Depois de sete anos funcionando exclusivamente por assinatura, o Disney+ poderá passar por uma de suas maiores transformações desde o lançamento da plataforma. Segundo informações divulgadas pelo Business Insider, a Disney estuda criar um plano gratuito para o serviço de streaming, permitindo que parte de seu catálogo seja acessada sem pagamento mensal.
A iniciativa representa uma mudança significativa na estratégia da companhia, que lançou o Disney+ em 2019, logo após o fim de seu acordo de distribuição com a Netflix. Desde então, a plataforma consolidou um catálogo que reúne produções da Disney, Pixar, Marvel, Star Wars, National Geographic e conteúdos da 20th Century Studios, além de investir pesadamente em produções originais.
Nos primeiros cinco anos de operação, o Disney+ ultrapassou a marca de 135 milhões de assinantes em todo o mundo e gerou cerca de US$ 11,9 bilhões em receita anual. Apesar desses números expressivos, o mercado de streaming vive um momento de forte transformação, impulsionado principalmente pelo crescimento acelerado do YouTube e pela mudança no comportamento do público, que cada vez mais consome conteúdos rápidos e gratuitos.
De acordo com o Business Insider, a possibilidade de um plano gratuito foi discutida durante uma reunião interna conduzida por Adam Smith, diretor de Produto e Tecnologia da Disney. Embora o executivo não tenha revelado um cronograma para a implementação da novidade, funcionários presentes relataram que a empresa avalia seriamente o projeto como parte de uma estratégia de expansão da plataforma.
A expectativa, no entanto, é que esse modelo gratuito funcione de maneira semelhante ao adotado por diversos concorrentes. Em vez de oferecer acesso integral ao catálogo, apenas uma seleção de filmes, séries e programas ficará disponível para os usuários que optarem pelo plano sem assinatura. Ainda não foram divulgados quais títulos fariam parte dessa biblioteca gratuita, nem se haverá limitações de qualidade de imagem ou presença de publicidade.
A possível novidade chega em um momento de intensa disputa entre os principais serviços de streaming. Nos últimos meses, executivos da indústria passaram a reconhecer o YouTube não apenas como uma plataforma de vídeos, mas como um dos maiores concorrentes do setor de entretenimento.
O tempo de permanência dos usuários e o consumo crescente de vídeos curtos vêm obrigando gigantes como Disney e Netflix a reverem suas estratégias.
Como resposta a esse novo cenário, a Disney também estuda ampliar o tipo de conteúdo disponível no Disney+. Segundo o relatório, a empresa pretende investir em vídeos de curta duração, podcasts e microdramas — produções com poucos minutos de duração voltadas principalmente ao consumo em dispositivos móveis.

A Netflix segue um caminho semelhante. A plataforma confirmou recentemente que passará a disponibilizar vídeos entre três e vinte minutos produzidos por grandes grupos de mídia, incluindo BuzzFeed Studios, Condé Nast, Hearst Magazines, Penske Media e People Inc. A estratégia demonstra que as duas maiores empresas do setor enxergam formatos rápidos como uma das principais tendências para os próximos anos.
Caso o plano gratuito seja confirmado, a Disney passará a competir de forma ainda mais direta com plataformas abertas como YouTube e Pluto TV, utilizando um modelo híbrido que combina assinaturas pagas e acesso gratuito patrocinado por publicidade.
Atualmente, nos Estados Unidos, o pacote com Disney+ e Hulu custa US$ 12,99 por mês na versão com anúncios e US$ 19,99 na modalidade sem publicidade. Ainda não há informações sobre como um eventual plano gratuito seria disponibilizado em mercados internacionais, incluindo o Brasil.
Por enquanto, a empresa não anunciou oficialmente a novidade nem estabeleceu uma data para seu lançamento. Mesmo assim, o simples fato de a proposta estar sendo discutida internamente indica que a Disney está disposta a rever um modelo que permaneceu praticamente inalterado desde a criação do serviço, em busca de novos públicos e de maior competitividade em um mercado que muda rapidamente.
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