O fotojornalismo brasileiro e seus desafios diante das transformações tecnológicas e sociais estarão no centro de um seminário gratuito no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Em 5 de novembro, o auditório da Cinemateca do museu recebe o Seminário Evandro Teixeira: O fotojornalismo hoje no Brasil e no exterior, com debates sobre a profissão, a preservação de arquivos históricos e a produção de imagens nas periferias.
Organizado pelo Instituto Moreira Salles (IMS), por meio do site Testemunha Ocular e de seu acervo de Fotografia, o encontro homenageia Evandro Teixeira, um dos principais nomes do fotojornalismo brasileiro. A programação terá quatro mesas de discussão ao longo do dia, além da exibição do documentário Evandro Teixeira. Instantâneos da realidade, dirigido por Paulo Fontenelle.
A agenda reúne profissionais com diferentes experiências na fotografia, no jornalismo, na pesquisa e na preservação de acervos. Entre os participantes estão a fotojornalista Gabriela Biló, o fotógrafo Rogério Reis, o jornalista Flavio Pinheiro e o pesquisador norte-americano Fred Ritchin, que participará remotamente.
O evento terá interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e tradução simultânea entre inglês e português na mesa internacional. A entrada é gratuita, mediante inscrição prévia, e as vagas são limitadas.
Homenagem destaca o legado de Evandro Teixeira
A trajetória de Evandro Teixeira orienta a primeira discussão do seminário. A mesa de abertura abordará o legado autoral na produção do fotojornalismo a partir da obra, da trajetória e do arquivo do fotógrafo.
Teixeira construiu uma carreira marcada por registros de acontecimentos políticos e sociais decisivos para a história brasileira. Entre suas imagens conhecidas está a fotografia da Passeata dos Cem Mil, realizada na Cinelândia, no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1968, durante a ditadura militar.
O debate contará com Flavio Pinheiro, Gabriela Biló e Rogério Reis, sob mediação de Mauro Ventura. A conversa pretende discutir a contribuição autoral dos fotógrafos e a importância de preservar seus registros para além da cobertura jornalística imediata.
Gabriela Biló é reconhecida pela cobertura política e pelos livros Juízo Final e A Verdade Vos Libertará. Por este último, venceu o Prêmio Jabuti em 2024. Também recebeu menção honrosa no World Press Photo naquele ano e o Prêmio Gabo em 2026. Atualmente, trabalha na Folha de S.Paulo.
Rogério Reis tem trajetória em veículos como Jornal do Brasil, O Globo e Veja, além de ter atuado como editor de fotografia do Jornal do Brasil entre 1991 e 1996. Já Flavio Pinheiro passou por redações como Veja e Estadão e dirigiu o Caderno B do Jornal do Brasil. Foi superintendente do Instituto Moreira Salles entre 2008 e 2020.
A mesa será mediada por Mauro Ventura, jornalista e editor do site Testemunha Ocular, plataforma do IMS dedicada à difusão e à preservação do fotojornalismo brasileiro.
Arquivos fotográficos ajudam a reconstruir a história do país
A segunda mesa discutirá a preservação e a difusão pública de arquivos fotográficos de imprensa. O debate terá como referência os acervos dos Diários Associados e do jornal Correio da Manhã, preservados, respectivamente, pelo Instituto Moreira Salles e pelo Arquivo Nacional.
Fotografias jornalísticas não documentam apenas acontecimentos isolados. Quando preservadas e contextualizadas, elas ajudam a reconstruir períodos históricos, identificar personagens e compreender transformações políticas, sociais e culturais.
Participam da conversa Alexandre Delarue, bibliotecário-conservador responsável pelo tratamento do arquivo dos Diários Associados no IMS; Maria do Carmo Rainho, historiadora e pesquisadora do Arquivo Nacional; e Mauro Ventura. A mediação será de Sergio Burgi, coordenador e curador de Fotografia do IMS.
A discussão também chama atenção para os desafios técnicos e institucionais envolvidos na conservação de documentos visuais. A organização, a catalogação e o acesso público aos acervos são fundamentais para que fotografias de imprensa continuem disponíveis a pesquisadores, jornalistas e à sociedade.
Fotógrafos das periferias ganham espaço no debate
A produção de fotógrafos ligados às periferias urbanas será o tema da terceira mesa. O encontro discutirá o papel dos profissionais de mídia alternativa que registram e produzem imagens a partir das próprias comunidades.
Participam Bruno Itan, Monara Barreto e Salém da Rocinha, com mediação de Barbara Copque, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisadora da fotografia e das periferias urbanas.
Nascido em Recife e criado no Complexo do Alemão, Bruno Itan começou na fotografia em 2008, em um curso ligado ao programa Memórias do PAC. Posteriormente, fundou o projeto Olhar Complexo, que oferece aulas gratuitas de fotografia a jovens de favelas do Rio e de outras regiões brasileiras.
Monara Barreto trabalha com o acervo fotográfico digital do programa Imagens do Povo, do Observatório de Favelas. Sua atuação envolve preservação da fotografia popular, memória e organização de acervos, com atenção à produção cultural dos espaços periféricos.
Salém da Rocinha, nome artístico de Kimberly Daniela Katrine, é fotógrafa, diretora e artista visual nascida na favela da Rocinha. Seu trabalho retrata o cotidiano da comunidade e busca ampliar as formas de representação das favelas, para além das imagens associadas à violência e à marginalização.
A conversa pretende discutir quem produz as imagens sobre as periferias, quais histórias ganham visibilidade e como fotógrafos que vivem nesses territórios constroem outras perspectivas sobre seus próprios espaços.
Transformações digitais desafiam a fotografia documental
A quarta mesa levará a discussão para o cenário internacional, com foco nas mudanças provocadas pela comunicação eletrônica, pelas novas tecnologias e pelas transformações da grande imprensa.
O convidado será Fred Ritchin, pesquisador e especialista em fotografia documental e fotojornalismo, que participará on-line. Reitor emérito da Escola do Centro Internacional de Fotografia, em Nova York, ele fundou o programa de Fotografia Documental e Fotojornalismo da instituição.
Ritchin também atuou como editor de fotografia da The New York Times Magazine entre 1978 e 1982. Sua pesquisa aborda os impactos da revolução digital sobre a produção e a circulação de imagens. É autor de The Synthetic Eye, publicado em 2025.
A mesa terá mediação de Sergio Burgi e contará com tradução simultânea entre inglês e português.
O debate fecha a sequência de conversas sobre autoria, memória, representatividade e tecnologia. Em um ambiente no qual imagens circulam rapidamente e podem ser alteradas por ferramentas digitais, a discussão sobre credibilidade, contexto e responsabilidade ganha importância para o jornalismo e para a fotografia documental.
Documentário encerra a programação
Às 19h, o seminário termina com a exibição de Evandro Teixeira. Instantâneos da realidade, documentário dirigido por Paulo Fontenelle.
Produzido no Brasil em 2004, o filme tem 76 minutos de duração e será exibido em película de 35 mm. A sessão retoma a trajetória do fotógrafo homenageado e complementa as discussões realizadas durante o dia.
A combinação entre debates e cinema oferece ao público diferentes formas de conhecer o trabalho de Evandro Teixeira e refletir sobre a importância da fotografia como registro histórico.
Serviço
Seminário Evandro Teixeira — O fotojornalismo hoje no Brasil e no exterior
- Data: quinta-feira, 5 de novembro de 2026
- Local: Auditório da Cinemateca do MAM Rio
- Endereço: Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro
- Entrada: gratuita, mediante inscrição prévia
- Vagas: limitadas
- Acessibilidade: interpretação em Libras; tradução simultânea inglês-português na mesa internacional
- Organização: Instituto Moreira Salles, por meio do site Testemunha Ocular e de seu acervo de Fotografia
- Organização e curadoria: Sergio Burgi e Mauro Ventura
Programação
- 9h: chegada
- 9h20: abertura
- 9h40 às 11h10: mesa 1 — O legado autoral na produção do fotojornalismo, a partir da trajetória, obra e arquivo de Evandro Teixeira
- 11h10 às 11h30: intervalo
- 11h30 às 13h: mesa 2 — Preservação e difusão pública dos arquivos fotográficos de imprensa
- 13h às 14h30: almoço
- 14h30 às 16h: mesa 3 — O papel dos fotojornalistas de mídia alternativa nas comunidades periféricas
- 16h às 16h20: intervalo
- 16h20 às 18h30: mesa 4 — Fotojornalismo e fotografia documental diante das transformações digitais
- 19h: exibição de Evandro Teixeira. Instantâneos da realidade, de Paulo Fontenelle (Brasil, 2004, 76 minutos)
Inscrições: gratuitas, com vagas limitadas, aqui.
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