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Maurício Manfrini, Mariana Xavier e Alexandre Lino em cena de "Marido de Aluguel"- Divulgação Imagem Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Marido de Aluguel’ encontra sua principal força no caos e no absurdo

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 20 de setembro de 2026
6 Min Leitura
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Maurício Manfrini, Mariana Xavier e Alexandre Lino em cena de "Marido de Aluguel"- Divulgação Imagem Filmes
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Dirigido por Paulo Fontenelle, Marido de Aluguel abraça as piadas rápidas e o carisma de seu elenco em favor de uma narrativa assumidamente caótica, transformando justamente sua falta de profundidade em uma de suas maiores forças

Uma das questões mais importantes dentro de um filme é o tom. Uma produção pode apostar na comédia, no terror, no drama ou na mistura entre diferentes gêneros, mas precisa entender qual caminho pretende seguir. Quando o filme acredita na própria proposta, a audiência também consegue compreendê-la e embarcar nela, mesmo que aquele estilo não dialogue diretamente com seus gostos.

Marido de Aluguel sabe exatamente o que pretende ser. Assumidamente uma comédia, aposta no humor físico, nas piadas rápidas e em uma sucessão de gags que nem sempre são originais, mas funcionam pelo grau de absurdo que alcançam. Não existem grandes arcos dramáticos ou transformações significativas para seus personagens. Acompanhamos apenas um recorte de suas vidas, pouco mais de um dia, e o filme parece confortável em não transformar esse momento em algo maior.

A história gira em torno de Vadeco, interpretado por Mauricio Manfrini, um faz-tudo de bom coração que precisa vestir a máscara de herói depois de se envolver na vida íntima de uma família complicada. A premissa é simples, e a própria produção sabe disso. Auxiliada por uma grandiosa trilha sonora, constrói uma atmosfera de heroísmo e aventura que os personagens estão longe de possuir. É justamente nesse contraste que nasce boa parte da comicidade: Vadeco não é um herói de ação, mas encara situações cada vez mais absurdas para ajudar pessoas que acabou de conhecer.

Maurício Manfrini em cena de "Marido de Aluguel"- Divulgação Imagem Filmes

Maurício Manfrini em cena de “Marido de Aluguel”- Divulgação Imagem Filmes

Embora Manfrini esteja completamente confortável no papel, o destaque fica com Heitor Martinez como Roger. Ex-presidiário que deseja fugir do país com a filha, o personagem protagoniza alguns dos melhores momentos por tratar cada absurdo com absoluta seriedade. Martinez entende que, diante de uma situação completamente descabida, a melhor reação é agir como se tudo fosse perfeitamente normal, algo que remete diretamente ao humor de Leslie Nielsen.

O humor nasce, portanto, do absurdo e da paródia. De Um Morto Muito Louco (1989, Ted Kotcheff) a um final descaradamente inspirado em Esqueceram de Mim (1990, Chris Columbus), a produção se diverte empilhando uma piada sobre a outra. Não existe preocupação em transformar cada situação em uma reflexão profunda. Marido de Aluguel tem profundidade de um pires, e parece saber disso. Sua proposta é colocar personagens caricatos em situações cada vez mais caóticas e observar o que acontece.

É justamente por isso que a maior crítica possível ao filme também se transforma em uma de suas maiores forças: ele é raso. Muito raso. Não está interessado em jornadas, grandes arcos ou em transformar seu pequeno caos em um épico emocional. Ele quer ser caos, puro e simples. E, embora nem todas as piadas funcionem e algumas se prolonguem mais do que deveriam, o carisma do elenco sustenta a experiência.

Nesse sentido, Marido de Aluguel me fez rir muito mais do que produções nacionais recentes como Minha Melhor Amiga (2026, Susana Amaral). Enquanto a produção de Ingrid Guimarães busca equilibrar o humor com uma camada dramática mais evidente, Fontenelle abraça desde o princípio a paródia dos filmes de ação épicos norte-americanos. O contraste entre a grandiosidade da linguagem e a absoluta falta de grandiosidade dos personagens cria uma chave cômica mais direta.

Maurício Manfrini, Mariana Xavier e Alexandre Lino em cena de "Marido de Aluguel"- Divulgação Imagem Filmes

Maurício Manfrini, Mariana Xavier e Alexandre Lino em cena de “Marido de Aluguel”- Divulgação Imagem Filmes

Seja com personagens assistindo a frangos de padaria girando na televisão por preguiça de mudar de canal, seja com a confusão no motel, a sexualidade reprimida do segurança ou a clássica sequência das sombras sexuais, o filme entende que não precisa justificar cada absurdo. Basta conduzi-lo até o próximo.

Ao final, Marido de Aluguel não pretende revolucionar a comédia brasileira ou apresentar personagens complexos. Sua ambição é menor, e justamente por isso consegue cumprir tão bem aquilo que promete: um filme para se deixar levar pelo caos, rir e, de preferência, assistir acompanhado.

Distribuído pela Imagem Filmes, Marido de Aluguel chega aos cinemas no dia 24 de setembro.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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