O amor e suas contradições estarão no centro de um encontro entre a escritora e psicanalista Betty Milan, a filósofa Djamila Ribeiro e o jurista José Renato Nalini. A conversa acontece em 12 de novembro, às 17h30, na Academia Paulista de Letras, no centro de São Paulo. A entrada é gratuita, mediante confirmação.
Com o tema O amor e o machismo, o encontro propõe uma reflexão sobre a liberdade feminina nas relações afetivas. A discussão parte de uma questão recorrente na trajetória de Betty Milan: como o machismo interfere na experiência amorosa e limita a autonomia das mulheres.
“Nada é mais contrário ao sentimento amoroso do que o machismo”, afirmou a escritora em entrevista à revista Época, em 2019. A frase resume uma investigação que ela desenvolve há mais de quatro décadas.
O amor também envolve liberdade
Publicado originalmente em 1983, o livro O que é o amor apresenta parte das reflexões de Betty Milan sobre as relações entre sentimento, cultura e liberdade feminina. A autora recorre à literatura, à música popular e ao teatro para examinar comportamentos que subordinam as mulheres à vontade masculina.
Entre as referências está o poema Tragédia brasileira, de Manuel Bandeira. Na obra, Betty analisa o assassinato de Maria Elvira por Misael como uma expressão extrema da lógica de posse que pode atravessar relações afetivas.
A escritora também questiona a ideia de que a emancipação feminina exige disponibilidade sexual permanente. Para ela, a liberdade no amor inclui o direito de escolher, recusar e estabelecer limites.
Essas questões aparecem em diferentes momentos de sua produção. As colunas de consultório sentimental que publicou na imprensa deram origem aos livros Fale com ela e Quem ama escuta. A partir de cartas de leitores, Betty abordou ciúme, separações e dificuldades de reconhecer a autonomia da pessoa amada.
O tema também atravessa sua ficção, em títulos como A paixão de Lia, O amante brasileiro e A mãe eterna.
Quem participa do debate?
Betty Milan é escritora e psicanalista, formada em Medicina pela Universidade de São Paulo e em psicanálise na França, com Jacques Lacan. Publicou romances, ensaios, crônicas e peças de teatro no Brasil e no exterior. Desde 2022, ocupa a cadeira número 4 da Academia Paulista de Letras.
Djamila Ribeiro é filósofa e escritora, mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo. Autora de Lugar de fala, Quem tem medo do feminismo negro? e Pequeno manual antirracista, desenvolve trabalhos sobre raça, gênero e desigualdade social. Ocupa a cadeira número 28 da Academia Paulista de Letras.
José Renato Nalini é jurista, professor e escritor. Foi desembargador e presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, além de secretário estadual da Educação. Sua produção aborda temas como ética, justiça e educação. É titular da cadeira número 40 da Academia Paulista de Letras, instituição que também presidiu.
O encontro foi organizado a convite do presidente da Academia, Antonio Penteado Mendonça. A programação prevê falas dos três participantes, debate com o público e, às 19h, um vinho de confraternização.
Serviço
O amor e o machismo
- Participantes: Betty Milan, Djamila Ribeiro e José Renato Nalini
- Data: 12 de novembro de 2026, quinta-feira
- Horário: 17h30, com debate; confraternização às 19h
- Local: Auditório da Academia Paulista de Letras
- Endereço: Largo do Arouche, 312/324, Centro, São Paulo
- Entrada: gratuita, mediante confirmação
- Confirmação: secretaria@academiapaulistadeletras.org.br
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