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essa mina é game over anime brasileiro
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Essa Mina é Game Over: anime brasileiro mistura romance, games e técnicas japonesas em pré-estreia em Niterói

Por Redação
Última Atualização 11 de setembro de 2026
12 Min Leitura
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Niterói será o ponto de partida para uma nova produção brasileira que pretende aproximar o universo dos animes da realidade do país. Essa Mina é Game Over, também conhecida pela sigla EMEGO, terá sua primeira exibição pública em 12 de setembro, durante o Niterói Expo Geek.

Produzida pela Noches Produções, a minissérie combina romance, games e técnicas de produção associadas à animação japonesa. A diferença está na história: os personagens, situações e referências foram desenvolvidos a partir de uma perspectiva brasileira.

A produção terá seis episódios de cinco minutos cada. A trama acompanha Leo, um gamer acostumado a vencer as partidas, até conhecer Bia, uma jogadora que consegue derrotá-lo no seu próprio jogo.

A derrota muda a relação entre os dois e coloca Leo diante de um desafio que não aparece em nenhuma tela: entender o que está sentindo.

A partir daí, Essa Mina é Game Over transforma a competição entre os personagens em uma comédia romântica sobre games, descobertas e relacionamentos.

Um anime brasileiro com referências brasileiras

A estética de anime já conquistou um público expressivo no Brasil. Para a Noches, porém, ainda existe espaço para desenvolver histórias nacionais utilizando os métodos de produção associados ao mercado japonês.

A proposta de EMEGO parte justamente dessa combinação.

“Nós crescemos apaixonados pelos animes, mas queríamos ver a nossa cultura retratada ali. Nossa linguagem e técnicas podem ser japonesas, mas nossa alma é 100% brasileira”, afirma Carlos Vizeu, diretor criativo da Noches Produções.

A ideia, portanto, não é criar uma versão brasileira de uma história japonesa. O projeto utiliza técnicas e processos japoneses para contar uma história criada no Brasil.

Esse aspecto também está relacionado ao objetivo comercial da produtora.

“Existe um público jovem e jovem-adulto sedento por consumir histórias no gênero anime, com identidade brasileira. Não se trata apenas de fazer anime no Brasil, mas de criar um mercado para ele e suprir esse público não atendido”, afirma Mab Castro, CEO e produtora da Noches.

Para desenvolver a minissérie, a Noches reuniu outras empresas em um Comitê de Produção.

O modelo é inspirado em uma estrutura utilizada no Japão para reunir parceiros no financiamento, desenvolvimento e gerenciamento de projetos de anime.

No Brasil, a proposta foi adaptada para reunir empresas especializadas em diferentes áreas da produção.

Entre elas está a BDN Rio, responsável por trabalhos de dublagem e produção sonora.

A participação da empresa também marca uma experiência inédita no país para o sistema Afureko, abreviação de Afuteru Rekorudo.

Nesse processo, a dublagem acontece com a animação já produzida. Os atores recebem as imagens prontas e constroem a interpretação a partir dos movimentos, expressões e emoções apresentados pelos personagens.

O método altera a dinâmica tradicional de gravação de voz para animações.

Mattheus Caliano, diretor geral de Afureko de EMEGO, acompanha o projeto a partir dessa experiência.

“A direção de dublagem de animes sempre foi meu objetivo enquanto profissional, falo sobre isso desde os meus sete anos de idade”, conta.

Para ele, uma das diferenças está justamente na relação entre a atuação vocal e aquilo que já está acontecendo na tela.

Os atores precisam observar o comportamento dos personagens e ajustar tom, intensidade e volume para acompanhar a interpretação visual construída pelos animadores.

“Saber que as nossas escolhas de tom, intensidade e volume, junto com a animação feita pelo estúdio, vão dar a humanidade necessária aos personagens e o ritmo emocional da narrativa é incrível”, afirma Caliano.

A coordenadora artística de voz, Roberjane Andrade, também destaca a integração entre as equipes.

“Poder trabalhar com pessoas tão criativas e comprometidas com o universo do anime é mágico”, afirma.

Segundo ela, a experiência exigiu sintonia entre direção, elenco e produção de animação. O resultado aparece tanto na interpretação dos personagens quanto na construção musical da série.

Para Mab Castro, o processo também exigiu que a equipe brasileira conhecesse uma metodologia diferente daquela mais comum no mercado ocidental.

“Então foi preciso mostrar para a BDN Rio como é todo o sistema de produção dos animes”, explica.

O elenco de voz também precisou se adaptar à metodologia.

Byanca Mercys, intérprete de Bia, destaca a liberdade para trabalhar a personagem a partir das emoções presentes nas imagens.

Lucas Bastos, que interpreta Leo, considera o processo desafiador e gratificante por apresentar uma dinâmica diferente da dublagem tradicional.

A intenção é fazer com que a voz acompanhe de maneira mais precisa aquilo que os personagens demonstram visualmente.

Nesse sentido, a técnica japonesa utilizada pela produção não aparece apenas na estética. Ela interfere diretamente na maneira como o anime é produzido.

Música também segue referências dos animes

A trilha sonora é outro elemento utilizado para aproximar EMEGO da linguagem das produções japonesas.

Charles Botelho, diretor musical da minissérie, participou da criação da canção de encerramento.

As músicas de encerramento são uma característica bastante reconhecida dos animes e, em EMEGO, a canção também ajuda a construir a identidade da produção.

O desafio foi adaptar a composição sem perder sua mensagem e suas características musicais.

“Adaptar uma canção exige muito mais do que simplesmente encontrar novas palavras: é preciso preservar a essência da mensagem, respeitar a métrica, a sonoridade e a identidade da obra”, explica Botelho.

Para o diretor musical, a música também funciona como extensão da narrativa.

“Ter a oportunidade de contribuir para a canção de encerramento de Essa Mina é Game Over foi motivo de muito orgulho”, afirma.

Outra empresa envolvida no Comitê de Produção é a Shonen West, iniciativa brasileira voltada à criação e publicação de mangás próprios e de autores nacionais.

A participação da empresa reforça a tentativa de aproximar diferentes etapas da produção inspirada no mercado japonês.

Gabriel Araújo, editor-chefe e CEO da Shonen West, destaca que a intenção não é simplesmente reproduzir obras estrangeiras no Brasil.

“A forma como os dois personagens principais interagem na história mostra que a nossa participação como editora não é simplesmente pegar licenças de obras que já fazem sucesso no Japão e publicar uma ‘versão brasileira’ para o público”, afirma.

A proposta é utilizar técnicas de narrativa e produção desenvolvidas pelo mercado japonês, mas aplicá-las a histórias e personagens brasileiros.

“Nosso objetivo é utilizar as técnicas de narrativas e de produção de quadrinhos japoneses e adequá-las de maneira apropriada para que uma visão brasileira possa alcançar os corações de leitores e telespectadores pelo mundo”, explica Araújo.

A relação entre Leo e Bia também faz parte dessa estratégia narrativa.

Os protagonistas começam ligados pela competição. Ela consegue derrotá-lo em um jogo que ele domina, provocando uma mudança na maneira como Leo enxerga a adversária.

A rivalidade passa, então, a dividir espaço com sentimentos que o protagonista ainda não sabe compreender.

É a partir desse contraste que a produção constrói seu romance.

Niterói recebe a primeira exibição

A escolha do Niterói Expo Geek para a pré-estreia não acontece por acaso.

A Noches já havia apresentado no evento, em 2024, o piloto de Genius!, outra produção desenvolvida dentro de um workflow inspirado nos métodos japoneses de produção.

Agora, EMEGO chega ao mesmo evento em uma etapa mais avançada.

O público poderá conferir pela primeira vez a minissérie completa e conhecer uma produção que tenta unir duas referências que já possuem forte conexão no Brasil: a cultura geek japonesa e elementos da identidade nacional.

A relação da Noches com Niterói também está presente na trajetória da produtora. O estúdio recebeu reconhecimento da Câmara de Vereadores da cidade pelo trabalho desenvolvido no setor criativo e pela utilização de métodos japoneses de produção.

A pré-estreia coloca, portanto, uma produção brasileira de anime diante de um público familiarizado com games, mangás, animação e cultura pop.

Essa Mina é Game Over chega ao público com uma proposta que vai além da criação de uma nova animação.

A Noches pretende testar a possibilidade de estruturar no Brasil uma cadeia de produção capaz de utilizar métodos japoneses sem abrir mão de histórias nacionais.

O projeto envolve animação, dublagem, música e mangá dentro de uma mesma estratégia.

A combinação também pode ajudar a ampliar as possibilidades para criadores brasileiros que desejam trabalhar com o gênero.

A história de Leo e Bia funciona como porta de entrada para essa experiência. O romance e os games oferecem uma narrativa acessível, enquanto a produção aposta em técnicas que remetem diretamente ao universo dos animes.

A pré-estreia em Niterói será o primeiro contato do público com o resultado desse processo.

Para quem acompanha a cultura geek e a animação brasileira, o lançamento também permite observar como um estúdio nacional está tentando adaptar uma metodologia japonesa a uma produção com identidade própria.

Serviço

Pré-estreia de Essa Mina é Game Over (EMEGO)

Data: 12 de setembro de 2026
Evento: Niterói Expo Geek
Produção: Noches Produções
Formato: minissérie de anime
Episódios: 6 episódios de aproximadamente 5 minutos cada

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