A menos de um ano da realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, o Brasil já começa a dimensionar os impactos econômicos que o torneio pode gerar. Um estudo elaborado pela FGV Projetos, a pedido da Embratur, estima que a competição movimentará R$ 8,8 bilhões na economia nacional, consolidando o Mundial como um dos maiores eventos esportivos da história recente do país.
Os números foram apresentados durante o Confut, principal encontro internacional de negócios e inovação do esporte, realizado em Nova York. Além da movimentação financeira, a pesquisa projeta a criação de 73,7 mil empregos diretos e indiretos, incremento de R$ 3,8 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e uma arrecadação tributária próxima de R$ 928 milhões.
O levantamento reforça que a Copa do Mundo Feminina deve produzir impactos que vão muito além dos gramados, impulsionando setores como turismo, hotelaria, transporte, gastronomia, comércio e entretenimento.
Segundo a Embratur, a dimensão econômica do torneio supera, sozinha, a soma dos principais eventos esportivos recorrentes realizados atualmente no Brasil.
De acordo com Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da agência, enquanto os dez maiores eventos esportivos nacionais movimentaram juntos cerca de R$ 4,56 bilhões em 2025, a Copa do Mundo Feminina deve praticamente dobrar esse valor.
“Quando olhamos para a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027, entendemos a verdadeira magnitude desse megaevento. Sozinhos, os impactos chegam a R$ 8,8 bilhões. Estamos falando de um único torneio que vai movimentar praticamente o dobro do valor gerado por todo o calendário de elite recorrente nacional”, destacou.
A expectativa reforça o potencial do futebol feminino como catalisador de investimentos e desenvolvimento econômico, especialmente após o crescimento da modalidade nos últimos anos.
Grande parte desse impacto virá diretamente da movimentação de turistas durante o período da competição.
O estudo estima que cerca de 2 milhões de pessoas, entre brasileiros e visitantes internacionais, circulem pelas cidades-sede ao longo do Mundial.
Somente esse fluxo deve gerar aproximadamente R$ 4,7 bilhões na economia.
Os recursos movimentados pelo turismo têm potencial para sustentar cerca de 45,7 mil empregos, distribuir R$ 2,4 bilhões em salários e rendimentos e gerar mais de R$ 516 milhões em arrecadação tributária.
Hotéis, restaurantes, bares, comércio, transporte urbano, companhias aéreas e atrações culturais aparecem entre os setores que devem registrar maior crescimento durante o torneio.
Organização da Copa do Mundo Feminina de 2027 também impulsiona investimentos
Além dos gastos realizados pelos torcedores, a própria preparação do evento representa uma importante fonte de movimentação econômica.
A pesquisa calcula que os investimentos ligados à organização da Copa movimentem aproximadamente R$ 4,1 bilhões.
O estudo parte do orçamento global da FIFA, estimado em US$ 800 milhões.
Como cerca de 43% desse valor será destinado às premiações internacionais das seleções, apenas a parcela investida diretamente na operação do torneio entra no cálculo dos impactos nacionais.
Na prática, isso representa cerca de R$ 2,3 bilhões aplicados em áreas como logística, segurança, infraestrutura, transmissões, tecnologia e serviços, sustentando aproximadamente 28 mil postos de trabalho.
Além dos efeitos econômicos imediatos, o estudo destaca ganhos importantes para a reputação internacional do país.
Segundo Luiz Gustavo Barbosa, professor da Fundação Getulio Vargas e coordenador da pesquisa, a realização do torneio coloca o Brasil em um grupo extremamente restrito de nações capazes de sediar os três maiores megaeventos esportivos do planeta em pouco mais de uma década.
Após receber a Copa do Mundo masculina em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, o país passará a integrar uma lista exclusiva de destinos reconhecidos pela capacidade de organizar competições globais de grande porte.
Para os pesquisadores, esse histórico fortalece o posicionamento brasileiro na disputa pela atração de futuros eventos internacionais e amplia seu potencial turístico.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é o perfil do público esperado para a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027.
Segundo dados da pesquisa Visa-Embratur, 48,6% dos turistas internacionais que visitam o Brasil são mulheres, com permanência média de 11 dias e gasto aproximado de US$ 1.317 por viagem.

Os principais destinos de consumo incluem praias, comércio, gastronomia e atividades culturais, ampliando os benefícios para pequenos e médios empreendedores espalhados pelas cidades-sede.
O estudo também cita uma pesquisa da Nexus em parceria com a CBF mostrando que 72% das mulheres brasileiras nunca frequentaram um estádio de futebol, enquanto 73% da população possui avaliação positiva da Seleção Brasileira Feminina.
Para os pesquisadores, essa combinação pode estimular novos públicos a acompanhar partidas presencialmente, ampliando o consumo esportivo e fortalecendo o futebol feminino no país mesmo após o encerramento da Copa.
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