamente sua essência de aventura.

Essa decisão, no entanto, vem acompanhada de alguns problemas. A cinematografia frequentemente pesada, a paleta excessivamente terrosa e uma direção de arte pouco vibrante acabam afastando parte da identidade imaginativa associada ao livro original. Soma-se a isso um roteiro que suaviza boa parte do humor característico de Marinho em nome de um “politicamente correto” que, em diversos momentos, enfraquece o carisma natural dos personagens.

Ainda assim, O Gênio do Crime permanece como uma produção relevante dentro do atual cenário audiovisual brasileiro. O cinema nacional raramente investe em obras voltadas especificamente para o público infantojuvenil, especialmente quando comparado ao domínio das produções estadunidenses neste segmento. Nesse contexto, o filme surge quase como uma necessidade, preenchendo um espaço há anos negligenciado pela indústria nacional.

Imagem de “O Gênio do Crime”. Foto: Fabio Braga / Pivô Audiovisual Produção: Boutique Filmes, em coprodução com Globo Filmes e Paris Entretenimento. Distribuição: Paris Filmes.
Imagem de “O Gênio do Crime”. Foto: Fabio Braga / Pivô Audiovisual
Produção: Boutique Filmes, em coprodução com Globo Filmes e Paris Entretenimento. Distribuição: Paris Filmes.

Utilizando o clássico literário mais como inspiração do que como adaptação fiel, o roteiro de Ana Reber promove mudanças significativas, algumas bastante acertadas, outras nem tanto. A introdução antecipada de Berenice, por exemplo, fortalece consideravelmente a narrativa, principalmente graças à atuação segura de Bella Alelaf, que rapidamente se torna um dos grandes destaques do longa.

Já a reformulação de Mister John funciona como uma faca de dois gumes. Transformado em um personagem mais caricatural interpretado por Marcos Veras, ele funciona bem como figura paterna e guia para João, Gordo, mas perde completamente a eficiência investigativa presente na obra original. O personagem parece deslocado dentro da proposta mais pé no chão do filme, como se pertencesse a uma produção mais próxima do tom aventuresco de Turma da Mônica.

Outro ponto delicado está na tentativa constante de amadurecer a narrativa. Ao remover grande parte das piadas e situações mais irreverentes do livro, o filme entrega uma jornada mais séria do que divertida. Em alguns momentos, a sensação de aventura juvenil acaba sufocada por uma maturidade excessiva que não conversa totalmente com a proposta da obra. Curiosamente, isso torna ainda mais estranho o momento em que o quarteto principal apresenta um rap autoral que, apesar de funcionar isoladamente, destoa do restante da produção.

Por outro lado, o roteiro acerta ao aprofundar a figura do Gênio do Crime, construindo um antagonista mais pessoal e complexo. A narrativa também explora temas clássicos de histórias sobre a transição entre infância e adolescência: primeiros amores, conflitos emocionais, amadurecimento e a dificuldade em equilibrar interesses infantis e responsabilidades adultas. Além disso, o longa já planta sementes para uma possível adaptação de Sangue Fresco, próxima aventura da Turma do Gordo ambientada na Amazônia.

Confira nossa entrevista EXCLUSIVA com o elenco do filme:

Ao final, O Gênio do Crime funciona justamente por compreender a importância de existir. Mesmo distante do espírito mais lúdico e irreverente do livro de João Carlos Marinho, o longa entrega uma experiência relevante para crianças, adolescentes e até adultos que cresceram acompanhando essas histórias.

Para o futuro da franquia, porém, talvez seja importante lembrar que o maior charme da Turma do Gordo nunca esteve apenas nos mistérios ou nos perigos enfrentados, mas sim na diversão genuína de acompanhar crianças investigando aventuras maiores do que elas mesmas. É justamente esse espírito lúdico que transformou a obra em um clássico, e que ainda torna tão divertido revisitá-la hoje.

Distribuído pela Paris Filmes, O Gênio do Crime estreia nos cinemas brasileiros em 14 de maio.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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