Dirigido por Michael Tiddes, Todo Mundo em Pânico retorna às raízes da franquia e desperta nostalgia, porém, é impossível ignorar a sensação de que seu tempo já passou.
Treze anos após o último filme da série e vinte e cinco anos desde o afastamento dos Irmãos Wayans, consequência da disputa que os retirou do comando da franquia, Todo Mundo em Pânico retorna com toda a pompa de um grande evento. Nenhuma propriedade intelectual passa ilesa, passando por paródias que vão desde A Substância (2024, Coralie Fargeat), até os capítulos mais recentes da franquia Pânico, que servem como principal estrutura para a narrativa.
O retorno do quarteto principal imediatamente estabelece uma conexão com os fãs de longa data. A presença dos dubladores originais de Cindy e Brenda reforça ainda mais esse sentimento. Cientes do peso nostálgico que carregam, os Wayans aproveitam a oportunidade para satirizar os clichês e tendências que dominaram o terror durante sua ausência, além de incluírem algumas surpresas genuinamente inspiradas, como uma sequência animada tão absurda quanto divertida.

Ghostface em cena de “Todo Mundo em Pânico”- Divulgação Paramount Pictures
O humor rápido, caótico e deliberadamente nonsense permanece intacto. Personagens surgem sem explicação, piadas sexuais aparecem a todo momento e a lógica narrativa frequentemente é deixada em segundo plano. Esse sempre foi um elemento da identidade da franquia, mas aqui a fórmula parece mais fragmentada do que nunca. Em vez de uma história conduzindo as piadas, são as piadas que empurram a história para frente.
Essa estrutura fica evidente quando o filme alterna entre zombar Cindy e logo em seguida zombar da própria Anna Farris, ocasionando um estranhamento neste salto metalinguístico. Isoladamente, muitos desses momentos funcionam. O problema surge quando a sucessão de esquetes enfraquece a coesão do conjunto. Algumas referências rendem boas gargalhadas, enquanto outras parecem existir apenas porque os realizadores finalmente tiveram a liberdade de fazê-las.
É justamente nessa liberdade criativa recuperada que reside o aspecto mais interessante do filme. Os Wayans utilizam a produção não apenas para satirizar o cinema de terror contemporâneo, mas também para comentar a indústria que os afastou da própria criação. Entre referências à cultura do cancelamento, ao ataque ao Capitólio e às transformações do entretenimento nas últimas décadas, o filme frequentemente assume um tom de provocação direcionado ao próprio sistema hollywoodiano.

Anna Farris e Regina Hall em cena de “Todo Mundo em Pânico”- Divulgação Paramount Pictures
No entanto, essa postura também evidencia uma fragilidade. Em diversos momentos, Todo Mundo em Pânico parece mais interessada em celebrar o retorno dos Wayans do que em construir uma narrativa consistente. A sensação é de estar assistindo a uma coleção de ideias acumuladas ao longo de décadas e finalmente despejadas na tela, nem sempre da maneira mais orgânica.
Ainda assim, mesmo com seus excessos, o longa representa uma melhora significativa em relação aos capítulos mais recentes da franquia. Até mesmo Todo Mundo em Pânico 2 (2001, Keenen Ivory Wayans), frequentemente apontado como um dos exemplares mais irregulares da série, demonstra maior preocupação em conectar seus eventos de forma coerente. Aqui, a narrativa é frequentemente interrompida por desvios que variam entre o inspirado e o cansativo, incluindo duas piadas envolvendo Bailarina: Do Universo de John Wick (2025, Len Wiseman), que nem impacto tem, porém, existem e persistem.
No fim das contas, Todo Mundo em Pânico funciona como uma grande celebração do legado dos irmãos Wayans. Os fãs encontrarão diversos momentos para apreciar e revisitar o humor que definiu uma geração. Porém, também fica evidente que a franquia chegou a um ponto de desgaste criativo. O filme prova que ainda existe espaço para esse tipo de comédia, mas também sugere que, para sobreviver além de seu público mais fiel, uma reinvenção será inevitável.
Distribuído pela Paramount Pictures, Todo Mundo em Pânico estreia nos cinemas em 4 de junho.
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