Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Cultura e Arte
  • Literatura e HQs
  • Música
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Cultura e Arte
  • Literatura e HQs
  • Música
  • Turismo
Gianni Di Gregorio em cena de "Querendo ou Não"- Divulgação Imovision
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Querendo ou Não’ é confortável coming of age tardio

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 18 de setembro de 2026
6 Min Leitura
Share
Gianni Di Gregorio em cena de "Querendo ou Não"- Divulgação Imovision
SHARE

Dirigido por Gianni Di Gregorio, Querendo ou Não é o famoso filme-conforto bem feito: traz risadas genuínas e um arco simples em uma produção que, acima de tudo, faz você se sentir bem

Existem algumas produções, principalmente entre os filmes europeus independentes, cujo maior mérito não está necessariamente na narrativa, mas na maneira como fazem você se sentir antes, durante e depois da sessão. Se você assiste a uma cena fofa e, seis meses depois, ainda se lembra dela e recupera exatamente aquele sentimento, então o filme cumpriu sua função. Querendo ou Não é exatamente isso.

Acima de tudo, a história é básica e tradicional. O público já está familiarizado com filmes sobre velhinhos solitários, felizes dentro de uma solitude confortável, mas que encontram um novo caminho para a vida por meio do contato com uma família distante. Sob a direção, roteiro e atuação de Gianni Di Gregorio, acompanhamos um professor aposentado tão satisfeito com sua rotina milimetricamente orquestrada que não toma iniciativa sequer para sair com a mulher de quem gosta. Até que sua filha, Sofia, e os netos invadem sua casa e, querendo ou não, ele precisa se adaptar, e acima de tudo, evoluir.

Em paralelo ao caos que toma conta da casa do professor, acompanhamos a jornada de Helmut, ex-marido de Sofia. Arrependido de ter traído a mulher, ele inicia uma peregrinação de mais de mil quilômetros como forma de provar seu amor. É justamente nesse arco que surgem alguns dos melhores momentos da produção, principalmente pela atuação de Tom Wlaschiha, que acrescenta carinho e empatia a um personagem que muitas outras obras provavelmente tratariam como mera peça secundária.

Gianni Di Gregorio em cena de "Querendo ou Não"- Divulgação Imovision

Gianni Di Gregorio em cena de “Querendo ou Não”- Divulgação Imovision

Mas Di Gregorio se importa, e muito. Sequências de Helmut observando as montanhas nevadas, admirando os santos dentro de uma igreja ou simplesmente caminhando ao lado do lobo Stern, funcionam como um suspiro diante da verborragia do arco do professor com sua família. Essa jornada poderia, inclusive, sustentar um filme inteiro por si só. Porém, essa não parece ser a intenção de Di Gregorio. O cineasta está mais interessado em construir um filme-conforto sobre crescer, mesmo quando a vida já deveria estar chegando ao seu último capítulo.

Será que podemos considerar Querendo ou Não um coming of age tardio? Sim, acredito que sim. A evolução de um velho professor que finalmente se abre novamente para o mundo traz aquele inevitável aquecimento no coração. Ele não cozinhava para si mesmo, não limpava a casa e vivia imerso dentro do próprio universo. De repente, precisa aprender a fazer tudo isso. Seus amigos dizem que ele envelheceu dez anos, mas talvez tenha acontecido justamente o contrário: ele encontrou um propósito.

As tramas paralelas que se afastam de Helmut ou do professor, entretanto, dificilmente possuem o mesmo apelo. Os encontros frustrados de Sofia com homens do passado funcionam mais como episódios isolados e cômicos, enquanto o interesse de Olga pelo jovem da padaria entrega somente outro daqueles momentos de “olha, que fofo” nos quais o filme é especialista.

Tom Wlaschiha em cena de "Querendo ou Não"- Divulgação Imovision

Tom Wlaschiha em cena de “Querendo ou Não”- Divulgação Imovision

Não é preciso muito para simpatizarmos com esses personagens. A trilha sonora marcante, que me remeteu à música de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2002, Jean-Pierre Jeunet), contribui bastante para isso, assim como uma fotografia baseada em um naturalismo quase contemplativo. Querendo ou Não tenta, a todo momento, nos fazer acreditar que acontecimentos aparentemente pequenos podem realmente acontecer e transformar a vida de alguém. E por que não poderiam?

Perto do final, justamente quando tudo deveria caminhar para uma grande conclusão, a produção não apresenta uma catarse enorme nem um arco de redenção particularmente grandioso. Tudo simplesmente se resolve. E talvez essa seja a questão que mais tenha ecoado em mim: tudo é morno demais. Mesmo nos momentos mais intensos, a sensação é de que os acontecimentos permanecem pequenos e não provocam, fora daquele núcleo familiar, o impacto que poderiam ter. O resultado é confortável e cômico em determinados momentos, mas não necessariamente memorável ou capaz de permanecer conosco por muito tempo.

Ainda assim, é sempre divertido assistir a um filme cujo principal objetivo é fazer você sentir e se identificar com seus personagens. Talvez você saia da sessão e ligue para o pai ou o avô que está distante e solitário. Talvez encontre a coragem necessária para mudar de vida. Ou talvez apenas ria, se divirta e vá embora um pouco mais leve. De qualquer forma, Querendo ou Não cumpriu sua função.

Distribuído pela Imovision, Querendo ou Não estreia exclusivamente no Reserva Cultural em 17 de setembro de 2026.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Oasis: Don’t Look Back In Anger’ transforma o caos dos Gallagher em bíblica história de redenção
  • Crítica: ‘Resident Evil’ transforma o público em jogador, e esta é sua maior força
  • Crítica: ‘Morte e Vida Madalena’ celebra o caos e a resistência do cinema independente brasileiro
Tags:Cinemacinema italianoComing of agecríticacrítica Querendo ou NãoDestaque no ViventeFilme confortofilmesfilmes italianosGianni Di GregorioimovisionQuerendo ou NãoQuerendo ou Não filmereserva culturalTom Wlaschiha
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

Cinema e StreamingSéries

Ted Lasso: 4ª temporada tem mudanças inesperadas; entenda

Redação
2 Min Leitura
Cena de "Buenos Aires"- Distribuição ArtHouse
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘BuenosAires’ encontra beleza no cotidiano de uma pequena cidade

André Quental Sanchez
5 Min Leitura
A maldição da mansão bly
CríticaSéries

A Maldição da Mansão Bly | Depois da Residência Hill, uma moradia de romance e drama

Sérgio Menezes
3 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?