Com sold out no Rio de Janeiro e uma turnê que passou por 13 cidades brasileiras, o NTX reforça uma nova estratégia para o mercado de K-pop. Em entrevista exclusiva à Genius Lab, os integrantes do grupo de K-pop sul coreano, fala sobre a relação com os fãs brasileiros, a evolução do grupo e os bastidores da turnê.
Durante muito tempo, falar de shows de K-pop no Brasil significava falar quase exclusivamente de São Paulo. Nos últimos anos, porém, essa realidade começou a mudar. A turnê latino-americana do NTX em 2026 é um dos exemplos mais claros dessa transformação.
Ao escolher cidades de diferentes regiões do país, incluindo o Rio de Janeiro, a K-Beat Entertainment apostou em um modelo que aproxima artistas e fãs, fortalece mercados locais e demonstra que existe demanda por grandes experiências culturais muito além do circuito tradicional.
O show realizado na capital fluminense reuniu um público que acompanhava o grupo desde suas primeiras visitas ao Brasil e também novos fãs atraídos pela oportunidade de viver uma experiência mais próxima dos artistas.
Um novo mapa para as turnês de K-pop
Enquanto grandes grupos costumam concentrar suas apresentações em poucas capitais, o NTX percorreu uma extensa rota brasileira, levando sua nova fase para diferentes públicos.
Essa estratégia vai além da logística.
Ela aproxima o grupo de comunidades que normalmente precisam viajar centenas ou até milhares de quilômetros para assistir a um show internacional. Ao mesmo tempo, fortalece produtoras especializadas e ajuda a desenvolver mercados regionais que passam a receber eventos internacionais com maior frequência.
No Rio de Janeiro, essa conexão ficou evidente durante toda a apresentação. A resposta do público mostrou que existe espaço para um calendário cada vez mais diversificado de shows de K-pop na cidade.
“Prototype” marca uma nova identidade
A turnê também apresentou ao público a nova fase artística do NTX.
Com o miniálbum Prototype, o grupo adotou uma estética mais intensa e madura, refletida tanto na sonoridade quanto nas performances.
Canções como “Ice Love”, “Holy Grail” e “Problematic” evidenciam a evolução artística do NTX, resultado de um trabalho que se desenvolveu ao longo dos últimos anos sem abrir mão de uma das principais marcas do grupo: o envolvimento direto dos integrantes na criação de sua identidade musical e visual.
Esse protagonismo criativo também se reflete nas performances. Um dos destaques da nova fase é a coreografia de “Vamos”, desenvolvida por YunHyeok e Xiha. Ao assumirem a criação da performance, os dois ajudam a traduzir visualmente a essência da música por meio de formações dinâmicas, movimentos precisos e uma narrativa corporal que amplia o impacto da apresentação. A iniciativa reforça o caráter colaborativo do NTX e demonstra como os próprios integrantes participam ativamente da construção da experiência oferecida ao público.
O resultado são performances cada vez mais sofisticadas, que combinam alto nível técnico, sincronia e intensidade, exigindo preparação constante e consolidando a identidade artística que o grupo vem construindo desde a estreia.
Entrevista exclusiva – NTX conversa com a Genius Lab
Durante a passagem da turnê pelo Brasil, a Genius Lab conversou exclusivamente com os integrantes do NTX sobre a experiência de reencontrar os fãs brasileiros, a evolução do grupo e os bastidores da nova fase.
EUNHO
Pergunta: No mercado global, muitos artistas promovem suas atividades de forma semelhante e costumam visitar os mesmos países e cidades. O NTX, porém, está abrindo novos caminhos ao realizar shows em diversas regiões do Brasil onde muitos artistas internacionais nunca se apresentaram. Como tem sido a experiência de conhecer fãs dessas novas regiões? E de que forma a energia única dos fãs de cada cidade influencia vocês no palco?
«Antes de tudo, poder conhecer fãs de diferentes regiões do Brasil é algo que nos deixa muito animados e felizes. Cada região do Brasil tem uma energia e uma paixão incríveis, e isso faz com que nós também consigamos liberar ainda mais energia durante as nossas apresentações.»
RAWHYUN
Pergunta: Com “Prototype”, o NTX mostrou um lado mais intenso e sofisticado, diferente da imagem mais leve e descontraída da época de “Overtrack (Overtrap)”. Se vocês tivessem que escolher um filme ou um personagem de filme que melhor represente o NTX de hoje, qual seria e por quê?
«Acho que, neste momento, nós somos parecidos com o Forrest Gump, protagonista do filme Forrest Gump. Assim como ele, seguimos em frente sem definir ou imaginar exatamente o futuro; simplesmente continuamos correndo. Acho que essa forma de seguir adiante se parece muito com o NTX de hoje.»
HOJUN
Pergunta: A coreografia de “Ice Love” é extremamente rápida e exige uma sincronia perfeita entre os integrantes. Soubemos que Yunhyeok e Xiha lideraram grande parte dos ensaios. Durante as práticas, quem costuma aprender a coreografia mais rápido? E, por outro lado, quem costuma errar mais, mas continua treinando até conseguir executá-la perfeitamente?
«A maioria dos integrantes aprende as coreografias muito rápido, então todos costumam decorar os passos em pouco tempo. Claro que somos humanos e, às vezes, cometemos alguns erros. Mas, nesses momentos, como sabemos exatamente onde cada um teve dificuldade, todos procuram corrigir seus pontos fracos e se ajudam para deixar a performance cada vez mais completa.»
YUNHYEOK
Pergunta: Vocês já disseram que conseguem manter a identidade do NTX justamente porque respeitam as opiniões uns dos outros. Mas, se em vez de um grupo musical vocês administrassem uma empresa de verdade, quem seria o CEO responsável pela estratégia? Quem cuidaria das finanças? E qual integrante seria demitido primeiro por passar o dia inteiro fazendo brincadeiras?
«Eu ficaria responsável pela estratégia. Também cuidaria da parte financeira. E quanto aos integrantes que vivem brincando… não vou demitir ninguém. Só vou diminuir um pouco o salário deles. ?»
YUNHYEOK
Pergunta: Na coletiva de imprensa, vocês descreveram a primeira experiência no Brasil como “uma lembrança de primeiro amor” e também disseram que adoraram o churrasco brasileiro e o guaraná. Se fossem criar um jantar de fusão entre Coreia e Brasil para comemorar o sucesso da turnê pela América Latina, qual prato coreano e qual prato (ou acompanhamento) brasileiro não poderiam faltar?
«Eu escolheria samgyeopsal (barriga de porco grelhada) e guaraná.»
XIHA
Pergunta: A popularidade do NTX na América Latina está crescendo muito rapidamente. Na Argentina, por exemplo, o público dos shows aumentou de cerca de 500 para mais de 1.600 pessoas. Se o NTX de hoje pudesse enviar uma breve mensagem ao NTX que estava prestes a subir ao palco como Team 2:00 no Peak Time, em 2023, o que vocês diriam?
«Vocês já treinaram bastante, então confiem em tudo o que prepararam e façam exatamente como sempre fizeram! ?»
O Rio de Janeiro como parte da transformação do mercado
A passagem do NTX pelo Rio de Janeiro representa um momento importante para o mercado brasileiro de K-pop.
A descentralização das turnês mostra que existe um público consolidado fora do eixo tradicional e que experiências mais próximas entre artistas e fãs podem ser tão relevantes quanto grandes apresentações em arenas.
Para o Rio, esse movimento também fortalece a cidade como um destino cada vez mais presente no calendário de artistas sul-coreanos, ampliando oportunidades para produtores locais, criadores de conteúdo e para toda a cadeia da economia criativa ligada à cultura asiática.
Mais do que uma turnê de sucesso, a passagem do NTX pelo Brasil demonstra que o futuro do K-pop no país será construído em muitas cidades diferentes — e o Rio de Janeiro já faz parte dessa história.
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Este artigo é uma collab da Genius Lab,núcleo de inteligência em cultura pop, fandoms e economia criativa, e o Korea in Rio, projeto dedicado à divulgação da cultura coreana e à análise das transformações da indústria do entretenimento e do consumo cultural.
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