Uma oportunidade de fazer um show, um grupo de artistas reunido em Ipanema e canções que não seguiam exatamente as regras do rock daquele momento. A combinação ajudou a criar a Blitz em 1981. Agora, essa história vai ganhar uma versão ficcional para o cinema.
A ELO Studios e a Produtora Viralata desenvolvem, em coprodução, um longa-metragem inspirado na formação e ascensão da banda. Paulo Fontenelle, responsável pelo documentário Blitz, o Filme, assume a direção. L.G. Bayão e Evandro Mesquita assinam o roteiro.
O projeto pretende voltar à efervescência cultural do Rio de Janeiro no começo dos anos 1980. Música, teatro, humor e as relações entre os integrantes estarão no centro da narrativa.
Mais do que acompanhar o surgimento de sucessos, o filme pretende mostrar as pessoas por trás da Blitz e os efeitos provocados pela rápida transformação de um grupo de amigos em fenômeno nacional.
A história começa em Ipanema, em 1981. Com a interrupção das atividades do grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, Evandro Mesquita se encontra sem trabalho e diante de um futuro incerto.
Uma oportunidade inesperada de realizar um show muda o rumo da história.
Evandro procura o amigo e parceiro musical Ricardo Barreto e reúne músicos para apresentar canções que escapavam das convenções daquele período. As letras faladas, o humor, os personagens e a interação entre palco e público começam a formar uma identidade própria.
É nesse ambiente que nasce a Blitz.
A combinação entre rock e teatro se tornaria uma das principais características do grupo. Em vez de separar interpretação, música e humor, a banda incorporava esses elementos à própria estrutura das apresentações.
O longa pretende justamente explorar esse processo de criação.
“A Blitz tem uma mistura de música, teatro e humor que pede cinema. Queremos levar essa energia para a tela e aproximar o público das pessoas que estavam por trás das canções”, afirma Gabriel Corrêa e Castro, da Produtora Viralata.
Segundo ele, a amizade entre Evandro Mesquita e Ricardo Barreto terá papel fundamental na narrativa.
“Dois amigos que criam algo extraordinário juntos e precisam lidar com tudo o que esse sucesso transforma entre eles”, completa.
Amizade entre Evandro Mesquita e Ricardo Barreto move a história da Blitz
A relação entre os dois músicos aparece como um dos principais eixos dramáticos do projeto.
A cumplicidade ajuda a impulsionar a formação da Blitz. Porém, o crescimento da banda modifica também as relações entre seus integrantes.
O sucesso traz novas exigências, pressões e disputas por reconhecimento. O longa pretende acompanhar justamente o contraste entre a liberdade do início e as consequências da fama.
Nesse percurso também aparece Patricya Travassos, parceira criativa importante na concepção dos espetáculos e na construção da linguagem teatral associada ao grupo.
Amizade, ambição, pertencimento e reconhecimento entram, portanto, na história junto com a música.
“A história da Blitz reúne uma força musical que atravessa gerações e conflitos que continuam próximos do público: amizade, ambição, reconhecimento e pertencimento”, afirma Sabrina Nudeliman Wagon, sócia e CEO da ELO Studios.
Para a produtora, o projeto pode dialogar tanto com quem acompanhou a Blitz naquele período quanto com gerações posteriores.
“Vemos nesse encontro uma grande oportunidade de cinema popular, capaz de emocionar quem viveu aquela época e despertar a curiosidade de quem vai descobrir esse universo agora”, acrescenta.
O projeto também representa o retorno de Paulo Fontenelle ao universo da banda.
O cineasta dirigiu Blitz, o Filme, documentário produzido pela Viralata e apresentado no Festival do Rio de 2019.
Agora, a história será trabalhada em outro formato.
Enquanto o documentário investigava a trajetória do grupo a partir de uma perspectiva documental, o novo projeto aposta na ficção para reconstruir os encontros, relações e conflitos envolvidos no nascimento e crescimento da Blitz.
A experiência anterior também aproxima Fontenelle da história e dos integrantes da banda. A nova produção dá continuidade à parceria do diretor com a Viralata.
O Rio dos anos 1980 não aparece apenas como cenário. A cidade participa diretamente da construção proposta pelo filme.
Ipanema, a praia, o teatro e a cena musical daquele período formam o ambiente onde os personagens se encontram e experimentam novas maneiras de criar.
É desse cruzamento que a produção pretende extrair parte de sua identidade visual e musical.
A proposta é recuperar um momento no qual diferentes linguagens artísticas circulavam juntas. No caso da Blitz, essa mistura se transformou em elemento fundamental para a personalidade da banda.
O longa pretende acompanhar desde os encontros que possibilitaram sua criação até as mudanças provocadas pela fama, sem abandonar o humor e a música associados ao grupo.
Ainda não há atores anunciados para interpretar Evandro Mesquita, Ricardo Barreto, Patricya Travassos e os demais personagens envolvidos na história.
O projeto está atualmente em fase de desenvolvimento. ELO Studios e Produtora Viralata ainda divulgarão o elenco e o calendário de produção.
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