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Robert Janssen leva estratégia brasileira de Soberania Inteligente ao WITSA Global AI Summit

Proposta apresentada em Taiwan aponta energia, dados, escala e competências setoriais como vantagens para posicionar o Brasil na economia global da inteligência artificial

Por Redação
Última Atualização 29 de agosto de 2026
9 Min Leitura
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O Brasil será apresentado como um país capaz de buscar protagonismo na economia global da inteligência artificial sem necessariamente reproduzir o modelo tecnológico das grandes potências. Essa é a proposta que Robert Janssen, CEO da OBr.global e presidente da Assespro-RJ, levará ao WITSA Global AI Summit 2026, que acontece nos dias 1º e 2 de setembro, no Grand Hotel, em Taipei, Taiwan.

Janssen apresentará no encontro internacional uma estratégia baseada no conceito de “Soberania Inteligente”, que propõe autonomia estratégica sem isolamento tecnológico. A ideia parte de uma constatação: um país não precisa dominar todas as etapas da cadeia de inteligência artificial para ter capacidade de decisão e proteger seus interesses estratégicos.

Para a proposta, soberania em IA significa ter condições de decidir como as tecnologias serão utilizadas, proteger dados e infraestruturas críticas e manter operações estratégicas mesmo diante de mudanças tecnológicas, comerciais ou geopolíticas.

O encontro reunirá lideranças, especialistas, formuladores de políticas públicas e representantes da indústria de diferentes países. A programação também marcará o lançamento do WITSA Global AI Index, ampliando o debate internacional sobre o desenvolvimento da inteligência artificial.

A estratégia apresentada por Janssen identifica quatro ativos que podem diferenciar o Brasil na nova economia tecnológica: energia, dados, escala e competências setoriais.

A proposta defende que essas características sejam utilizadas para transformar o país em um hub de capacidade computacional e desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.

O argumento é que o Brasil não precisa necessariamente disputar com outras potências em todas as camadas da tecnologia. Em vez disso, pode concentrar esforços nos segmentos em que possui vantagens próprias e construir uma posição estratégica a partir delas.

“O Brasil não precisa reproduzir o modelo tecnológico de outras potências. Temos vantagens próprias que podem nos colocar em posição de protagonismo em áreas-chave da inteligência artificial. Soberania Inteligente significa identificar essas forças, controlar aquilo que é crítico para o país, desenvolver onde podemos nos diferenciar e estabelecer parcerias estratégicas para acessar a fronteira tecnológica”, afirma Robert Janssen.

A proposta coloca, portanto, a discussão sobre inteligência artificial dentro de uma perspectiva econômica e geopolítica. A tecnologia deixa de ser tratada apenas como ferramenta de inovação e passa a ser considerada também um elemento de infraestrutura estratégica para os países.

O conceito de Soberania Inteligente apresentado no encontro internacional está estruturado em três frentes.

A primeira é controlar o que é crítico. Nesse grupo estão dados estratégicos, infraestrutura, identidade e cibersegurança. São áreas consideradas fundamentais para garantir que decisões e operações essenciais não fiquem excessivamente vulneráveis a interesses externos.

A segunda frente é desenvolver aquilo em que o Brasil pode se diferenciar. Entre as possibilidades estão soluções de inteligência artificial em língua portuguesa, modelos especializados, aplicações específicas e empresas nacionais capazes de desenvolver produtos e serviços competitivos.

A terceira é garantir acesso diversificado à fronteira tecnológica. Isso inclui chips, capacidade computacional, modelos globais e pesquisa internacional.

A combinação dessas três frentes procura evitar uma escolha entre dois extremos: dependência tecnológica completa ou isolamento.

Um dos principais pontos da estratégia é justamente diferenciar soberania de autossuficiência.

Para Janssen, tentar produzir internamente todos os componentes necessários para a inteligência artificial poderia não ser a alternativa mais eficiente. O objetivo seria garantir que o país tenha capacidade de escolha.

Isso significa poder adotar, adaptar ou substituir tecnologias de acordo com seus interesses, sem ficar condicionado à dependência de um único fornecedor estrangeiro.

A preocupação ganha importância diante da velocidade com que a inteligência artificial vem evoluindo. Tecnologias, modelos, chips e plataformas podem mudar rapidamente, enquanto decisões de infraestrutura e investimentos possuem efeitos de longo prazo.

Nesse cenário, a dependência concentrada em uma única empresa ou país pode se transformar em uma vulnerabilidade.

A Soberania Inteligente propõe justamente diversificar essas relações. O país poderia estabelecer parcerias para acessar tecnologias de ponta ao mesmo tempo em que desenvolve capacidades próprias em setores considerados estratégicos.

Estado pode estimular um mercado nacional de IA

A proposta também atribui ao Estado um papel que vai além da regulamentação da inteligência artificial.

Governos podem, segundo a estratégia, ajudar a criar um mercado nacional sofisticado para soluções soberanas de IA, estimulando empresas brasileiras e criando condições para o desenvolvimento de tecnologias e aplicações dentro do país.

Esse movimento poderia contribuir para fortalecer empresas locais, atrair capital, reter talentos e propriedade intelectual e desenvolver soluções com potencial de exportação.

A estratégia coloca, assim, a política de inteligência artificial em conexão direta com desenvolvimento econômico. Em vez de enxergar a IA apenas como uma tecnologia que precisa ser regulada, a proposta considera a possibilidade de o poder público funcionar também como indutor de demanda, inovação e competitividade.

Para o Brasil, isso significaria aproveitar sua escala e suas competências específicas para desenvolver aplicações capazes de atender ao mercado nacional e, posteriormente, alcançar outros países.

Entre os ativos apontados pela estratégia, energia, dados e escala aparecem como elementos particularmente importantes para o desenvolvimento da infraestrutura necessária à inteligência artificial.

A capacidade computacional exige infraestrutura e energia, enquanto o desenvolvimento de aplicações depende de dados e conhecimento sobre os setores nos quais essas tecnologias serão utilizadas.

A escala brasileira, por sua vez, pode criar um mercado relevante para testar, desenvolver e aprimorar soluções antes de sua expansão para outros mercados.

A proposta acrescenta a esses fatores as competências setoriais brasileiras, permitindo que o país busque diferenciação em aplicações específicas em vez de tentar competir igualmente em todas as frentes da indústria global de IA.

Nesse modelo, o protagonismo brasileiro poderia surgir justamente da combinação entre recursos e capacidades já existentes e tecnologias desenvolvidas internacionalmente.

De dependência tecnológica a poder de negociação

A síntese da estratégia que Robert Janssen levará a Taipei pode ser resumida em três movimentos: controlar o que é crítico, desenvolver onde o Brasil pode se diferenciar e acessar a fronteira tecnológica por meio de parcerias diversificadas.

A proposta busca transformar a relação do país com a tecnologia. Em vez de medir soberania pela quantidade de tecnologias produzidas internamente, a ideia é avaliar a capacidade efetiva de escolher caminhos, reduzir vulnerabilidades e preservar operações estratégicas.

O debate no WITSA Global AI Summit 2026 coloca essa perspectiva brasileira diante de uma audiência internacional formada por diferentes atores da indústria e das políticas públicas de tecnologia.

Para Janssen, a oportunidade está em reconhecer que o Brasil não precisa necessariamente construir uma cópia das estruturas tecnológicas existentes em outras potências. Pode utilizar seus próprios ativos para ocupar espaços específicos e, ao mesmo tempo, manter acesso às tecnologias mais avançadas disponíveis no mundo.

A estratégia de Soberania Inteligente, portanto, propõe uma terceira via: nem dependência absoluta, nem isolamento tecnológico. O objetivo é construir capacidade própria suficiente para que o Brasil possa negociar, escolher e desenvolver soluções de inteligência artificial de acordo com seus interesses estratégicos.

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Tags:chipscibersegurançadesenvolvimento tecnológicoeconomia digitalempresas de tecnologiainovação no Brasilinteligência artificial generativamercado de IAmodelos de IAtecnologia brasileiraTransformação Digital
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