Existe um Rio de Janeiro que costuma ficar fora dos roteiros culturais mais conhecidos. Em Santa Cruz, na Zona Oeste, ruas, construções e patrimônios preservam histórias que atravessam diferentes períodos da formação da cidade.
É nesse território que o Rolé Carioca realiza uma nova caminhada neste sábado, 26 de setembro. O passeio gratuito começa às 10h, na Praça Zeppelin, próximo à Estação de Trem Santa Cruz.
O roteiro propõe uma imersão pela história do bairro, passando por vestígios indígenas, patrimônio imperial, memória ferroviária e construções relacionadas ao desenvolvimento econômico e urbano da região.
A edição conta com a participação de Andressa Lobo, idealizadora do projeto Descubra Santa Cruz RJ. A proposta é aproximar moradores e visitantes de pessoas, iniciativas e espaços que ajudam a preservar a memória local.
O percurso parte de uma perspectiva de educação patrimonial e aborda diferentes períodos da formação de Santa Cruz.
Antes da colonização portuguesa, a região já era ocupada por povos sambaquieiros e povos originários de língua Tupi-Guarani. A presença indígena também aparece na própria toponímia local, como no nome Pindaré.
A caminhada passa ainda pela formação da Fazenda de Santa Cruz e pela presença jesuítica. O roteiro aborda também o trabalho de pessoas indígenas e negras escravizadas e as transformações provocadas pela chegada da família imperial.
Outro capítulo importante está relacionado à ferrovia e ao desenvolvimento econômico e urbano de Santa Cruz.
Segundo Isabel Seixas, idealizadora do Rolé Carioca, conhecer o bairro ajuda a ampliar a percepção sobre a própria história da cidade.
“Dar um Rolé para Santa Cruz é uma forma de ampliar o mapa afetivo e histórico do Rio”, afirma.
Patrimônios no caminho
O trajeto inclui diferentes espaços e construções que ajudam a reconstruir a trajetória de Santa Cruz.
Entre os destaques está o Marco Imperial Onze, remanescente da antiga Estrada Real de Santa Cruz. O percurso também passa pela Fonte Wallace, localizada na Praça Dom Romualdo.
Outro ponto é a antiga residência de Júlio Cesário de Melo, atualmente dedicada à educação, à cultura e à leitura.
A Rua Pindaré e a Nave do Conhecimento Tim Lopes também fazem parte do roteiro. A caminhada inclui ainda a Capela São Jorge, no Largo do Bodegão.
O público conhecerá também a Escola Técnica Estadual Santa Cruz (FAETEC), instalada no antigo complexo do Matadouro Público, além da Vila Histórica do Matadouro.
O percurso termina passando pelo Palacete Princesa Isabel, antigo edifício administrativo do matadouro e atualmente espaço de preservação da memória e de atividades culturais.
Projeto valoriza memórias locais
A edição conta com a parceria do Descubra Santa Cruz RJ, projeto criado por Andressa Lobo, guia de turismo e produtora cultural.
A parceria busca dar visibilidade a iniciativas e projetos que já atuam no território. A ideia é aproximar o público de moradores e profissionais que pesquisam, trabalham e preservam a história do bairro.
Para Isabel Seixas, a caminhada também permite observar como diferentes grupos participaram da construção de Santa Cruz.
“Nosso convite é para que as pessoas caminhem, escutem essas histórias e percebam que patrimônio não é apenas aquilo que está nos livros ou nos cartões-postais”, afirma.
O Rolé Carioca propõe, assim, uma leitura da cidade a partir de territórios que nem sempre aparecem nos roteiros turísticos tradicionais.
Serviço
Rolé Santa Cruz
Data: 26 de setembro de 2026
Horário: 10h
Ponto de encontro: Praça Zeppelin, próximo à Estação de Trem Santa Cruz
Ponto de encontro extra: Bilheteria da Central do Brasil, às 8h, para o trem das 8h22
Entrada: gratuita
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