A história de um dos nomes mais importantes do jornalismo brasileiro chega às telas com o documentário Mestre Zu. Dirigido por Zelito Viana, com codireção de Luciana Savaget, o filme revisita a trajetória pessoal, política e literária de Zuenir Ventura, jornalista, escritor, professor e integrante da Academia Brasileira de Letras. A estreia comercial acontece nesta quinta-feira, 22 de outubro, em cinemas de diferentes cidades brasileiras.
Com 70 minutos de duração, o documentário reúne depoimentos de familiares, amigos, artistas e colegas de profissão para reconstruir a vida de um repórter que atravessou mais de seis décadas de transformações no Brasil. Zuenir morreu em 22 de setembro de 2026, aos 95 anos, deixando uma obra marcada pelo rigor da apuração, pela sensibilidade literária e pela capacidade de interpretar a sociedade brasileira.
A primeira etapa de lançamento contempla Florianópolis, Niterói, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador. São Paulo recebe o filme a partir de 29 de outubro, enquanto as exibições em Belo Horizonte estão previstas para começar em 5 de novembro. A classificação indicativa é de 12 anos.
Nascido em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, Zuenir Ventura teve uma juventude marcada pelo trabalho e pelo esforço para continuar os estudos. Antes de construir uma carreira reconhecida nacionalmente, trabalhou como pintor de paredes, boy de banco e caixeiro de loja.
O documentário destaca a importância de sua mãe, que lavava batinas para ajudar a garantir uma bolsa de estudos para o filho em um colégio salesiano. Essa passagem ajuda a compreender as origens de uma trajetória construída a partir de oportunidades conquistadas com esforço e dedicação.
Depois de se mudar para o Rio de Janeiro para cursar Letras Neolatinas, Zuenir ingressou no jornalismo. Ao longo da carreira, trabalhou em algumas das redações mais importantes do país, entre elas as dos jornais Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo. Também passou pelas revistas O Cruzeiro, Veja, Época e IstoÉ.
A experiência em diferentes veículos acompanhou mudanças profundas na imprensa e na vida política brasileira. Mesmo após décadas de atuação, Zuenir preservou o perfil de repórter atento aos acontecimentos e às histórias individuais que ajudam a explicar questões coletivas.
A trajetória de Zuenir também se confunde com momentos decisivos da história recente do Brasil. O documentário recupera episódios de sua atuação profissional durante períodos de tensão política.
Essas experiências ajudam a contextualizar o olhar crítico que marcou sua produção jornalística. Zuenir acompanhou transformações políticas e sociais sem abandonar a atenção aos personagens e às consequências humanas dos acontecimentos.
Sua obra também ultrapassou as páginas dos jornais. Entre os livros mais conhecidos estão 1968 – O Ano Que Não Terminou, Chico Mendes, Cidade Partida e Inveja – Mal Secreto. Os trabalhos mostram a aproximação entre investigação jornalística e recursos narrativos da literatura, característica importante de sua produção.
Em 1968 – O Ano Que Não Terminou, o autor examinou um período de grande agitação política e cultural. Já Cidade Partida abordou as desigualdades e as divisões sociais do Rio de Janeiro. Em diferentes registros, Zuenir buscou compreender as contradições brasileiras por meio de histórias, personagens e contextos.
Amigos e colegas reconstroem o legado de Mestre Zu
O filme reúne depoimentos de pessoas que conviveram com Zuenir em diferentes momentos de sua vida. Entre os entrevistados estão jornalistas, escritores, artistas, familiares e companheiros de redação, que contribuem para apresentar aspectos pessoais e profissionais do homenageado.
Participam do documentário nomes como Ancelmo Gois, Fernando Gabeira, Míriam Leitão, Nelson Motta, Paulinho da Viola, Regina Zappa, Silvana Gontijo e Cacá Diegues, entre outros.
O apelido “Mestre Zu” expressa a maneira como Zuenir se relacionava com colegas de diferentes gerações. Sua postura, descrita como acolhedora e generosa, ajudou a consolidar sua imagem como referência para jornalistas mais jovens e profissionais que dividiram com ele as redações.
Ao reunir essas memórias, a produção procura mostrar não apenas a dimensão pública do jornalista, mas também as relações pessoais que fizeram parte de sua trajetória. Os relatos ajudam a compor um retrato de alguém que manteve a curiosidade e o compromisso com a reportagem durante mais de 60 anos de carreira.
Mestre Zu tem direção de Zelito Viana e codireção de Luciana Savaget. A produção é da Mapa Filmes do Brasil, responsável também pela distribuição em parceria com a Bretz Filmes. O projeto conta com coprodução da RioFilme, da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Prefeitura de Niterói, por meio da NAV Audiovisual, e da GloboNews.
O roteiro é assinado por Ana Madureira, Tereza Karabtchevsky e Ivan de Angelis, com consultoria de Mauro Ventura. Walter Carvalho responde pela direção de fotografia, enquanto a edição é de Ivan de Angelis e Magno Pinheiro, responsável também pelo corte final. A trilha sonora original é de Igor Lazier.
Com depoimentos e reconstruções de diferentes fases da vida do jornalista, o documentário chega aos cinemas como um registro de sua contribuição à imprensa e à cultura brasileira. A produção também preserva as lembranças de quem acompanhou sua trajetória, em um momento de despedida de uma figura que ajudou a interpretar o país por meio do jornalismo e da literatura.
Serviço
Mestre Zu
- Estreia: 22 de outubro de 2026
- Gênero: documentário
- Duração: 70 minutos
- Classificação indicativa: 12 anos
- Direção: Zelito Viana
- Codireção: Luciana Savaget
- Produção: Mapa Filmes do Brasil
- Distribuição: Mapa Filmes do Brasil e Bretz Filmes
- Cidades na primeira etapa: Florianópolis, Niterói, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador
- Estreia em São Paulo: 29 de outubro
- Estreia em Belo Horizonte: 5 de novembro
A disponibilidade e os horários das sessões devem ser consultados na programação dos cinemas de cada cidade.
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