Espetáculo retorna ao Rio para curta temporada e acompanha a trajetória de Agar e Ismael em meio ao deserto, ao abandono e à luta por existência
Uma mulher, um filho e um deserto. É nesse cenário de escassez e sobrevivência que Agar constrói uma história sobre liberdade, ancestralidade e os padrões que tentam determinar o destino de uma pessoa. O espetáculo retorna aos palcos do Rio de Janeiro para uma curta temporada de 1º a 3 de outubro, no Teatro Correios Léa Garcia.
Descrita no Corão, na Bíblia e na Torá como mãe de Ismael, considerado patriarca do povo árabe, Agar aparece na montagem como uma mulher livre, guiada por sua ancestralidade e por sua própria compreensão de mundo.
A peça acompanha a passagem de Agar e Ismael pelo deserto. Sem água e comida e diante da possibilidade de morte, a personagem precisa enfrentar uma situação limite enquanto reivindica o direito de existência para o filho e seus descendentes.
A narrativa parte dessa história milenar para estabelecer relações com questões culturais e políticas contemporâneas. O território, nesse contexto, deixa de ser apenas um espaço físico e passa a ser entendido como parte da própria existência de um povo.
“Todos os povos têm direito de existir. As comunidades originárias têm o direito ao espaço em que vivem”, afirmam os responsáveis pelo espetáculo. A montagem parte ainda da ideia de patrimônio imaterial para discutir como um território pode ser fundamental para o assentamento existencial de uma comunidade.
Agar é interpretada por Tatiana Henrique, enquanto Hebert Said vive Ismael e Sheila Martins interpreta DeusA. A montagem é produzida pela Obalufônica, coordenada por Tatiana e Hebert, que atua há cerca de 25 anos em ações artísticas e educativas.
O grupo também desenvolve pesquisas relacionadas às linguagens culturais africanas, afro-brasileiras, dos povos originários brasileiros e indianas. Entre suas criações estão ??r??, Contos de Orí, Ògún pèlé o! e Nuang, caminhos da liberdade.
Para Tatiana Henrique, a história de Agar também representa uma aproximação com diferentes origens e experiências culturais.
“Sempre conversamos sobre o quanto é importante saber sobre as nossas origens para tanto nos entender intimamente quanto a questões sociais e políticas. Eu pesquiso teatro negro, Hebert é neto de refugiados sírios que aqui se juntaram com indígenas e pretos também. Essa história é como um reencontro nosso com África e Ásia, pretos e árabes. Isso faz muito sentido pra gente”, afirma.
Acessibilidade faz parte da linguagem do espetáculo
As três apresentações contam com recursos de acessibilidade. LIBRAS e audiodescrição integram a montagem como elementos da própria linguagem cênica.
“Consideramos que a LIBRAS é uma das línguas ancestrais, então apostamos nisso como uma surpresa cênica para o público”, explica a equipe.
A dramaturgia utiliza português, copta e árabe. As legendas também integram o espaço cênico, atendendo pessoas surdas que não utilizam LIBRAS e, ao mesmo tempo, podendo ser acompanhadas pelo público em geral.
A temporada conta ainda com sessões com audiodescrição aos domingos, ampliando o acesso à montagem durante sua passagem pelo Teatro Correios Léa Garcia.
Com apenas três apresentações, Agar propõe revisitar uma personagem presente em diferentes tradições religiosas para discutir questões que continuam atravessando sociedades contemporâneas: pertencimento, território, ancestralidade, liberdade e o direito de existir.
Serviço
Espetáculo: Agar
Local: Teatro Correios Léa Garcia
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro
Temporada: 1º a 3 de outubro
Horários: quintas e sextas, às 19h; sábados, às 16h e 19h
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação: 12 anos
Instagram: @obalufonica
Ingressos: disponíveis pela plataforma informada pela produção.
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