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Cinema e StreamingCrítica

Lanternas: episódio 5 perde força, mas entrega final espetacular

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 14 de setembro de 2026
7 Min Leitura
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Lanternas chega ao quinto episódio mantendo uma das características que mais têm funcionado na série: a construção cuidadosa da relação entre John Stewart e Hal Jordan. O problema é que, justamente quando a produção parecia preparar um capítulo maior, com grandes batalhas, a expectativa criada pelos episódios anteriores e pelo trailer acaba pesando contra o resultado.

O episódio não é ruim. Ele avança pontos importantes da investigação e oferece momentos que tem consequências para os protagonistas. Ainda assim, entre os cinco capítulos lançados até aqui, é o que menos empolga.

Parte da frustração vem da sensação de que a história prometia uma escala maior. Depois de quatro episódios que foram construindo mistérios, personagens e conflitos, era natural esperar que o quinto capítulo entregasse uma explosão narrativa. Isso acontece apenas parcialmente.

O grande destaque está no final, quando John Stewart finalmente toma uma decisão que muda a dinâmica da história. A sequência reforça a personalidade do personagem e mostra que ele está começando a pensar por conta própria, sem simplesmente seguir as escolhas de Hal ou ordens da Guardiã.

É também nesse momento que o episódio encontra sua melhor força dramática.

John é, provavelmente, o personagem que mais ganha com o episódio. A relação com Hal continua complicada, mas agora existe uma ruptura mais evidente na confiança entre os dois.

As atitudes de Hal Jordan tornam o conflito ainda mais interessante. Seu encontro com Sinestro e algumas de suas decisões revelam um personagem cada vez mais difícil de compreender.

Há uma dose de egoísmo nas escolhas de Hal que acaba cobrando seu preço. Ele parece acreditar que sabe qual é o melhor caminho, mesmo quando suas decisões afetam diretamente outras pessoas.

John, por outro lado, começa a questionar esse comportamento.

É uma evolução importante para o personagem porque evita que sua trajetória fique restrita à posição de aprendiz. Ele começa a demonstrar autonomia justamente quando a parceria com Hal se torna mais problemática.

O episódio trabalha bem essa tensão, cujo auge é a briga entre eles, uma das melhores sequências do episódio.

O problema dos alienígenas

Um dos pontos que mais incomodam é a representação dos personagens alienígenas.

Em determinados momentos, fica difícil ignorar que muitos deles praticamente não apresentam características visuais que os diferenciem de humanos. Isso tira parte da sensação de que estamos diante de um universo de ficção científica maior.

A questão fica ainda mais evidente porque Lanternas trabalha com personagens que deveriam transmitir uma sensação de poder e estranheza.

Não é necessário transformar cada alienígena em uma criatura cheia de efeitos digitais. Mas a série precisa encontrar soluções visuais que façam aquele universo parecer maior do que uma história policial ambientada em uma pequena cidade.

E é justamente aí que o orçamento parece pesar.

A produção continua apostando mais na atmosfera, nos diálogos e no desenvolvimento dos personagens do que em grandes cenas de ação. Essa escolha funciona na maior parte do tempo. E gosto disso.

No quinto episódio, porém, algumas sequências pediam uma escala maior.

A cena de combate envolvendo Hal é um dos exemplos. A luta tem importância para a história, mas sua execução visual não acompanha completamente o peso que a situação deveria ter.

A sequência na fumaça é problemática. A baixa visibilidade não contribui para aumentar a tensão. Em alguns momentos, torna a ação confusa e diminui o impacto do confronto. Parece videogame, mas não de uma forma positiva.

É uma pena porque a série vinha construindo uma expectativa de que seus momentos de ação poderiam crescer conforme a investigação avançasse.

Outro detalhe que começa a incomodar é a frequência com que o anel descarrega. A ideia pode funcionar narrativamente, mas quando o recurso aparece repetidamente, começa a parecer mais uma maneira de controlar o que os personagens conseguem fazer do que uma característica orgânica daquele universo.

Hal Jordan é um dos pontos mais interessantes

Apesar das críticas, Kyle Chandler continua entregando um Hal Jordan bastante interessante.

O personagem está longe de ser apresentado como um herói perfeito. Ele é arrogante, experiente, impulsivo e, em determinados momentos, parece colocar suas próprias convicções acima de tudo.

Isso cria uma dinâmica interessante com John.

A questão é que algumas decisões de Hal chegam ao limite da irresponsabilidade. O episódio deixa claro que suas escolhas têm consequências e que John não está mais disposto a simplesmente aceitar tudo.

A relação entre os dois continua sendo um dos principais motivos para acompanhar Lanternas.

O quinto episódio funciona como capítulo de transição, mas parece menor do que deveria.

Depois de quatro episódios que conseguiram construir uma expectativa crescente, a sensação é de que Lanternas poderia ter aproveitado melhor este momento para entregar algo realmente grandioso.

Ainda assim, há elementos importantes. A investigação avança, a relação entre os protagonistas muda e o final cria uma boa expectativa para o próximo capítulo.

Por isso, a avaliação não é negativa, mas fiquei com certo sabor de frustração.

Lanternas continua sendo uma série que merece atenção, principalmente pela forma como está desenvolvendo John Stewart e Hal Jordan. O problema é que, neste episódio específico, a ambição da história parece maior do que aquilo que a produção consegue entregar visualmente.

O resultado é um capítulo irregular, com bons momentos dramáticos, algumas decisões interessantes e um final que recupera boa parte da força perdida durante o episódio.

Nota: 6/10

O quinto episódio não chega a comprometer a série, mas é, até aqui, o capítulo mais fraco de Lanternas. O próximo tem a missão de recuperar a intensidade que a produção vinha construindo.

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PorAlvaro Tallarico
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ com experiência em Jornalismo Esportivo. Autor dos livros "O que é Arte? Com a palavra, o artista", "A Paulistana de Ganesha", e outros.

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