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Copa do Mundo Feminina de 2027 pode movimentar R$ 8,8 bilhões e impulsionar o futebol brasileiro

Por Caroline Teixeira
Última Atualização 13 de outubro de 2026
11 Min Leitura
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Tópicos
  • Futebol feminino cresce e demanda investimentos contínuos
  • Plano de legado busca ampliar os efeitos do Mundial
  • Leis de incentivo fiscal ampliam as possibilidades de financiamento
  • Governança é essencial para atrair empresas e patrocinadores
  • Copa de 2027 pode deixar resultados para além dos estádios
  • Quem é Rafaella Krasinski?
  • Leia mais

Especialista aponta como leis de incentivo fiscal, planejamento e governança podem transformar a visibilidade do Mundial em investimentos permanentes para clubes, categorias de base e projetos sociais

A Copa do Mundo Feminina de 2027 pode representar um marco para o futebol brasileiro dentro e fora de campo. Segundo estudo da FGV Projetos, encomendado pela Embratur, o torneio deve movimentar R$ 8,8 bilhões na economia nacional, acrescentar R$ 3,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

A competição será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Além de atrair torcedores, turistas e patrocinadores, o Mundial abre uma oportunidade para ampliar o financiamento do futebol feminino e fortalecer estruturas que precisam funcionar durante todo o ano.

O desafio é transformar a visibilidade de um evento internacional em recursos capazes de sustentar clubes, categorias de base, formação de atletas e iniciativas sociais. Para Rafaella Krasinski, advogada especialista em Direito Empresarial e integrante da Assessoria Talento, esse processo depende de projetos bem estruturados, mecanismos de financiamento e transparência na gestão.

“A Copa reúne público, empresas, patrocinadores e poder público em torno do futebol feminino. Se essa mobilização estiver acompanhada de projetos estruturados, fontes de recursos bem definidas, indicadores e governança, existe uma oportunidade concreta de ampliar o desenvolvimento da modalidade por muitos anos”, afirma.

Futebol feminino cresce e demanda investimentos contínuos

A expansão das competições nacionais ajuda a dimensionar os desafios para os próximos anos. De acordo com os dados apresentados no material, entre 2021 e 2026, o número de competições nacionais adultas e de base organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) passou de seis para nove.

No mesmo período, a quantidade de clubes participantes aumentou de 58 para 79. O número de partidas também cresceu, passando de 398 para 712, uma alta de aproximadamente 79%.

Para o ciclo de 2024 a 2029, a CBF projeta mais de R$ 685 milhões em investimentos nas competições femininas. Os números indicam a ampliação da estrutura esportiva, mas também evidenciam a necessidade de recursos para manter equipes, organizar viagens, remunerar profissionais e desenvolver atletas.

Na avaliação de Rafaella, o crescimento do calendário precisa vir acompanhado de planejamento financeiro. A manutenção de uma equipe envolve despesas que não se limitam aos dias de jogos, como treinamento, comissão técnica, logística, infraestrutura e formação de base.

“Quando aumenta o calendário, cresce também a necessidade de planejamento. São equipes que precisam manter atletas, comissão técnica, viagens, treinamentos e formação de base durante toda a temporada. A oportunidade está em aproximar essa demanda de empresas e mecanismos de incentivo capazes de financiar projetos com continuidade”, explica.

Plano de legado busca ampliar os efeitos do Mundial

A preparação para a Copa de 2027 também envolve iniciativas para garantir que os benefícios da competição ultrapassem o período de realização dos jogos.

O Ministério do Esporte trabalha na construção do Plano Nacional de Legado da Copa do Mundo Feminina. Segundo as informações divulgadas, o processo reúne ações interministeriais e recebeu 188 propostas individuais, além de contribuições de 23 encontros autogestionados.

O planejamento busca orientar iniciativas que ampliem os efeitos sociais e esportivos do Mundial. Entre os temas em discussão estão o desenvolvimento da modalidade e a possibilidade de fazer com que o interesse gerado pelo torneio alcance clubes, projetos de formação e ações de acesso ao esporte.

O Tribunal de Contas da União também determinou que o país organize objetivos estratégicos, fontes de financiamento e mecanismos de acompanhamento do legado da competição.

Para Rafaella, o conceito de legado precisa considerar mudanças concretas na estrutura do futebol feminino, e não apenas o sucesso do evento.

“O estádio cheio e o aumento da audiência são importantes, mas existe a possibilidade de ir além. Legado também pode ser uma menina que encontra uma categoria de base estruturada, um clube que consegue planejar a temporada seguinte ou uma iniciativa social que passa a atender mais pessoas porque encontrou uma fonte recorrente de financiamento”, afirma.

Essa transformação depende de organizações preparadas para receber e administrar recursos. Clubes, associações e institutos precisam definir objetivos, público beneficiado, orçamento, metas e cronogramas. Também devem estabelecer indicadores e mecanismos de prestação de contas.

A estruturação permite que empresas compreendam como o dinheiro será aplicado e quais resultados o projeto pretende alcançar. O trabalho não termina na captação: a execução, o acompanhamento e a comprovação dos resultados também são etapas fundamentais.

Leis de incentivo fiscal ampliam as possibilidades de financiamento

As mudanças nos mecanismos de incentivo fiscal podem ampliar as alternativas para financiar projetos esportivos no Brasil. A Lei Complementar nº 222, de 2025, estabeleceu um marco mais amplo para esses mecanismos, incluindo possibilidades relacionadas a tributos federais, estaduais e municipais, conforme a legislação aplicável.

Além do Imposto de Renda, utilizado no incentivo federal ao esporte, estados e municípios podem trabalhar com tributos como ICMS e ISS, de acordo com suas regras específicas.

Esses mecanismos permitem que empresas destinem recursos a projetos que atendam aos critérios legais. Entretanto, a existência dos incentivos não garante financiamento automático. As organizações precisam apresentar propostas adequadas às exigências de cada programa, com planejamento, orçamento, metas e prestação de contas.

No futebol feminino, os recursos podem apoiar diferentes etapas da trajetória esportiva. Projetos de iniciação, categorias de base, formação de atletas, participação em competições e iniciativas sociais podem se beneficiar de fontes de financiamento estruturadas.

“O financiamento pode acompanhar toda a trajetória esportiva. É possível estruturar uma iniciativa para quem está começando, apoiar atletas em formação e também equipes que já disputam competições de alto nível. A oportunidade está em criar projetos que deem continuidade a esse desenvolvimento”, explica Rafaella.

A especialista ressalta que a qualidade da proposta influencia a capacidade de atrair investidores. Projetos com objetivos claros, orçamento detalhado e indicadores de resultados permitem que empresas avaliem melhor o destino dos recursos e os benefícios esperados.

Governança é essencial para atrair empresas e patrocinadores

A ampliação das fontes de financiamento também aumenta a importância da governança. Para transformar o interesse pelo futebol feminino em investimentos duradouros, as organizações precisam demonstrar capacidade de gestão e transparência.

Isso inclui definir responsabilidades, controlar despesas, acompanhar metas e prestar contas sobre a aplicação dos recursos. A governança também ajuda a reduzir riscos e a construir relações mais consistentes entre clubes, patrocinadores, empresas e poder público.

A preparação deve começar antes da Copa. Organizações que estruturarem seus projetos com antecedência poderão aproveitar melhor o aumento da atenção sobre a modalidade e apresentar propostas alinhadas aos objetivos de possíveis financiadores.

“Quanto mais claro estiver o projeto, mais fácil é para uma empresa entender onde o dinheiro será aplicado e qual resultado aquele investimento pretende gerar. Não se trata apenas de captar. Existe todo um trabalho anterior de estruturar a proposta e outro posterior de executar, acompanhar e demonstrar o que foi entregue”, afirma a especialista.

Copa do Mundo Feminina de 2027 deve injetar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira e criar quase 74 mil empregos, aponta estudo

A proximidade do Mundial pode estimular novas parcerias, mas a continuidade dependerá da capacidade de manter os projetos ativos depois do encerramento da competição. O objetivo é evitar que o crescimento do interesse pelo futebol feminino se concentre apenas em 2027.

Copa de 2027 pode deixar resultados para além dos estádios

A realização do Mundial no Brasil coloca o futebol feminino diante de uma oportunidade para ampliar sua presença no mercado esportivo e atrair novos investimentos. O crescimento das competições nacionais, os recursos projetados pela CBF e a discussão sobre o legado criam condições para avançar nessa direção.

O resultado, porém, dependerá da articulação entre empresas, clubes, entidades esportivas e poder público. A estruturação de projetos, o uso adequado dos incentivos fiscais e a adoção de práticas de governança podem ajudar a converter a visibilidade da Copa em apoio financeiro de longo prazo.

“A Copa pode colocar o futebol feminino ainda mais em evidência e aproximar novas empresas da modalidade. Se clubes e organizações estiverem preparados para apresentar bons projetos e mostrar onde os recursos serão aplicados, esse interesse pode se transformar em investimento que continue depois da competição”, conclui Rafaella Krasinski.

Quem é Rafaella Krasinski?

Rafaella Krasinski é advogada especialista em Direito Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mestranda em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e possui MBA em Gestão de Projetos pela Universidade de São Paulo (USP).

Atua na estruturação jurídica e econômica de projetos incentivados, com foco em leis de incentivo ao esporte e na conexão entre empresas, políticas públicas e investimentos de impacto.

É vice-presidente da Comissão de Direito Empresarial e integrante da Comissão de Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável da OAB Paraná. Também desenvolve pesquisas em Direito e Economia, com foco na análise econômica do direito e em políticas públicas.

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Caroline Teixeira é estudante de Serviços Jurídicos e Notarial, Psicologia e Psicanálise, apaixonada por palavras, cultura e boas relações, acredita que a arte pode ser uma ótima ferramenta para a evolução da psique humana.

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